Uma discussão bastante acalorada, que já dividiu opiniões entre os pensadores e grandes empresários da área de tech, como Stephen Hawking, Steve Jobs, Elon Musk, Bill Gates e outros e segue na pauta atual, é se a evolução da Inteligência Artificial (IA) joga a favor ou contra o ser humano.
Em uma visão de curto prazo, os grandes benefícios à humanidade já estão sendo experimentados. Coisas aparentemente simples, desde a locomoção sendo ajudada pelo Waze, até um aluguel sendo facilitado pelo AirBNB, um transporte feito pelo Uber e uma boa sugestão de compra de uma Amazon já estão incorporadas à nossa sociedade.
Porém, as tecnologias vêm evoluindo, como sempre, em curva naturalmente exponencial – e nós seres humanos, temos uma grande dificuldade de pensar exponencialmente. Essa limitação é muito bem ilustrada na fábula da criação do xadrez, que conta como um simples pedido que o inventor jogo fez ao Imperador – um grão de de arroz para a primeira casa, dois para a segunda, quatro para a terceira, oito para a quarta, e ai por diante – acabou se tornando uma grande surpresa até para o dono de enormes fortunas.
O que me remeteu à fábula foi o Natural Language Processing (NLP), um módulo da inteligência artificial que trabalha com dados não estruturados e ao qual tenho dedicado bastante atenção e estudos nos últimos tempos. Esse módulo permite a leitura, análise e entendimento dos textos, podendo também sugerir as ações a serem tomadas e até gerar novos conteúdos.
Se aplica, por exemplo, às questões relacionadas com a judicialização de processos contra a saúde suplementar (planos de saúde). Eles possuem um índice de judicialização gigantesco, são centenas de milhares de processos e, via de regra, muito parecidos, com raras exceções. Na imensa maioria são “Ctrl C + Ctrl V” de processos e jurisprudências anteriores.
Ao “treinar” uma ferramenta de IA-NLP, você vai passar a ela os conhecimentos de advogados, juízes, promotores, desembargadores e todos que labutam com esses processos, para que o sistema possa fazer a análise – desde a petição inicial – quais as chances de ganhar ou perder um determinado processo, quanto tempo ele deve demorar e outras variáveis importantes. Mas, mais que isso, a ferramenta bem treinada auxilia os planos de saúde a evitar essas exposições ao judiciário e à Agência Nacional de Saúde Suplementar, evitando perdas e multas gigantescas. Ao receber uma demanda de um cliente (administrativa ou judicial), imediatamente o IA-NLP pode ser acionado e predizer as chances de ganhos e perdas com altíssima precisão. Na Univali, onde estamos efetuando testes, o nível de acertos já está em 85%, mas continuamos treinando a plataforma, com uma super equipe de curadores, liderados pelo professor Alexandre Morais da Rosa. Em pouco tempo, esse número deve chegar próximo aos 100% de acerto.
Voltando agora à pergunta inicial do título deste artigo, se a inteligência artificial será aliada ou concorrente do ser humano, deixo a resposta para os super empresários e os grandes cientistas, alguns já nem estão mais entre nós, mas em um ponto todos concordaram: se não for muito bem usada e controlada, poderá sim nos destruir. Quem sou eu para discordar desse time?
Aqui temos um pouco da discussão entre os “gênios”
E para quem se interessou, aqui tem uma versão da fábula do Xadrez:
Obrigado pela leitura e até a próxima!
