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Cuidado com o Mico
14 de Março de 2012

Cuidado com o Mico

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1.     O carro deslizava mansamente pela rodovia 040, aquela que liga Brasília ao Rio de Janeiro. Na frente, um casal. Atrás um garoto, preso na cadeirinha, mas saracoteando o tempo todo.

 

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Aí, o menino viu: outro menino, às margens da estrada, um mico nos braços.

 

“Olha o macaquinho, pai, eu quero um.”

 

Por mais que explicasse que o bichinho era de estimação do menino, da beira da estrada, o garoto não se conformava:

 

“Eu quero um! Em quero um!”

 

“Mas o bicho não vai ficar quieto, aqui dentro do carro. Menos ainda no apartamento. Além disso, já passamos por eles. Menino e macado ficaram lá atrás.”

 

Não devia dizer isso, porque quando disse, outro menino apontou no horizonte. Com, outro macaquinho no braço.

 

“Para, pai. Para, pai.”

 

Parou. Parou e comprou. Dentro dele, buscava razões que justificassem o ato:

 

“O menino é ao pobrezinho, tão inocente, comprei para ajudá-lo. Além disso, o macaquinho é muito comportado. Não vai dar trabalho.”

 

Aí, ele viu: o macaquinho estava dormindo nos braços do filho. E era muito pequeno. Devia ser um filhote.

 

Filhote nada. Quando ele acordou e se viu naquele ambiente estranho, botou a boca no mundo. E aprontou enorme algazarra. Tão grande que o homem teve de parar o carro e soltar o bichinho.

 

Em Brasília, ainda não refeitos do custo, contaram o ocorrido aos primos que visitavam. E que se divertiram:

 

“Ih! Vocês caíram no conto do mico, muito comum por aqui.  O menino não é inocente, como vocês pensaram. E o mico é adulto. Para que dormisse, deram cachaça pra ele. Assim, quando acordou, natural o agito todo: além da ressaca, não está acostumado a andar de carro.” (Contado por Dea, minha sogra, e recontado do meu jeito)

 

2.     As Empresas de Comunicação Brasileiras e o Mercado Global é um dos temas que serão abordados no 5º. Congresso Brasileiro de Comunicação. “As oportunidades de internacionalização e as barreiras para que isso se torne realidade”, justifica.

 

Quando trabalhei na Norton, aí pela segunda metade da década de setenta do século passado, tive por missão, entre outras, cuidar das agências desse Brasil afora, com as quais a empresa tinha acordo. Era difícil, muito difícil, convencer meus colegas a atender, com a presteza e seriedade necessárias, os pedidos que chegavam de várias partes do país. Reinava o império da soberba.

 

“Não sei por que se preocupa tanto. Esse pessoal é um bando de amadores,” eu ouvia com freqüência.

 

3.     Imagino que isso mudou. Que hoje, a publicidade praticada fora do eixo e os publicitários que as fazem são olhados com menos preconceito. Mesmo porque talento e conhecimento nascem e crescem em qualquer lugar. Basta que o terreno seja fértil.

Afinal, o país mudou. A comunicação, idem. A publicidade brasileira está, hoje, olhando para fora do país. Brilhando por lá. Hoje temos notícia de que profissionais nascidos neste país estão sendo  recrutados por multinacionais de comunicação. E de grandes anunciantes estarem garimpando agências por aqui.

Daí a necessidade de você e eu termos um olhar para esse mercado, a fim de não correremos o risco de, na hora h, comprarmos mico velho e bêbado, mas esperto depois que a ressaca termina, por mico bobo. E do acerto dessa pauta.  

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