FAM 2012 entrevista Manoel Rangel, presidente da Ancine
21 de Junho de 2012

FAM 2012 entrevista Manoel Rangel, presidente da Ancine

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O investimento recorde do Fundo Setorial do Audiovisual, que chegará a R$ 605 milhões em 2012 e o lançamento do segundo acordo de coprodução Brasil-Argentina, no valor de US$ 800 mil para quatro produções binacionais de ficção, documentário e animação, foram anunciados pelo diretor-presidente da Agência Nacional do Cinema – Ancine, Manoel Rangel, em dois painéis do Fórum Audiovisual Mercosul no FAM 2012 nesta quarta-feira, 20. Na entrevista, Rangel detalha esses novos financiamentos.

FAM – Que papel políticas como os acordos de coprodução Brasil-Argentina e Brasil-Uruguai desempenham?
Rangel – Os acordos são cruciais no processo de integração. Vemos um incremento na quantidade dos projetos que se apresentam. Hoje lançamos aqui no FAM o segundo edital de coprodução Brasil-Argentina (o edital fica aberto até 6 de agosto, e está disponível no site). Mesmo os projetos que não ficam entre os vencedores já estão integrados em mecanismos de coprodução de alguma forma, pois têm acesso a outros instrumentos de fomento, como o fundo Ibermedia e às políticas de apoio nacional de cada país.
FAM – O que representa a entrada em operação das cotas de produção brasileira independente nas TVs pagas com a Lei 12.485/2011?
Rangel – A lei estimula a entrada de conteúdo nacional na TV por assinatura, com melhor qualidade, na nossa língua. Nas séries de animação, por exemplo, teremos entretenimento para nossas crianças com a nossa cultura. A partir de setembro entra em vigor a exigência do cumprimento das cotas. A lei também favorece a competição, a redução dos preços a médio/longo prazo e abre mercado para os profissionais da área.
FAM – Como será o investimento recorde do Fundo Setorial do Audiovisual?
Rangel – Os R$ 205 milhões são um investimento 150% maior em relação ao edital anterior. E no segundo semestre de 2012 teremos outros R$ 400 milhões vindos da arrecadação da Condecine, a Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional pelas operadoras de telecomunicações. A verba total será de R$ 605 milhões, por meio de edital. Uma parcela desse montante será direcionada justamente para as realizações que irão atender a lei das cotas.
FAM – Um requisito para participar do edital do FSA é o resultado comercial esperado dos filmes. Como fica o acesso das produções menos comerciais e as de arte a esse financiamento?   
Rangel – Um dos requisitos do FSA é a qualidade estética e de conteúdo. O fundo irá favorecer filmes de todos os tipos, o olhar não é somente para o resultado comercial. Se olharmos para as edições passadas, não se pode dizer que os diretores que foram contemplados são meramente comerciais.
FAM – Qual sua relação com o FAM?
Rangel – É a primeira vez que venho ao FAM, mas acompanho há anos esse evento, importante espaço de debate do setor audiovisual do Mercosul, que instiga um esforço de relacionamento entre o setor produtivo e governos, com resultados na elaboração de políticas públicas nos diferentes países.

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