Por Elóy Simões
1. Um grupo de colegas de universidade decidiu comemorar os 20 anos de
formatura com um jantar. Discutiram, discutiram, e acabaram decidindo pelo Café
Estrela, porque as garçonetes usavam minissaias bem curtinhas e decotes bem
generosos.
Dez anos depois, para comemorar os 30 anos de formatura, discutiram,
discutiram, e acabaram decidindo pelo Café Estrela, porque a comida era muito
boa e a seleção de vinhos valia a pena.
Para comemorar os 40 anos de formatura, discutiram, discutiram, e
acabaram decidindo pelo Café Estrela, porque era um lugar tranquilo, onde
poderiam jantar em paz, e o cigarro era proibido.
Para comemorar os 50 anos de formatura, discutiram, discutiram, e
acabaram decidindo pelo Café Estrela, porque havia caminhos para as cadeiras de
rodas. Havia até um elevador.
Para comemorar 60 anos de formatura, discutiram, discutiram, e acabaram
decidindo pelo Café Estrela. Acharam que seria uma grande idéia, já que nunca
tinham ido jantar lá. (autor desconhecido)
2. Todo fim e começo de ano fico espantado com o número de festas para a
entrega de prêmios publicitários. Daqui a pouco, em junho, mais festas acontecerão
para comemorar os prêmios do Festival de
Gramado e de Cannes, que deixou de ser Festival.
Confesso que nessa hora a consciência me dói, já que sou um dos criadores
dos criadores da mais antiga premiação realizada no Brasil – o Colunistas. Ele nasceu, na verdade, com o objetivo de contribuir para o
fortalecimento da então nascente criatividade na publicidade brasileira.
Cumpriu o papel a que se propôs, mas diante do que assisto hoje, não sei se foi
um bom exemplo.
3. Hoje essa imensa diversidade de prêmios deixou muitos publicitários
deslumbrados. Deslumbrados e cegos.
Vendo-os, lembro-me do filme estrelado pelo careteiro Jim Carrey, O Show
de Truman. Sinto-os fechados em uma
imensa bolha onde tudo é maravilhoso, enquanto o mundo acontece e as coisas se
transformam aqui fora.
Mas enquanto prosseguem lá, nesse ambiente todo azul, a bolha vai
encolhendo.
Do lado de fora, a publicidade, tal como a conhecemos há alguns anos, transforma-se
rapidamente, na luta para se adaptar, entre outras coisas, àera digital. Perde
lentamente a participação no bolo de dinheiro destinado ao marketing. E a
partir de agora, até 2014, no mÃÂnimo, viveremos a era dos eventos. É menos
dinheiro para quem deseja, de fato, fazer uma publicidade séria.
4. Ao contrário do Show de Truman, onde o personagem, por força de um
acidente, livra-se da bolha e conhece o mundo verdadeiro, ela encolhe para os
publicitários que ali ainda permanecem.
A continuar lá, morrerão sufocados. Ou, como acontece na história que
contei no inÃÂcio desta conversa, sairão completamente gagás.
