Criar boatos faz parte do ser humano, mas com a internet, principalmente com as redes sociais, esses boatos têm se propagado com uma velocidade e proporção imensuravelmente maior. Nos dias atuais os boatos não percorrem somente num grupo de amigos, na rua em que mora ou no bairro, mas o país e o mundo.
Este ano uma mulher foi agredida até a morte porque um boato maldoso acusando ela de sequestrar crianças, se propagou de forma errada no Facebook – era outra mulher, num fato ocorrido em 2012, e pessoas do bairro em que morava, na cidade de Guarujá-SP, a confundiram com retrato falado da suposta criminosa. Pensando nesses e outros inúmeros casos, o jornalista Edgard Matsuki criou o site Boatos.org, dedicado a denunciar e combater esses casos.
Em entrevista ao jornal carioca Extra, o jornalista afirma que a prevenção “torna a internet um lugar melhor”, e deu algumas dicas para ajudar na hora de identificar se a informação é ou não verdadeira:
Tom alarmista
Os boatos infundados têm sempre tom alarmista, repleto de termos como “cuidado”, “alerta”, “atenção”… Em muitos casos, as palavras-chave vêm em caixa alta (maiúsculas), logo no início da mensagem.
Sem referência a tempo
Outra característica comum é a falta de referência temporal clara. Usa-se “esta semana”, “amanhã”, “na sexta-feira” e afins, mas nunca dia, mês e ano específicos. “Compartilhar a mentira não faz bem para seus amigos, e se precaver torna a internet um lugar melhor”, alerta Edgard Matsuki.
Mas e os envolvidos?
A imprecisão repete-se nos quesitos local do fato e envolvidos. Na maior parte das vezes, surgem apenas dados genéricos, sem especificar, por exemplo, um nome de rua ou de pessoas ligadas à situação em questão.
Português errado
Também é frequente que os textos contenham erros de português. Reparou em concordâncias mal feitas ou grafias incorretas? Desconfie.
Falta de fontes
Por fim, a característica mais marcante: a falta de fontes confiáveis, ou de links que sustentem uma fonte citada equivocadamente. “Checagem é algo básico, e uma busca rápida já ajuda a matar a charada”
Na mesma matéria, o jornal ainda entrevistou o advogado David Rechulski, especialista em crimes cometidos via internet, que deixou explícito o recado de que a pessoa que espalha uma informação falsa está cometendo um crime: “Propalar mentiras traz responsabilidades, inclusive no âmbito civil. Pode-se, dependendo do caso, responder por injúria , difamação ou calúnia”.
O delegado Alessandro Thiers completa: “tanto quem iniciou quanto quem compartilhou pode ser punido. Quem se sentir lesado deve procurar a delegacia mais próxima.”
Portanto, já sabem: respeito às pessoas é bom e todo mundo gosta; não contem mentiras sobre as outras pessoas por aí. Além de poder prejudicar mesmo quem não tem nada a ver com a história, estarão se tornando criminosos.
Com informações do jornal Extra


