O escândalo envolvendo a venda de bonecas sexuais com aparência infantil pela Shein continua a gerar repercussões. O governo francês, onde o caso veio à tona, iniciou um processo para suspender temporariamente as operações online da varejista chinesa no país.
A decisão foi tomada após a plataforma ter sido denunciada por comercializar bonecas de aparência infantil, algumas medindo cerca de 80 centímetros e acompanhadas de acessórios como ursinhos de pelúcia. Os produtos, vendidos por cerca de 190 euros, foram retirados do catálogo após a polêmica ganhar repercussão internacional.
Segundo comunicado oficial divulgado nesta quinta-feira (6), o gabinete do ministro da Economia e Finanças, Roland Lescure, informou que a medida foi determinada “por instruções do primeiro-ministro Sébastien Lecornu”. O objetivo, segundo o governo, é garantir que a plataforma demonstre conformidade com as leis e regulamentos franceses.
“O Governo está suspendendo temporariamente a Shein para que a empresa possa comprovar que todo o conteúdo oferecido em seu site está em conformidade com a legislação vigente”, diz a nota.
A suspensão, que deve ser efetivada em até 48 horas, afetará apenas as atividades digitais da empresa. A decisão ocorre no mesmo momento em que a Shein inaugura sua primeira loja física permanente no mundo, localizada dentro da loja de departamentos BHV, em Paris.
A abertura do espaço foi marcada por longas filas de clientes e protestos de manifestantes, que exibiam cartazes contra a marca em frente ao local.
A Shein enfrenta críticas crescentes por práticas consideradas antiéticas e, agora, por ter permitido a venda de produtos que, segundo autoridades e organizações de proteção à infância, promovem a sexualização infantil.
Escândalo das bonecas sexuais leva França a investigar Shein e provoca crise no varejo
A venda de bonecas sexuais com aparência infantil na plataforma da Shein levou a Unidade Antifraude da França a abrir uma investigação judicial contra a varejista chinesa.
O episódio gerou uma onda de protestos em várias cidades francesas e forçou a empresa a anunciar que deixaria de comercializar bonecas sexuais em seu site, embora tenha alegado que os produtos eram oferecidos por vendedores terceirizados.
Conhecida por seus preços extremamente baixos e por seu modelo de negócios de “fast fashion”, a Shein se consolidou como uma forte concorrente de grandes marcas do setor, como ASOS e H&M. No entanto, a polêmica recente reacendeu críticas sobre o impacto da empresa no comércio local e sobre suas práticas éticas e ambientais.
A crise coincidiu com a inauguração da primeira loja física permanente da Shein no mundo, localizada na tradicional loja de departamentos BHV, em Paris.
O espaço foi aberto por meio de uma parceria entre a varejista chinesa e a Société des Grands Magasins (SGM), controladora da BHV. Segundo a SGM, o objetivo da aliança era atrair um público mais jovem e revitalizar as vendas, que vinham em queda nos últimos anos.
A operação, no entanto, provocou forte reação da Galeries Lafayette, antiga controladora da BHV e ainda influente nas decisões estratégicas da rede. Incomodada com a associação à Shein, a Galeries Lafayette anunciou oficialmente o rompimento com a SGM na última terça-feira (5). Como consequência, as lojas outlet que utilizavam a marca Galeries Lafayette — e que abrigariam futuras unidades da Shein, terão de adotar o nome BHV, abandonando a identidade visual anterior.
Críticos acusam a Shein de desequilibrar o mercado varejista francês com sua política de preços baixos e produção em massa. Nos últimos meses, marcas tradicionais do país, como Jennyfer e Naf Naf, entraram em falência, o que analistas associam à crescente pressão do e-commerce asiático.
Entre fevereiro e julho deste ano, a Shein registrou uma média de 27,3 milhões de usuários apenas na França. Globalmente, em 2024, a empresa alcançou US$ 37 bilhões em receita e US$ 1,3 bilhão em lucro, consolidando-se como uma das maiores plataformas de moda do mundo, apesar das controvérsias que cercam sua atuação.
Foto: Unsplash
