O processo de mudança que se instaurou a partir do pós-guerra, meados do século XX, em decorrência do desmoronamento de um modelo geopolítico, é sobretudo, uma crítica da modernidade. Ao mesmo tempo em que se estabelece um sistema econômico-cultural globalizante, as ideologias políticas perdem força e a humanidade ingressa na pós-modernidade, caracterizada como era da informação. É esta nova era que se faz presente nas chamadas gerações Y e Z, os nascidos entre os anos 1980 e 2000, respectivamente.
A pós-modernidade é objeto de estudo teórico no campo da filosofia, da antropologia e da sociologia, principalmente, de um modo acentuado, desde os anos 1970. Daí surgiram as expressões cunhadas para designá-la: modernidade líquida, modernidade reflexiva, sociedade do risco, era tecnológica, era da complexidade, entre outras, que acentuam a diferença paradigmática para com o ”moderno” de matriz cartesiana e industrial.
Tais análises chamam a atenção, entre outros, para os aspectos que aqui identifico como: abertura dialógica, maleabilidade, e multiplicidade do possível.
A primeira pode ser explicitada como o fim do modelo dicotômico, dos maniqueísmos típicos da modernidade (Sujeito x Objeto; Corpo x Alma; Bem x Mal; etc). A abertura dialógica é o primeiro elemento que está no substrato das mudanças perceptíveis nas gerações Y e Z. Essa nova forma de encarar o mundo afasta os radicalismos e a intolerância, e amplia o leque de possibilidades de atitudes integradoras e colaborativas.
A maleabilidade consiste na capacidade de traçar novos caminhos, por meio de combinações e arranjos complexos, que permitem avançar superando os limites do pensamento linear e das composições tradicionais. Tal elemento fica evidente na exuberância criativa que se manifesta no campo tecnológico e social, que contam com a participação dos jovens de hoje. Iniciativas de ajuda humanitária, mutirões ecológicos, mobilização política por meio das redes sociais, são exemplos claros de que não há limitação para a vontade criativa orientada dessa nova geração.
O mundo possível para a humanidade, visto pelos olhos das gerações Y e Z, não sofre as limitações identitárias e ideológicas da modernidade, o que, agregado aos avanços da tecnologia e outros de ordem política e sociológicos, repercute multiplicando exponencialmente as suas possibilidades de encarar desafios, como os que a humanidade hoje enfrenta. Fruto da liberdade e da democracia, o futuro desponta com perspectivas mais solidária pelas mãos e mentes desses jovens.
Com as barreiras físicas e de linguagem superadas, os jovens que integram o novo staff profissional das empresas e dos centros de pesquisas acadêmicos, que dominam o cenário artístico compondo e difundindo sua estética no infinito digital, que se mobilizam no Brasil pela paz no Oriente Médio, são cidadãos do mundo e sabem que têm poder.
É fato que nada garante que todos os resultados serão sempre positivos e que as combinações serão sempre benéficas para todos, até porque essas premissas com teor absoluto só fazem sentido para os modernos. O importante, todavia, é perceber que há uma metamorfose em curso, e os filhos gestados no casulo do pós-guerra insistem em virar borboletas.
