1. Quando chegou em casa, não se aguentava mais.
De volta pra casa, tinha parado em vários bares. E em cada bvar, tomava umas e outras.
Encostou-se na parede, enfiou a mão no bolso, encontrou a chave da casa mas não conseguiu encontrar o buraco da fechadura. A custo localizou a campainha, que apertou durante bom tempo. Não porque a esposa fosse surda ou tivesse sono pesado, mas porque demorou para conseguir tirar a mão de lá.
A mulher abriu a porta indignada, mas nem teve tempo se falar.
“Um banheiro”, ele gritou. “Um banheiro antes que eu faça porcaria aqui.
Tropeçou nele mesmo, deu um esbarrão na esposa, abriu a porta, reclamou:
“Pô, essa casa está mal assombrada.”
“Por que?”
“Eu abro a porta do banheiro, a luz acende, vejo um monte de coisas lá dentro, menos o vaso e o chuveiro.”
“Você abriu a geladeira, cachaceiro.” (Piada contada por Son Salvador no jornal Aqui, e recontada do meu jeito.)
2. Recentemente tivemos, em uma mesma semana, em S. Paulo, dois fatos bastante significativos para nós, que trabalhamos com comunicação e marketing.
Um dia, dois milhões de evangélicos tomaram a Av. Paulista, no que eles chamaram de Marcha para Cristo. Dois dias depois, na mesma avenida, cinco milhões participaram ou assistiram e aplaudiram a Parada Gay. Dias antes desses dois eventos, uma ruidosa, mas não tão grande, multidão, desfilou alui em defesa do consumo da maconha.
O que significa tudo isso?
3. Significam sintomas de profunda mudança na sociedade.
Volta e meia chega às minhas mãos briefings, que continuam definindo os consumidores como se fazia até meados do século passado: classe X, sexo tal, de tantos e tantos anos.
Pior: todo um trabalho é desenvolvido em cima disso. E o trabalho, bonitinho mas ordinário, faz com que a mensagem tome a direção do marido bêbado: é endereçada ao banheiro, mas bate na porta da geladeira e vai direto para o lixo
