
Focada no empreendedorismo, novas oportunidades de negócios e gestão, a Revista Empreendedor, editada pela Editora Empreendedor conquistou assinantes e leitores em todo o Brasil.
O responsável por essa façanha é o experiente jornalista Acari Amorim, um blumenauense que começou trabalhando no Jornal de Santa Catarina e conseguiu ser chefe de reportagem e editor de economia no jornal O Globo no Rio de Janeiro, além de trabalhar antes na Zero Hora e na revista Veja. Ele integrou também a primeira equipe de editores no lançamento do Diário Catarinense onde trabalhou durante 5 anos, quando decidiu em 1994 criar a própria Editora, com sedes em Florianópolis e São Paulo.
Nessa entrevista Acari Amorim analisa as atuais transformações na mídia impressa, aposta no conteúdo de qualidade, com foco, e acredita no crescimento sustentado nos próximos 20 anos tendo por bases as plataformas digitais.
Acontecendo Aqui: O que o motivou, há 20 anos, a empreender uma revista segmentada com distribuição nacional?
Acari Amorim: O Brasil, apesar de todas dificuldades, da falta de infra-estrutura, da burocracia, do crédito limitado e dos juros abusivos, é um país de muitas e grandes oportunidades de negócios. Aqui falta produzir de tudo: desde alfinetes para a indústria da moda até tratores e aviões para o agronegócio. Agora com a expansão da chamada economia criativa se abre uma porta enorme para novos negócios focados na internet, na tecnologia, na biotecnologia, nanotecnologia, na medicina, nas comunicações, nas artes, na gastronomia, no turismo, na moda, no design. Nosso foco, desde o início até hoje, sempre foram as empresas que geram negócios, produtos e serviços inovadores, criativos e rentáveis. Nesses 20 anos acompanhamos o crescimento de milhares de empresas que na maioria delas nasceram no fundo de um quintal, em garagens mesmo ou em modestos galpões, mas que criaram produtos e serviços diferenciados,únicos, inovadores. Cito apenas alguns bons exemplos. A Bematech, fundada em Curitiba, num galpão, por dois engenheiros recém formados. Hoje é a maior empresa de automação comercial do país. A Datasul que nasceu muito pequena e hoje é a grande Totus. A Wizard começou numa sala de aula e se transformou na maior rede de idiomas do mundo. Essas e milhares de outras empresas, nesses últimos 20 anos, acompanhamos, com orgulho e satisfação, o nascimento e todo o crescimento.
Acontecendo aqui: Quais foram os maiores desafios até você sentir que estava no final na pista e decolando?
Acari Amorim: O maior desafio e sempre foi uma motivação a mais para a nossa equipe, é alcançar o amplo universo do empreendedorismo brasileiro. Hoje são mais de 5 milhões de micro, pequenas e médias empresas que empregam mais de 95 por cento da mão-de-obra do País. A cada ano, se formam mais de 2 milhões de jovens em cursos técnicos e em universidades, prontos e com disposição para abrirem novas empresas. A grande maioria desses jovens não quer mais ser apenas empregado. Já deixam os bancos escolares pensando em abrir a própria empresa. São jovens ávidos por informações, por conhecer novas oportunidades de negócios, por saber de gestão empresarial. Pela dimensão do país, a distribuição das revistas é uma operação gigantesca. Em todo o país são 24mil bancas. Só em São Paulo estão 9mil. Buscar novos assinantes é também um árduo e constante trabalho. As universidades e entidades de cursos técnicos sempre foram nossos maiores assinantes e difusores de novos leitores e empreendedores. Na época que lançamos a revista,não existia nenhuma disciplina e muito menos um curso de empreendedorismo. Em qualquer escola ou universidade do Brasil. Hoje todas universidades brasileira tem pelo menos uma disciplina de empreendedorismo. Nós fomos em frente sempre muito devido ao próprio nome. Empreendedor é antes de tudo um estado de espírito, de vamos empreender, vamos em frente. . Esse espírito empreendedor nasce na escola e tem que estar sempre vivo no pequeno, no médio e no grande empreendedor estabelecido.

Acari Amorim: Nesse período, logo no primeiro ano, graças ao professor Duclós que dirigia na época a NTS, a empresa mais avançada de tecnologia digital de Santa Catarina, fomos uma das primeiras revistas do pais a fazer o fotolito a partir de um disquete. Num pequeno disquete levamos todos os arquivos da revista para rodar o fotolito em Curitiba. Só acreditei quando recebi a revista impressa. Hoje já não precisa mais desse disquete, pois vai tudo direto para a gráfica, via internet. Em março de 1996, formos a primeira revista do Brasil a ter um domínio de internet, hoje o portal www.empreendedor.com.br. Antes mesmo da revista Exame que sempre foi a maior referência para nós. Isso foi graças ao Gean Carlo Tomelin (ex-presidente da ADVB/SC), na época recém formado, que entrou na minha sala propondo uma novidade: vamos colocar essa revista na internet. Respondi: vamos, sem saber na hora direito que bicho era esse.
Acontecendo aqui: Quais as publicações e tiragens da Editora?
Acari Amorim: O principal título é a revista Empreendedor. Mas temos ainda a Empreendedor Franquias, Empreendedor Rural, a Empreendedor Varejo.,a Jovem Empreendedor. São publicações que sempre tiveram tiragens média de 50 mil exemplares, sempre com distribuição nacional, em bancas e por assinaturas. Temos também a divisão da Cartaz, que é uma editora focada em revistas, guias de cultura e arte. Também temos a divisão de publicações para terceiros. Nos últimos anos, a cada ano rodamos mais de 1 milhão de exemplares. Nosso maior foco hoje é a revista Empreendedor e o portal empreendedor.
Acontecendo aqui: você já recebeu propostas para a vender a Editora, o grupo Empreendedor?
Acari Amorim: Sim. Mais de uma vez. Mas sempre acreditei na força, no conceito que contém a palavra empreendedor. Nossa maior missão, que não pode ser só nossa, mas de toda a sociedade brasileira, é criar um ambiente favorável para o surgimento e o fortalecimento do empreendedorismo. Só assim vamos ter os empregos, a renda e o bem estar social para um número cada vez maior de brasileiros, nas nossas diferentes e enormes regiões, nesse país continental.
Acontecendo aqui: Quais os impactos que a internet gerou em seus negócios?
Acari Amorim: Na vida de cada pessoa, no mundo dos negócios, em especial na comunicação, se pode medir tudo antes e depois da internet. Estamos ainda numa fase de transição, do papel para a plataforma digital. A rentabilidade da mídia tradicional diminui a cada ano e ainda se busca o caminho mais sólido da rentabilidade na comunicação digital. Nossa aposta é nessa nova e revolucionária mídia digital. Tenho bem claro que essa mídia não é amigável, agregadora com as mídias estabelecidas até hoje. Ela é dominadora, única, e será definitiva certamente por alguns séculos, pela transparência, abrangência, pela democratização e acompanhamento dos reais resultados de cada mensagem, editorial ou publicitária. Já se tem certeza que a comunicação será através de uma tela de imagens e textos, pequena ou grande, móvel ou fixa em qualquer parede, numa mesa ou na porta da geladeira. Mas o que sempre foi, é hoje e sempre será soberano: o conteúdo. Nossa aposta é no conteúdo de qualidade, no empreendedorismo, em novas oportunidades de negócios, na moderna e eficiente gestão. Nosso portal já é hoje o mais acessado do país em busca de novos negócios, franquias e gestão. Já estamos em todas as plataformas móveis. Estamos agregando cursos, consultorias, venda de livros, eventos.. Na parte digital, contamos hoje com uma forte parceria de negócios com a DOT Digital, que tem sede aqui em Florianópolis e está entre as primeiras empresas do País em soluções digitais. Nosso foco, nosso universo é o atual, o novo e o futuro empreendedor. Vamos seguir com as publicações impressas, mas dando cada vez mais ênfase as plataformas digitais.

Acari Amorim: Vejo inserida dentro da chamada Economia Criativa que ganha a cada dia mais corpo. A indústria tradicional – têxtil, calçados, cerâmica, entre outras – está a cada dia perdendo força e precisa se reinventar urgentemente. Basta citar que na década de 80 a indústria era responsável por 35% do PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil. Hoje alcança apenas a dramática taxa de 15%. No entanto, cresce o número de empresas criativas, inovadoras, mais comprometidas com a sustentabilidade do meio ambiente, mais colaborativa com os parceiros, fornecedores e colaboradores. Escrevo um blog sobre Economia Criativa no portal Empreendedor. Estou inserido, de forma modesta, nessa nova economia. Além da comunicação, tenho um espaço, no histórico bairro de Santo Antônio de Lisboa, dedicado ao vinho, a gastronomia e a arte. Tenho uma vinícola em São Joaquim e faço o meu próprio vinho de forma artesanal. Por falar em vinho, faço aqui, para finalizar, um brinde a todos os empreendedores brasileiros, pelo esforço e dedicação diária, muitas vezes para superar enormes dificuldades. Saúde e sucesso sempre para todos nós.
