Aron Pilhofer e Rosental Calmon Alves na sessão especial do Congresso da Abraji.
“Os jornalistas precisam ser mais empreendedores e pró-ativos. Agora as histórias precisam ser contadas com diferentes ferramentas”. Essa foi a principal mensagem de Aron Pilhofer, editor-executivo digital do The Guardian, durante sua fala no Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo que aconteceu em São Paulo, entre os dias 24 e 26 de julho.
Pilhofer destacou a importância do profissional de comunicação se manter sempre atualizado. “O jornalista hoje precisa saber um pouco de tudo: edição, vídeo, programação e mídias sociais, além de lidar com telas de diferentes tamanhos. Mas o mais importante é ter disposição para aprender e excelência em ao menos uma área de sua profissão”, aponta.
Para Rosental Calmon Alves, fundador e diretor do Centro Knight para o Jornalismo nas Américas e professor da Universidade do Texas, a informação agora flui de diferentes formas e o jornalismo precisa se adaptar. “Não dá mais para fazer a mesma coisa do mesmo jeito. O jornalismo precisa se adequar ao novo ecossistema da Revolução Industrial. As empresas jornalísticas que entendem a profundidade das transformações do ambiente de mídia estimulam a cultura da inovação e do empreendedorismo”.
Concordando com a mensagem de Pilhofer, Rosental estimulou os jornalistas e estudantes a criarem novas formas de contar histórias. Segundo ele, o sucesso virá para quem souber se reinventar no novo sistema midiático. O segredo está em não ter medo de fracassar, pois só erra quem empreende e testa algo novo. “Pense grande, comece pequeno e concentre-se nas pessoas que você quer servir ou no problema que quer resolver. Escale rápido ou fracasse rápido, mas tenha sempre flexibilidade para mudar e não desista nunca”, afirmou o professor.
Um projeto inovador para contar boas histórias
Foi exatamente a necessidade de reinventar o jornalismo e a forma de contar histórias que levou o jornalista Felipe Seligman a criar o projeto Indie Journalism, em parceria com outros nove profissionais, após se deparar com a queda da receita da mídia tradicional e a baixa qualidade do jornalismo online. “Toda crise apresenta uma oportunidade. Agora você não precisa saber só texto, vídeo ou rádio. Você pode juntar todas as plataformas para produzir conteúdo de qualidade na internet de diferentes formas”, explicou Seligman sobre a motivação do projeto, durante apresentação no Congresso.
A startup, iniciada há um ano, foi apresentada no congresso e será uma plataforma onde jornalistas independentes do mundo inteiro poderão elaborar suas próprias histórias multimídia. Os temas podem ser variados, desde que sejam relevantes para a sociedade. “Queremos contar grandes histórias do nosso tempo usando o potencial do universo digital”, ressalta o jornalista.
Programado para ser lançado em 2015, o Indie Journalism acredita que existe um público de nicho na internet que quer conteúdo profundo e aceita pagar por ele. Segundo Seligman, o projeto prevê publicar dois títulos e uma produção independente por mês, sendo todas as matérias em português e inglês. “Existem oportunidades dentro do jornalismo e elas passam pela qualidade e não pela quantidade de produção. Acreditamos que o trabalho coletivo, participativo e conectado é o caminho. Nosso objetivo é mergulhar em histórias e contar da melhor maneira possível”.
A equipe ainda estuda um preço acessível para a venda das grandes reportagens, que deve girar em torno de U$3,99. Do total vendido 55% será do autor da obra e 45% ficará para a manutenção da startup. Cada história publicada receberá um fórum para debater a matéria e permitir a interação do público. Grandes matérias poderão se transformar ainda em livros, eventos e filmes. “Na internet a matéria
nasce quando é publicada e ganha vida a partir disso. Queremos participar de um momento que mude paradigmas”, destaca o empreendedor.
O Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma iniciativa da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e da Universidade Anhembi Morumbi e conta com o apoio do Centro Knight para o Jornalismo nas Américas.
Texto escrito por Juliane Oliveira, da Knight Center

