Hamilton Lyra Adriano joga futebol,toda semana desde 1979, com amigos do Colégio Catarinense. Nesse esporte não é lá essas coisas, mas na realização de eventos é um craque. Jamais pisa na bola.
Manezinho de Florianópolis, Hamilton, casado, dois filhos com um terceiro a caminho é formado em Administração de empresas, frequentou vários cursos na áreas de turismo, de marketing e de administração dentro e fora do País, trabalhou em poucos lugares: Localiza Rent a Car, Grupo Habitasul (Open Shopping) e empresas familiares. Hoje é presidente da ShopConsult.
Perguntei a ele: o que é essa Shopconsult?
“Empresa inicialmente criada para estabelecer consultorias de marketing e de planejamento para Shopping Centers, acabou por trazer à tona especialidade empírica desenvolvida ao longo de anos pelas empresas em que tive a oportunidade de trabalhar. Cria e produz vários eventos corporativos nacionais e internacionais, além de missões técnicas em países de interesse aos temas desenvolvidos. É associada a várias entidades nacionais e internacionais afetas as nossas temáticas.”
Pensei: que importância pode ter uma empresa dessas? Mas perguntei com educação: qual a contribuição que a atividade dela oferece para a profissão, para a economia e para o próprio país?
“São eventos não colidentes, mas que são complementares: realizamos eventos sobre “lixo zero”; pelo terceiro ano o Fórum Internacional sobre Mobilidade Urbana; e desde 2008 o Architectour que já trouxe mais de 100 convidados nacionais e internacionais.Todos cobertos de ineditismo, como o caso da união de Roberto Justus com João Doria em mesmo palco, grandes marcos com espelhamento em outros Estados.”
“Nossos eventos e a missão da empresa propriamente dita visam a capacitação profissional de áreas afins, trazendo exemplos de aplicabilidade iminente e possibilidade de relacionamentos comerciais e profissionais de toda ordem.”
“Para os participantes congressistas, oportunidade impar de conhecer ao vivo as grandes tendências aplicadas em todo o mundo, além de seus criadores e executores. Para a economia brasileira e ao País, desde que haja a humildade ao entendimento de que esta troca de experiências é o grande mote, se faz diferencial de larga escala aos dirigentes públicos e privados”
Agora fui específico: o que é o Architectour?
“É um evento criado em 2006 a partir da junção de especialidades dos sócios da empresa: em visita a evento de turismo e a convite da Santur e pelo amigo Valdir Walendowscky, e com a presença de técnicos da EMBRATUR, Ministério do Turismo e várias entidades de representação do chamado trade, percebeu-se que em nenhum momento a “motivação” que a Arquitetura provoca no turismo era minimamente mencionada. Daí para a junção de Arquitetura e Turismo foi um passo.”
“Nasce ali o Architectour. Hoje o evento é reconhecido internacionalmente e temos sempre grande “leque” de palestrantes dispostos a participação sempre que chamados. Ainda, criamos espécie de conselho editorial com todos os palestrantes que já estiveram neste palco e eles nos ajudam a efetivar os convites que necessitamos de acordo com os temas anuais propostos.”
Eu queria entender por que um evento desse porte, criado em Florianópolis, foi parar em Curitiba. Então, perguntei: durante dois anos ele aconteceu em Florianópolis, agora ocorreu em Curitiba. Por que? Ele ficou brabo:
“As sucessivas mudanças na direção da indústria do Turismo em nosso Estado provocaram desgaste pelo viés político da responsabilidade inerente aos temas, não necessariamente de domínio de seus dirigentes, mas nem por isso menos importantes ao mercado e ao cenário internacional de projeção que estes eventos desencadeiam.”
“Muitos dos avaliadores de projetos dentro do Estado não conseguem discernir Frank Gehry de Licor Frangélico o que desabona parte da gestão, mesmo que os principais atores talvez nem saibam destes ocorridos”.
“A ausência de liderança profissional e efetiva nestas importantes cadeiras ao Estado faz com que bons eventos encontrem Estados com este discernimento e maior interesse, não somente pela importante presença conceitual que trazem, mas pela importância do Estado ao apoio financeiro, político e social pela capacitação qualificada que se produz ano-a-ano com estas realizações.”
“Eventos internacionais são dispendiosos e não há como se repassar o real custo do evento aos congressistas sob pena de completa inviabilização econômica e esvaziamento. Todos os nossos eventos, mesmo sendo criados em Florianópolis, estão abertos a recepção de candidaturas de todo o País. Um deles até proposta de realização no Caribe já teve.”
“Creio que Florianópolis poderia escutar mais o que os promotores de eventos têm a dizer. Futurecom, Architectour e outros são exemplos claros de que não existe ainda o entendimento do que a indústria de eventos proporciona às Cidades em geração direta e indireta de empregos e renda, em capacitação, em movimentação turística em baixa temporada, em efetivo faturamento a todos os atores envolvidos.”
“Ao invés disso, muitos fornecedores buscam cobrir prejuízos próprios com os promotores locais, ao invés de juntos traçarem estratégias na busca de turistas consolidando o destino. Nem a percepção que os eventos são realizados na véspera de um final de semana, com isso sugerindo que o visitante permaneça na Cidade no pós-evento, ocorre.
“Na torcida para que as mudanças de paradigmas ocorram, que esta atividade possa ser menos politizada e mais criteriosa nos apoios. Nos ressentimos de estarmos em posição meramente técnica e sem aptidão política para que se possa aclarar a importância do que tentamos com muito esforço realizar todos os anos.”
Liderados pela professora Arlis Peres, alunos do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Unisul compareceram em grande número ao Architectour. E impressionaram tanto que a ShopConsult paralisou o evento a fim de que pudessem ser fotografados ao lado dos palestrantes.Hamilton destacou o fato nesta entrevista:
“Julgamos sensacional a participação de universidades em nossos eventos. São a mostra de que o futuro acadêmico é promissor. Ainda percebemos que muitas universidades e alunos estão absolutamente despreocupados com suas carreiras, apenas contando dias para a formatura física. Fica grande luz com a percepção de real interesse acadêmico em eventos de grande conteúdo conceitual. Aproveitamos para tecer justo agradecimento a UNISUL e a todos os que compareceram. O precedente aberto de foto coletiva com os palestrantes foi merecido.”
Eu quis saber: o que é a Missão Architectour a Paris e Londres?
“Nossa empresa, a partir dos relacionamentos gerados com todos os convidados internacionais desde 2008, entendeu por criar novo produto também inédito no mercado do turismo. Excursões de turismo de contemplação arquitetônica existe em todo o planeta, mas Missões onde o participante possa interagir diretamente com quem fez, ou administra, ou criou determinada obra arquitetônica, é efetiva criação de sucesso que tende a se propagar de forma bastante abrangente nos próximos anos.”
“Em 2012 estivemos na Alemanha & Áustria em Missão sobre Mobilidade Urbana e com participação no World Congress da Rede Cities for Mobility com sede em Stuttgart. Dia 26 de Outubro estamos seguindo para Paris e Londres com grupo de até 30 pessoas, de todas as áreas profissionais em visitação a várias obras, arquitetos e escritórios, vendo importantes legados tanto em Paris como em Londres, inclusive com contato recente de uma destas Embaixadas, encantada com a qualidade do produto criado.”
“Os valores são muito acessíveis, estamos considerando 04 pessoas em staff, estamos levando intérprete desde o Brasil inclusive com equipamento portátil de tradução simultânea para as visitas, enfim, boa organização, bons preços e formas de pagamento, com excelente conteúdo. Viagem dos sonhos para a maioria.”
Cutuquei: por que é importante participar?
“Pela chance única de estar próximo aos autores ou escritórios, e das obras a serem visitadas. Diretamente com eles o participante tira as dúvidas, interage, sai do teórico ao prático em fração de minutos, aprende com os melhores, documenta em fotos esta oportunização e se destaca em seu meio presente e futuro.”
“O que é preciso para participar? Maior de 18 anos, melhor se encontrando outro participante para minimizar custos em apto Double, negociar seu pagamento e assinatura de contrato diretamente com a operadora de viagens e boa viagem. São todos bem vindos e limitamos a participação 30 pessoas por questões operacionais. Sendo um grupo acima de 10 pessoas, condições especiais são feitas.”
Só me restava perguntar sobre o futuro. E perguntei: quais são os planos da ShopConsult para o futuro?
“Focar em dois eventos físicos, o de Mobilidade Urbana e o Architectour, tornar realidade a vinda de Eike Batista para palestra em Florianópolis, assim como Carlos Slim (dono da Claro, México, maior empresário do mundo), e manter direção nas Missões técnicas e empresariais em máximo de 04 por ano. Uma de Mobilidade Urbana, sempre na participação no World Congress da Rede Cities for Mobility ao qual somos associados e em aumento de mais um País sempre nesta temática, tecnologias e estudos aplicados, etc.; e nas Missões Architectour.”
“Temos em planejamento e programação a Missão Architectour Milão para a famosa feira de móveis já em Março/abril de 2013 com associação à visita com arquiteto italiano muito famoso; a partir dela, e em outros meses temos: a Missão Architectour Buenos Aires + Montevidéu + Punta com os amigos Alberto Varas, Angélica Campi e Rafael Lorente; a Missão Architectour Barcelona + Madri com evento em Madrid a ser especialmente criado pelo turismólogo Ricardo Brookes; Com a Missão Architectour Dubai + Abu Dhabi em recepção a ser feita pelos amigos da COWI em estreitamento de relações inclusive com os Sheiks; Com a Missão Architectour Xangai + Singapura, e por fim, dentre as que já estão em fase de planejamento, a Missão Architectour Colômbia junto com entidade afeta ao Paisagismo nacional.”


