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Fuscão e o V Congresso
13 de Setembro de 2011

Fuscão e o V Congresso

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1. O cara adorava o carrão. Tinha comprado o zero quilômetro, o mais bonito, o mais luxuoso. Estava orgulhoso.
 
Parou no semáforo, ao lado de um Fusca. Olhou pro motorista dele com o maior descaso.
 
“Pobretão”, pensou.
 
O semáforo abriu, tomou o maior susto. O Fuscão arrancou com enorme velocidade. Foi impossível alcançá-lo.
 
“Eu estava distraído e ainda não aprendi a dirigir meu carro direito,” desculpou-se.
 
Dia seguinte, coincidência: o Fuscão parou do lado dele, no mesmo semáforo.
 
“Hoje me vingo”, pensou. “Vou humilhá-lo.”
 
O humilhado por ele. O Fuscão, como aconteceu na véspera, partiu na frente. Ele comeu poeira.
 
Indignado, voltou à revenda. Queria trocar o carro por outro mais potente. Não tinha.
 
Foi a uma oficina, dessas bem picaretas, encontrou um motor.
 
“Esse aqui é imbatível, doutor, é de carro fórmula um.”
 
Acreditou no papo do mecânico. E mandou trocar.
 
Saiu da oficina sentindo-se dono da bola.
 
“Hoje vou humilhar aquele cara”, pensou, referindo-se ao dono do Fuscão.
 
Chegaram no semáforo ao mesmo tempo. Parecia combinado. Entreolharam-se confiante.
 
O semáforo autorizou, ele disparou na frente.
 
“Aprendeu, papudo?” pensou.
 
Aí, surpresa: de repente, o Fuscão apareceu bem ao seu lado.
 
Não se conformou. Abriu a janela do carro e perguntou para o dono do Fuscão:
 
“Como você consegue?”
 
E o dono do Fuscão:
 
“Meu carro ainda está em primeira.”
 
Passou para a segunda e…vrummmmmm!
 
 
2. A ABAP já anunciou: vai realizar, de 28 a 30 de maio do ano que vem, o V Congresso Brasileiro da Indústria de Comunicação. Tema: Convergência.
 
Tomara que cumpra a promessa. Se cumprir, será a primeira vez que isso terá acontecido. Os Congressos anteriores precisaram de dezenas de anos para ocorrer.
 
Mas vamos ser otimistas e começar a discuti-lo desde já.
 
 
3. Você, publicitário bem sucedido, gostaria de ver que assuntos em pauta.
 
E uma vez pautado, está disposto a defender seu ponto de vista? Com que força?
 
 
4. Lembro-me do último Congresso. Fui pra lá certo de que obteria apoio – no mínimo dos profissionais mais jovens, porque estava defendendo o interesse deles – e fiquei sozinho.
 
Ao invés de me ajudarem a defender a regulamentação da profissão, passaram o tempo todo correndo atrás de autógrafos. Mal comparando: eu me sentia o cara do carrão, mas os do Fusca estavam muito melhor equipados.
 
Quebrei a cara.
 
 
5. De lá pra cá, não toquei mais no assunto. Nem vou tocar. Tenho outras teses na cabeça.
 
Quem vai chegar de Fuscão serei eu.
 

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