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Creators, Gen Z e a mídia estão em rota de colisão?
23 de Outubro de 2025

Creators, Gen Z e a mídia estão em rota de colisão?

A mídia tradicional começa a cavar seu espaço na Creator Economy

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Imagem: iStock

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A CNN, uma das maiores emissoras de jornalismo no mundo, anunciou o lançamento do CNN Creators, uma tentativa de entregar conteúdo informativo para as novas gerações, tentando recuperar a credibilidade do jornalismo tradicional, só que em um formato adaptado para a Creator Economy de hoje.

O programa multiplataforma será produzido a partir do novo estúdio da emissora em Doha, no Catar. A ideia é simples e simbólica: criar uma redação moldada por criadores digitais, com jornalistas que entendem de IA, cultura, esportes e comportamento, e que sabem disputar espaço no feed sem parecerem uma paródia da própria credibilidade.

O jornalismo pode se conectar com a GenZ?

Não só pode, como deve. A tentativa da CNN nada mais é do que o caminho inverso do que aconteceu na prática: creators tomaram o espaço do jornalismo tradicional, então chegou a hora de recuperar esse lugar.

Ao longo dos últimos anos, a mídia tradicional passou a ser atacada tanto pela direita quanto pela esquerda, movimento que fez até os principais veículos do Brasil, como Folha de S. Paulo, Estadão e até a Globo perderem a sua credibilidade entre boa parte da população. Isso, numa época em que as fake news se encontraram com os deep fakes e vídeos quase perfeitos gerados por IA, é um problemão.

Há algum tempinho, na News do YouPix, falou-se sobre o surgimento do termo “Infoencer”, usado pra descrever creators que prezam pela qualidade da informação em seus conteúdos. Beleza, mas não deveria ser assim pra todo mundo? Não é porque um creator fala de humor, faz graça, personagens e situações informadas, que ele tem licença pra desinformar. Enfim.

Fato é que entre algoritmos e dancinhas, a mídia tradicional perdeu o que sempre teve de sobra: atenção. Agora, tenta reconquistar o público falando a mesma língua de quem a desbancou — a dos creators.

Durante os primeiros meses, o programa vai ao ar sob o nome “CNN Creators – The Intro”, apresentando uma equipe formada por nomes como Andrew Potter (ex-Vice), Ivana Scatola (ex-BBC e France 24), Bijan Hosseini, Antoinette Radford, Matias Grez e Ben Foley — um time que mistura experiência jornalística com fluência digital. A partir de 2026, o projeto assume seu formato definitivo, tornando-se o primeiro programa totalmente ancorado a partir da nova sede da CNN em Doha, equipada para produção de conteúdo dinâmico e colaborativo. Mas o ponto aqui vai muito além da CNN.

Essa movimentação mostra como o jornalismo está tentando entrar no campo da Creator Economy para sobreviver a um cenário em que a atenção virou o principal ativo político e econômico – e ano que vem tem eleição por aqui, hein. Nos últimos anos, a lógica do engajamento sequestrou o debate público. Fake News SEMPRE existiram, mas a velocidade e o alcance da internet transformaram a desinformação em arma de destruição em massa. Qualquer mentira bem produzida pode viralizar em minutos, e o jornalismo tradicional, preso a formatos engessados, ficou assistindo sem saber o que fazer.

Uma das brincadeiras de crianças que cresceram com algum tipo de câmera em casa era simular um jornalzinho, seja por diversão ou até num trabalho de escola. Quando os YouTubers surgiram, muitos também copiaram o formato tradicional do jornalismo de TV, mas sem necessariamente ter o compromisso com a informação. Só que o que parecia uma bobagem inofensiva, “é só não dar Ibope”, saiu do controle na era dos reels e TikToks.

Ao investir em formatos e linguagens da Creator Economy, a mídia tenta mostrar que é possível ser interessante sem ser rasa, e que dá pra disputar os 3 segundos iniciais de um vídeo sem cair na armadilha da superficialidade. As pessoas, aos poucos, estão recuperando a sede por conteúdos um pouquinho mais críticos. A CNN, num movimento muito interessante, parece entender que não adianta só informar: é preciso levar a informação mastigada pra audiência, no formato que ela quer. A conta é simples, o difícil é colocar em prática.

A entrada do jornalismo tradicional na Creator Economy também inicia um movimento de embate aos influencers vazios, porque, apesar de ainda meio engessado, o jornalismo é profissional e tem máquinas e conglomerados de mídia em sua estrutura. Ou seja, chegam com muito poder. Se os creators ainda não têm uma postura profissional, a disputa por audiência pode até rolar, mas a tendência ao longo do tempo é que o mais forte leve essa queda de braço.

Será que chegaremos no ponto em que as emissoras tradicionais de jornalismo vão contratar creators em massa pra criar conteúdo informativo? No YOUPIX Summit desse ano, rolou um painel muito legal que falou sobre os creators que estão retornando para o modelo de trabalho CLT – não pra largar a criação de conteúdo, mas pra emprestarem suas expertises no formato digital para agências e empresas que ainda engatinham quando o assunto é marketing de influência.

Hoje, 41% dos creators ainda vivem de conteúdo patrocinado, ou seja, #publi ou UGC – spoilerzão da pesquisa Creators & Negócios, que a gente faz todo ano pra mapear a relação dos creators na Creator Economy. Como a gente diz sempre nas comunicações por aqui, creators precisam diversificar a sua renda pra não depender só de uma plataforma ou modelo de negócio, como muitos fazem, vivendo só de #publi no Instagram. Pode dar um dinheirão de cara, mas você acha mesmo que esse modelo se sustenta por mais 5 ou 10 anos, na velocidade que o nosso mercado se transforma?

A entrada do jornalismo no mesmo campo de atuação dos creators acende mais um alerta: sem profissionalismo ou compromisso com a verdade nos seus conteúdos (ainda que de uma forma leve) a tendência é que os influencers percam cada vez mais espaço para os novos tipos de creator, profissionais e embasados, que estão surgindo e ainda vão aparecer.

Quem ganha é o público, porque a informação volta a circular com qualidade. Se a CNN, uma das marcas mais tradicionais do planeta, está disposta a experimentar o que antes era considerado “coisa de influencer”, é sinal de que a fronteira entre notícia e conteúdo está mudando. E a Creator Economy, que da pandemia pra cá se transformou completamente, promete dar mais um 360º a qualquer momento.

E talvez, nesse cruzamento entre credibilidade e criatividade, o jornalismo volte a ser o que sempre deveria ter sido: relevante. Do mesmo jeito que a gente não engole o discurso de que a IA vai roubar nossos empregos, quem pode somar nessa conta ao invés de perder espaço são os creators. Afinal, o marketing de influência não é sobre fazer a ponte entre a audiência, que se nichou em comunidades e as marcas, que estão aprendendo a se comunicar fora dos comerciais de 30 segundos no intervalo da novela? Se os creators constroem essa ponte, eles também podem aliar suas forças ao jornalismo, que aos poucos mostra sinais de que vai reconquistar seu espaço.

Mas, pra isso acontecer, é sempre bom a gente entender o mercado e o que ele pensa dos creators. No ano passado, nossa meta era entender o ritmo de profissionalização do creator no mercado. Em 2025, o foco é como a maturidade e investimentos afetam o creator.

Pesquisa

Faça o download da pesquisa Creators & Negócios.

Oriundo do YouPix

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