Carta Aberta para Vereadores e Candidatos a Prefeito
08 de Outubro de 2012

Carta Aberta para Vereadores e Candidatos a Prefeito

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Prezados vereadores eleitos e candidatos no segundo turno a Prefeito e Vice:

Estou-lhes escrevendo na quinta-feira que precede o dia das eleições. Portanto, sem saber quem se elegeu, no caso dos vereadores, ou ficou para o segundo turno.

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Sinto-me, assim, à vontade para dizer o que vou dizer, sem ser chamado de desrespeitoso ou de puxa-saco. Os senhores passaram esses dias pré-eleitorais, dizendo-se profundos conhecedores dos problemas de Florianópolis.

Sempre parto do princípio de que as pessoas – todas – são sérias, honestas, incapazes de mentir, embora, que eu saiba, nenhum dos senhores se referiu, por um instante sequer, ao Parque da Luz.

Talvez porque não tenham tido tempo de dar uma passada por lá, para ver que tristeza. Um lugar que tem tudo para ser maravilhoso, mas que está abandonado.

Façam uma forcinha: atravessem aquele campo de futebol que a gente vê da rua, e entre. Com cuidado, claro, para não topar com algum viciado.

Aprecie como aquilo tudo, se bem tratado, pode ficar maravilhoso. Aí, faça jus ao que disse durante a campanha: que conhece realmente os problemas da cidade. Este que cito aqui, o do Parque da Luz, fica no Centro. É fácil chegar lá.

Daí, para o bem da cidade e dos cidadãos, inclua aquele patrimônio no seu programa de governo.

Outro dia, dando uma volta na internet, li um causo chamado As Sardinhas. É assim:

Dois compadres conversavam à beira de um riacho  lá pelas bandas de Uberaba.

– Zé, tempos bão era quando eu tinha sua idade.
Faz mais de 40 anos.

– Chico, tempos bão são agora, cê não vê o patrão, tem aquela tal de parabólica que pega até os canais de lá do outro lado do mundo, tem seu lular que fala que nem telefone.

– Não é disto que tô falando. Quando era jovem que nem ocê, eu sentava na beira desse rio com minha varinha e pescava um mundão de peixe.

– Cê tá no passado. Quando eu vou pra Santos, visitar meus parenti, a gente sai pra pescar de lancha que tem até um tal de com puta dor que acha os cardumes em baixo d’água.

– Com vara que era bão. Eu sentava na beira desse rio e me enchia de peixes. No dia seguinte eu vendia tudo.

Nunca peguei menos de três caminhões cheinhos de sardinha.

– Sardinha?

– É, e tu não sabes, um dia, atrás das sardinhas, veio um tubarão. comeu a minhoca, o anzor, a linha, a varinha e quase comeu meu braço.

Fiquei com tanta raiva que pulei em cima dele e dei-lhe aquela coça, nunca mais o mardito voltou.

– Eu num sabia que aqui em Uberaba dava tubarão.

– Naquele tempo tinha, eu não tô falando, tempo bão era aquele.

– Quar  nada, hoje é que é bão. Mas em falar em sardinha, da última vez que fui a Santos, nós saímos para pescar de barco.

Pescamos até acabar a isca e nada de peixe.

No caminho de volta achamos uma ilha, lá tinha tanta sardinha no mar que pescamos até encher o barco.

E naquela ilha era tudo grande. A sardinha menor que pegamos tinha quatro metros.

– Quatro metros?

– É uai, as pequenas eram filhotes ainda.

– Mas com que iscas vocês pescaram?

– A gente teve de inventar. Junto das pedras que cercavam a ilha, tava cheio daquelas baratas que ficam ali nas pedras rente ao mar.

– Sim, e então?

– Pra pegar as sardinha de 4 metros, tivemos que usar as baratas de 1 quilo.”

Li o causo, lembrei-me de vocês. Se, no final do seu mandato, vocês não tiverem feito nada pelo Parque da Luz, estaremos aqui para lhes perguntar porque. Aí, vocês terão a história da sardinha para se inspirar.

Um grande abraço do elóy

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