Tenho recebido contribuições valiosas para aprimoramento das informações que trago à consideração do leitor da coluna e agradeço com o melhor do meu reconhecimento. Minha esperança e votos é de que mais voluntários se sintam estimulados a contar também suas experiências de maneira que o leitor diante de mais fontes – possa fazer suas próprias conclusões – e nos legar com o resultado de suas pesquisas e opiniões.
Revendo as anotações que precederam a reportagem de Gisele Centenaro e Rafael Sampaio, encontrei o rascunho das respostas dadas por Roberto Costa ao questionário formulado pelos editores e que partilhar alguns tópicos com você.
Há algum dirigente ou profissional da agência que continua na ativa desde a data de sua fundação?
“Até 2008 tínhamos o George ‘Picolé’ Peixoto, um diretor de arte que marcou época na propaganda catarinense. Ele começou na Propague na década de 1960 como arte-finalista e chegou a diretor de criação e sócio da agência”.
Peixoto – artista plástico por natureza – foi levado para a propaganda por Emílio Cerri, no final de 1963. Ambos trabalhavam na Rádio Santa Catarina AM 890. Ele, gerente da emissora e o Emílio um dos locutores. Miloca foi o primeiro funcionário da Propague – iniciou como redator e logo depois assumiu a chefia de criação.
Emílio conhecendo as qualidades de desenhista do colega convenceu-o a fazer as ilustrações para uma campanha institucional criada para o cliente Charles Edgard Moritz, o Lico Moritz, proprietário da Padaria e Confeitaria A Soberana com lojas na ilha e no Canto do Estreito, na parte continental da cidade. Foi o primeiro “frila”do Picolé.
Daí em diante, George Alberto Peixoto, o Picolé, mesmo continuando na rádio por mais alguns anos, interessou-se pela profissão a ponto de, em 1967 fundar com Emílio e mais um colega sua própria agência. O empreendimento teve vida curta e os sócios seguiram caminhos individuais: Peixoto foi contratado como diretor de arte da Public, agência de Ney Ferreira; Emílio foi para o Rio e depois Brasília e o outro sócio voltou para sua atividade que era lidar com finanças.
Peixoto ao se aposentar na Propague, depois de quarenta anos de vida publicitária reassumiu seu talento de artista plástico criando mandalas maravilhosas que têm sido mostradas em exposições sucessivas.
Mas, como quem “foi rei é sempre majestade”, Peixoto continua criando capas de livros para os amigos que se arrojam a enfrentar o encipoado matagal das artes literárias e também fazendo os seus “frilas”que garantem a reserva monetária para o exercício do ócio merecido de um jovem mestre das artes plásticas e publicitárias e que atualmente ainda encontra tempo e disposição para gerir os destinos do Instituto Caros Ouvintes juntamente com o também artista e renomado ator Édio Nunes de Souza.
Até a próxima, aqui neste nosso Ponto de Encontro.
