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A Caixa
21 de Outubro de 2011

A Caixa

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1.     45 anos. Virgem.

“Tenho um pacto com minha namorada. Só interromperemos nossa virgindade, depois que nos casarmos.”

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Levava muito a sério a promessa. Que ambos renovavam a cada e-mail, a cada MSN, a cada telefonema.

Há alguns anos deixara sua Minas Gerais, entrou ilegalmente nos Estados Unidos, especializou-se em marcenaria e tratou de ganhar e economizar o máximo de dinheiro.

“Quando voltar comprarei uma fazenda, construirei um bela casa, montarei uma marcenaria e  viverei para sempre feliz com minha adorada esposa.”

Então chegou a hora de voltar.

“Não disse nada pra ela. Quero lhe fazer uma baita surpresa.”

Comprou um belo par de alianças e embarcou.

Chegou e ficou em Minas, quase incógnito, e fez uma caixa de madeira. No dia do aniversário da amada entrou na caixa, mandou que um amigo a fechasse, embrulhasse em um belo papel para presente, escrevesse o nome dela e entregasse onde ela morava.

Dito e feito.

A caixa chegou, ele a ouviu falando, surpresa, pra alguém:

 “Olha que belo presente de aniversário. Foi você¿”

A espinha gelou, quando ouviu a voz masculina seguida de uma gargalhada:

Eu não!”

“Deve ser o irmão dela”, pensou.

Rapidinho ela rompeu o papel que embalava a caixa e tirou a tampa.

Aí, ele apareceu: as alianças em uma mão, um enorme buquê de flores na outra.

Então, viu: sua amada e um homem – o dono da voz – estavam nus. Bem na frente dele.

2.     Nós estávamos conseguindo fazer a agência crescer. Tínhamos entrado em uma concorrência com duas agências médias paulistas e vencemos. Conquistamos uma conta nacional.

Em seguida, a agência comprou uma minúscula agência paulistana. Que tinha um pedacinho de uma multinacional e uma nacional que tinha tudo para  se tornar, como se tornou depois, uma baita conta.

Acertamos as coisas cujo relacionamento não estava caminhando bem com a conta multinacional e passamos a trabalhar firme para fazer da outra a grande conta nacional em que acabou se transformando.

Pra isso, traçamos um plano que tinha como objetivos: preparar o nosso pessoal para novo salto, através de um programa de capacitação; garimpar e treinar novos talentos.

Aí, um dos sócios da agência, que estava afastado, reassumiu. No exato momento em que o plano começava a ser executado.

3.     Primeira decisão:

“Cancele isso. A agência não está aí para jogar dinheiro fora.”

Segunda decisão:

“Esse método de conquistar a conta apenas apresentando bons trabalhos não funciona. Vamos falar com o papa.”

O “papa”, ele descobriu, era o vice-presidente.

“Ele é o cara. O presidente será demitido.”

Falou com o futuro novo papa, marcou dia e horário para apresentação do nosso trabalho.

Um belo trabalho, aliás, que nos consumiu  muitas horas de sono.

4.     Dia e hora marcados, estávamos lá. A diretoria da agência e a criação.

Nosso vice-presidente nos apresentou, passou a bola pra mim.

Eu me levantei e quando ia começar, a porta da sala se abriu: era o presidente, aquele que segundo nossas informações, seria demitido.

Ele nem entrou.

“O que está acontecendo aqui¿  

“A nossa agência está apresentando…”

“Nós não temos agência”, interrompeu abruptamente. “A reunião está encerrada. E por favor, passe agora na minha sala.

O vice-presidente olhou pra nós sem jeito, desculpou-se, encerrou a reunião e nos deixou com aquela cara de tacho, recolhendo o material que levamos.

Eu me senti como o virgem da história quando ele saiu da caixa.

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