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Bodas de ouro 6. Produtora ou agência de propaganda?
18 de Julho de 2011

Bodas de ouro 6. Produtora ou agência de propaganda?

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Com a decisão de fazer o estúdio próprio surge a questão de criar-se uma empresa para tocar o negócio. Tanto Rozendo como eu nada sabíamos sobre o que fazer. Enquanto sondávamos as possibilidades também as dúvidas foram se acumulando. O estúdio era, na verdade, apenas uma pequena parte do que nós já fazíamos, pois o diferencial da nossa proposta era tratar a comunicação como uma ação integrada, definindo-se o objetivo pretendido, o público preferencial a ser atingido, a visão do anunciante, os resultados pretendidos  e o quanto estava disposto a investir. Então, deveríamos pensar numa agência de propaganda. E foi o que fizemos.

A sorte estava lançada. Nós queríamos entrar no negócio da propaganda e sabíamos ser preciso fazer as coisas direito para que o empreendimento deslanchasse e se firmasse como empresa prestadora de um serviço pioneiro na cidade e no estado.

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Nossas referências eram a Wali Publicidade do também radialista Walter Linhares criada em 1957 em Florianópolis e a Walro do desenhista técnico Waldir Ribeiro que desenhava peças para a indústria metal-mecânica e decorava vitrines para lojas do comércio varejista em Jaraguá do Sul e Joinville .

Embora na época os conceitos fossem desconhecidos entre os anunciantes de Santa Catarina, nós percebíamos que ambas as empresas estavam mais para produtoras do que para agências de propaganda. A Wali, por exemplo, atuava como agência – criando, produzindo e contratando a veiculação de anúncios para seus clientes – e ao mesmo tempo atuava como veículo exibindo slides nos minutos que antecediam as sessões de cinema e produzia e alugava painéis para exibição publicidade anates de existir o outdoor.

Já o Waldir criava e produzia mostruários e material de ponto de venda para seus clientes e posteriormente e também editava uma revista-mostruário com atualização mensal.

Como na história do biquíni – que chegou sem perguntar se haveria quem o usasse – nós nos decidimos pela criação da agência num primeiro momento e de um estúdio logo a seguir. Por decisão do Rozendo a agência deveria levar meu nome, pois ele estava mais identificado com os programas de maior sucesso na Rádio Diário da Manhã e os nossos clientes potenciais eram anunciantes de rádio.

A esta altura é preciso dizer que nossos recursos financeiros se restringiam aos nossos salários, que por sinal, eram muito modestos. Na real, para aplicar no negócio nós contávamos exclusivamente com as comissões que também eram bastante modestas. Tínhamos, porém, bom nome na praça e um trabalho profissional reconhecido.

Assim iniciamos o ano de 1962 com a forte decisão de transformar nossos sonhos em realidade. Continuávamos a todo o vapor na rádio e ainda frequentávamos as páginas do jornal A Gazeta onde Rozendo escrevia sobre esportes amadores e eu brincava de colunista. Escrevia, aos domingo, uma página com notícias e comentários sobre os concursos de músicas para o carnaval – que eram comuns nessa época – e procurava abrir espaço para as escolas de samba, vindo daí, no ano seguinte a criação do troféu Cidadã Samba que atualmente faz parte do calendário oficial do Carnaval de Florianópolis.

Durante um ano trabalhamos dobrado mantendo a peteca no ar em nossos empregos, colaborando com o jornal onde escrevíamos e viabilizando as empresas: a A. S. Propague instalada numa das salas do quinto andar do edifício sede do então BDE – Banco  de Desenvolvimento do Estado de Santa Catarina e a Padrão Produções Sonoras – um estúdio de produção de áudio – na segunda quadra da rua Tenente Silveira.

Até mais. Na próxima semana, aqui neste nosso Ponto de Encontro.

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