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Ensaio sobre o futuro. Uma visão possível?
06 de Novembro de 2014

Ensaio sobre o futuro. Uma visão possível?

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Por Prof. Ozinil Martins de Souza 06 de Novembro de 2014 | Atualizado 03 de Dezembro de 2021

Esta noite tive um sonho (anuência de Mr. Martin Luther King)! Sim, sonhei que havia morrido e renascido em 2060. Ao tomar conhecimento do ambiente que me rodeava, estranhei. Terras calcinadas como se não tivessem contato com água da chuva há muito tempo; vegetação amarelada e precária, como se eu estivesse em área semiárida, os rios estavam secos, sem uma gota de água sequer.

Pensei: o que terá ocorrido para que isso acontecesse?

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Em seguida, o contato com o mundo que me rodeava, trouxe-me outra surpresa. Não havia mais diferenças de cor entre as pessoas. Brancos, negros, amarelos, vermelhos, estavam todos da mesma cor. A cor de barro que é característica de peles envelhecidas agredidas que são pelo sol causticante. Pelo menos a discussão eterna sobre racismo tinha acabado. Finalmente, uma cor padrão! Somos iguais na cor da pele e na pobreza que circulava ao redor.

Vi algumas pessoas esfregando-se com areia e, curioso, aproximei-me e perguntei – O que estão fazendo? Responderam-me – Estamos fazendo nossa higiene pessoal. Lembrei-me dos gatos que usam a areia para sua higiene.

Sim, os dados estatísticos que preocupavam na vida anterior, tinham se transformados em realidade. Em 2060 somos mais de nove bilhões de habitantes. As previsões feitas nos anos 2000 confirmaram-se.  Infelizmente, não há trabalho para todos; aliás, uma minoria trabalha em subempregos, os demais trabalhos são desenvolvidos por “robôs” para atender a uma minoria da população que vive enclausurada com medo da violência.

Ah! A violência! Gangues dominam cada espaço do que restou das cidades. Também, as cidades passaram a conviver com 90% da população humana. A concentração é absurda! Não há água, coleta de lixo, segurança, esgoto. O lixo e o esgoto acumulam-se nas ruas (lembro-me de ter visto isso em Cuba em 1996) e servem para alimentar todos os animais que habitam este espaço, juntamente, com os seres humanos.

A busca pela comida é uma luta diária e brutal. Qualquer coisa que se movimente é comida; animais, plantas, insetos, enfim a fome é determinante (lembrei-me da Revolução Cultural na China de Mao Tsé Tung e da fome que matou milhões – anos 40). Que péssima hora para renascer!

Trânsito? Inexiste! Os carros transformados em sucatas atravancam as ruas e fazem parte de um cenário desolador. Refúgio para animais de todos os tipos, inclusive para os “animais humanos”. Como deixamos isso acontecer?

Para controlar isso nenhuma piedade! Homens uniformizados, extremamente agressivos e fortemente armados impõe uma espécie de lei marcial e usam do atributo da força sem nenhum critério. Impor, ao menos, certa organização ao caos é seu papel.

A classe dominante refugiou-se em satélite que paira em órbita espacial ao redor da Terra. Lá os ambientes são assépticos, organizados e ocupados por “líderes” que nele se refugiaram para buscar o bem estar dos que residem naquilo que um dia foi habitável.

Então, em um momento de memória fantástica, lembrei-me de uma palestra que fazia em 2014 sobre a necessidade de criarmos um Novo Modelo de Sociedade. Uma sociedade que fosse includente, que respeitasse a natureza, que fosse sustentável e realista, que não fosse dominada pelo ter e que, procurássemos de todas as formas possíveis, a eliminação da pobreza e a efetividade no controle populacional. Parece que não fizemos nada para evitar o pior. Caminhamos tanto para não chegar a nada!

Acho que escolhi o momento errado para voltar a Terra. Enfim, paciência, a escolha foi minha! Sobressaltado, acordei!

 

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