Apesar da agitação política que o país vive e, especialmente, devido ao ano eleitoral em que a cautela tende a ser uma das palavras de ordem na economia, o Brasil registra um bom momento no que tange à geração de empregos. Dados do Ministério do Trabalho indicam que, apenas no mês de fevereiro, a economia brasileira gerou 255,3 mil postos de trabalho formais.
Nesse cenário de bons resultados, o setor de eventos novamente se consolida como um importante impulsionador de novas oportunidades. Dados publicados recentemente apontam que durante o primeiro trimestre de 2026 foram criados 3,1 mil novos empregos no o core business do setor. Levando em consideração o total de postos de trabalho criados no hub setorial, o total supera 50 mil.
Acompanhando o bom momento ligado à geração de emprego, o movimento financeiro do setor cresceu também de maneira efetiva nos últimos anos. Conforme o relatório “Radar Econômico do Setor de Eventos Brasil” publicado pela ABRAPE – Associação Brasileira dos Produtores de Eventos, a estimativa de consumo no setor de recreação com foco no primeiro bimestre de cada ano, saltou de pouco mais de R$ 19 milhões no ano de 2019 para um montante superior a R$ 25 milhões em 2026.
Muito além do entretenimento
O primeiro aspecto que é importante ser analisado nesse momento de otimismo é que o crescimento expressivo do setor nos últimos anos se deve, em grande parte, à constatação dos principais players do mercado que os eventos se tornaram ações que vão muito além do entretenimento.
Unindo diferentes nichos mercadológicos como turismo, gastronomia, hotelaria e os mais diversos setores econômicos, os eventos se consolidaram como ferramentas estratégicas para a divulgação de marcas, produtos, lançamentos e, até mesmo, valores e visões das organizações.
Outro ponto importante ainda sob essa perspectiva está na compreensão dos eventos como alternativas absolutamente interessantes para a consolidação das conexões. Clientes e marcas, profissionais e gestores, empreendedores de diversos nichos, além, é claro, do público em si e suas infinitas possiblidades de relacionamento, são alguns exemplos das conexões disponíveis em um evento que agregam valor real para a jornada corporativa e pessoal dos participantes.
Em busca de propósito
Outro aspecto que contribui para compreender esse bom momento se refere à uma decisiva quebra de paradigma ocorrida nos últimos anos dentro do universo corporativo. Se, durante muito tempo, o salário era o principal motivo para batalhar por uma vaga no mercado de trabalho, atualmente, a busca por propósito vem se destacando cada vez mais.
“De acordo com estudo realizado pela TOTVS, em parceria com a H2R Insights & Trends, o fator mais importante para quem busca um novo emprego é o propósito da empresa estar alinhado aos seus valores pessoais”, ressalta uma matéria publicada no Portal Contábeis.
Dentro do mercado de eventos essa realidade se potencializa ainda mais. Praticamente todas ações da atualidade levam em consideração aspectos para reduzir os impactos ambientais e promover um desenvolvimento mais igualitário e democrático entre as comunidades, atraindo dessa forma o interesse dos profissionais.
Core business e Hub setorial
A análise de diversos indicadores econômicos comprova que o aumento de oportunidades de trabalho no segmento vem se repetindo de forma significativa nos últimos.
Vale lembrar que o setor de eventos possui um importante diferencial no comparativo com outros nichos de mercado: uma imensa capacidade de gerar empregos diretos e indiretos. Uma ação de médio ou grande porte, por exemplo, tende a movimentar um número expressivo de profissionais como produtores, cerimonialistas, recepcionistas, técnicos de som, agentes de marketing, seguranças, fotógrafos, decoradores, montadores e empreendedores dos mais diversos ramos de atividade.
Nesse sentido, torna-se ainda mais significativo registrar o crescimento expressivo do saldo do emprego formal do core business. Novamente de acordo com dados publicados pela ABRAPE no “Radar Econômico do Setor de Eventos Brasil”, atividades artísticas, criativas e de espetáculo contavam com o estoque de empregos em 2019 de 14.795 e, em 2026, o número passou para 23.371, refletindo um crescimento de 58,0%.
Ainda mais representativa é a análise dos números ligados diretamente às atividades de organização de eventos. O estoque de empregos que em 2019 era de pouco mais de 47 mil, passou para um número superior a 70 mil neste ano, totalizando mais de 149% de crescimento relativo.
Os dados de empregos formais ligados ao hub setorial também demonstram o bom momento do setor. No que tange a infraestrutura para promoção de ventos, atividades relacionadas com a montagem de palcos, estandes, coberturas e espaços de lazer, o salto no estoque de empregos foi de 9.366 em 2019 para 17.257 em 2026, totalizando uma diferença de mais de 84%.
O estudo divulgado pela ABRAPE ainda conclui que todos os segmentos do setor de eventos estão com níveis superiores ao período pré-pandêmico, sendo que no hub setorial o aumento global registrado foi superior a 23% no comparativo 2019/2026.
A tecnologia como aliada
Se a tecnologia se consolidou, nas últimas décadas como uma importe aliada para o desenvolvimento dos mais diversos nichos de mercado, no setor de eventos essa realidade de repete.
Não é exagero afirmar que o desenvolvimento tecnológico pode ser considerado um grande impulsionador desses resultados. A elaboração de eventos híbridos, o uso ostensivo da Inteligência Artificial, os investimentos no marketing digital e a criação de experiências de caráter imersivo tem motivado o público a estar presentes nos eventos gerando retorno positivo para toda a cadeia do setor e ampliando a oferta de trabalho.
Atendendo à demanda do público e ao desejo de muitos profissionais em trabalhar no segmento, e setor de eventos celebra o bom momento e se consolida como um importante vetor da economia brasileira na atualidade.
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