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É tempo de Ser
02 de Março de 2015

É tempo de Ser

Dos prazeres sublimes da vida vamos aprendendo aos poucos – quando nos afastamos das ansiedades do ciclo mecânico de produzir por produzir, muito doido e irracional que a tudo consome.

Como civilização nos encontramos em um momento especial, em que a produção pura e simples já não resulta em algo bom e desejável. O mito do progresso está em cheque. Percebemos que ruas repletas de carros e cidades platinadas de arranha-céus não nos fazem melhores ou mais felizes como humanidade, ou mesmo como indivíduos. Não só por que são artificiais demais para nos dar vazão à sensibilidade do existir, como pela evidência da insustentabilidade ecológica do modelo. Que a graça de estar vivo pode provir de um tempo livre de contemplação, de colaboração despretensiosa, de gestos gentis e projetos construtivos gestados na calma do coração.

É como se chegássemos à exaustão (literal, comprovada pelos altos índices de depressão e processos doentios) por termos nos dado conta, afinal, de que precisamos de um tempo silentes para nos sintonizarmos com os outros. Que a ânsia corrosiva dos artificialismos, as relações mesquinhamente entabuladas numa reciprocidade negociada mascaram as pessoas que somos.

Não significa cair na falácia da “sinceridade a toda prova”, que grassa nas redes sociais e ameaça o convívio de ideias diferentes democraticamente. Ao contrário, é fazer o exercício de entender as opiniões e percepções diversas e buscar suas complementaridades. É despir-se das vaidades opiniáticas e das ideologias por vezes prejudiciais à clareza de espírito.

Pertencemos a uma geração de transição para um outro paradigma, ao mesmo tempo surpreendida com as mudanças e especialmente contemplada com as possibilidades dessa nova forma de viver. Trata-se de um novo paradigma a partir do qual finalmente prestamos atenção na aventura da existência, e nos importamos em compreender quem somos e perceber essa questão é mais relevante que discursos ou aparências.

Nos damos conta, então, de que os outros são como nós, simples na mesma humanidade, complexos na riqueza de expressões e subjetividades, e que essa angústia transitória é superável se seguirmos irmanados. Que a felicidade, essa quimera, nos habita.