Desenvolvimento, Sustentabilidade e Comunicação
25 de Maio de 2012

Desenvolvimento, Sustentabilidade e Comunicação

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A compreensão corrente de "desenvolvimento" é a que invoca a ideia de uma sociedade que dispõe de uma boa infraestrutura para a produção e fluxo de riquezas, por meio da qual obtém um retorno econômico que lhe é proporcional, passível de auferir por indicadores como, por exemplo, o PIB – Produto Interno Bruto. Esse é apenas uma das acepções do termo desenvolvimento.
 
A partir da Conferência de Estocolmo, em 1972, passou-se a usar a expressão "desenvolvimento sustentável", de modo a agregar ao aspecto econômico o viés ecológico e também o social. A nova terminologia, embora esteja sendo aproximada das matrizes sociais da produção e consumo, não se satisfaz com os mesmos indicadores.  
 
Para o desenvolvimento sustentável, a qualidade de vida e a dignidade humana estão em primeiro plano, de modo que promover a sustentabilidade é investir no desenvolvimento humano e no equilíbrio ecossistêmico. O tema “Comunicação, Crescimento Econômico e Desenvolvimento Humano”, a ser debatido no V Congresso da Indústria da Comunicação, deve ser analisado sob essa perspectiva.
 
A comunicação integra o social, o econômico, o político e o ecológico, em níveis e formas diferentes, mas exercendo um papel crucial em cada uma delas e para a sociedade como um todo. O ato de comunicar é inerente ao ser humano e é a partir dele que o homem desenvolveu o seu potencial intelectivo. Mas a comunicação é também instrumento para a organização comunitária no sentido político, e para o exercício dos papéis sociais e das atividades econômicas.
 
A sociedade contemporânea enfrenta uma difícil transição de modelo civilizatório, pois a natureza não suporta um comportamento extrativista e poluidor. A sustentabilidade ecológica requer o princípio da ecoeficiencia, que reconhece os custos ambientais da produção e promove uma recuperação das condições naturais necessárias ao amplo acesso aos serviços que a natureza oferece (água potável, terra fértil, equilíbrio térmico, etc).  
 
Ao mesmo tempo, os processos econômicos essencialmente competitivos devem abrir-se, integrando formas colaborativas e cooperativas, de modo a promover a inserção econômica e social das comunidades locais e satisfazer as necessidades de interação global. Essa mudança exige uma nova compreensão de mundo, de valores e formas de agir compatíveis. E é nessa mudança que a comunicação pode fazer toda a diferença, positivamente.
 
A indústria da comunicação, cujo trabalho se utiliza de veículos de massa, tem, por conseguinte, uma grande responsabilidade relacionada aos conteúdos e ao direcionamento dos discursos divulgados e difundidos à coletividade.  No momento em que a mídia diverte e informa, ela gera modelos de comportamento e influencia na formação de mentalidades, o que repercute no desenvolvimento humano da população envolvida.  
 
A preocupação com os programas e a publicidade voltada ao público infantil, por exemplo, é condizente com a necessidade de contribuir com a formação de pessoas críticas, inteligentes, responsáveis, capazes de pensar e agir de modo coerente com os valores da sustentabilidade, da liberdade e dignidade humana, como o futuro requer.
 
Não se trata, apenas, de criar novos padrões de programação infantil. Trata-se de qualificar a comunicação como um todo, de modo que também a população adulta seja beneficiada com a informação pertinente, programas e mensagens condizentes com o propósito de promoção do desenvolvimento humano, com variedade, qualidade e ampla acessibilidade. 
 
Significa que a indústria da comunicação deve primar pelo conteúdo daquilo que tão amplamente divulga, evitando tornar-se mero difusor de um paradigma de sociedade que não se coaduna com o desenvolvimento humano, e assumir um compromisso com os valores que permitem falar-se em “humanidade”: o amor, o respeito, a colaboração, a solidariedade, a liberdade e a igualdade.
 

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