Deixei para finalizar estes comentários sobre o Congresso da Indústria da Comunicação com o painel sobre sustentabilidade, presidido pelo Salles Neto e com as presenças de Fábio Barbosa, André Trigueiro e Marina Silva. Tivemos uma estimulante troca de experiências e propostas, que merecem ser lidas e meditadas quando tivermos em mãos os anais do congresso.
Tentar resumir aqui, considero tarefa senão impossível, impraticável. Limito-me a pinçar uma afirmação de cada painelista, na tentativa de passar a essência dos debates.
Barbosa, que foi recentemente laureado com o prêmio Campeão da Terra 2012 concedido pela ONU, na categoria Visão Empresarial, afirmou que a almejada sustentabilidade não pode ser vista e tratada como uma área compartimentada, mas, da mesma forma que Responsabilidade Social e Qualidade, deve estar presente em todas e em cada uma das ações das empresas, desde o Plano de Negócios, passando por produtos, embalagens, serviços, e tudo mais.
Trigueiro criticou a formação deficiente dos comunicadores, que gera um analfabetismo ambiental na pauta jornalística, justamente quando nos vemos diante de uma nova maneira de entender comunicação, como parte de um olhar sistêmico sobre absolutamente todos os assuntos.
Marina Silva, coerente com seu discurso de palanque e fora dele, apontou uma vigente crise civilizatória, que exige convergência de todas as ações da sociedade.
No momento das perguntas, encaminhei a minha aos painelistas, correndo o risco de ser mal visto pelos coleguinhas das agências: queria que eles dessem sua opinião sobre o que vejo como um conflito – de um lado, a propaganda que, por definição tem a missão de criar consumo, mover a economia, gerar mais negócios e, de outro, o consumo consciente, preconizado pelas regras da sustentabilidade.
Os três disseram que não devemos incentivar o consumo desenfreado, que crescimento não é sinônimo de desenvolvimento e que a chave é a educação. Mas foi Marina Silva quem, na minha opinião, melhor avaliou o momento presente, ao afirmar que temos que resignificar os conceitos de prosperidade, de felicidade, entendendo que consumo deve passar de senhor a servo.
Se é mesmo esse o segredo de tudo, como fazer para agir e fazer agir nesse sentido? Atuamos num cenário confuso, em que muitas são as alegadas posições e convicções ecológicas, porém nem sempre correspondidas por ações efetivas. Raramente se vê um texto publicitário que não contenha expressões como sustentabilidade, preservação da natureza, reciclagem, créditos de carbono, áreas degradadas, energia renovável, salve o planeta!
Lanço aqui um desafio: se fizermos uma pesquisa, quantos de nós sabemos efetivamente do que se está falando? Quantos têm noção do que é e como se alcança sustentabilidade? Mais simples ainda, quantos sabem como reciclar o lixo, o que fazer com os resíduos de sua casa?
Se educação é fundamental e se esses conceitos são matéria básica para educar, não cabe à comunicação difundir esse ensinamento? Por que, dos milhões investidos pelos governos em campanhas de propaganda, não destinar alguns para esclarecer a população? Sabemos que os que militam na indústria da comunicação têm presença privilegiada junto a esses poderes, então por que não fazer disso um plano estratégico?
Aí sim, o planeta iria agradecer.
