Acabou a Copa do Mundo de 2026; Espanha, merecidamente, sagrou-se campeã pela segunda vez deste torneio que mobiliza o mundo em torno de seu esporte mais popular.
A Argentina conquistou o título de vice-campeã e mostrou, mais uma vez, seu caráter intolerante frente as dificuldades impostas pela sua rival, não aceitando a superioridade demonstrada pela Espanha, desde o primeiro minuto de jogo.
O Brasil, de há muito afastado de suas raízes, cumpriu mais uma vez o papelão da eliminação precoce e mostrou ao mundo, um time de jogadores realizados financeiramente e sem nenhum vínculo com o país que lhes forneceu o passaporte para correrem o mundo e ser tornarem profissionais da bola em clubes de expressão mundial. Os leões em seus clubes transformam-se em gatinhos na seleção!
Mas, este é o menor dos problemas. A gincana financeira patrocinada pela Federação que ordena o futebol mundial mudou regras e instituiu normas com um único objetivo, ganhar dinheiro, muito dinheiro! O que as pessoas mais atentas já haviam percebido há tempos, agora ficou nítido e, somente os mais renitentes se negarão a aceitar. O objetivo do ganho financeiro transformou o futebol em refém de empresas de jogos lotéricos, das empresas produtoras de material esportivo e da ganância de homens e mulheres que organizam eventos esportivos. Com todas suas consequências!
Pesquisas recentes realizadas em vários países, principalmente na Inglaterra, mostram que aumenta o desinteresse dos jovens (entre 16 e 24 anos) pelo esporte bretãol. As razões são muitas: preço dos ingressos somado ao deslocamento e consumo dentro dos estádios, jogos enfadonhos que não entregam o que prometem, concorrência dos jogos virtuais, as apostas feitas em tempo real e que fazem o torcedor fixar sua atenção no próximo escanteio do que no clube para que torce, entre outras de menor importância.
No Brasil somam-se às razões anteriormente citadas, o fim dos campos de “pelada”, origem dos grandes jogadores que este país já produziu, o surgimento das escolinhas de futebol, que além de engessar e direcionar jovens para determinadas posições, exclui talentos que não podem pagar suas mensalidades. A doutrinação, desde cedo, feita por pais e empresários, de que o futuro está no exterior e que quem é bom vai logo para fora e as dezenas de jogadores não nacionais que excluem as jovens promessas de se desenvolverem. Os reflexos desde mercenarismo com os jovens se fazem sentir quando se reúnem para jogar pela seleção.
Nossa seleção, há muito, não tem alma! Os jogadores não se entregam plenamente, seus sucessos em clubes não se repetem na seleção e a declaração do Raphinha, quando reclamou da convocação no período de férias, é sintomática de que a seleção não é mais o sonho do jogador brasileiro.
A falta de indignação dos jogadores e do público brasileiro é sintoma claro de problemas sociais sérios e que afetam o país. Tudo que foi escrito anteriormente é efeito; a causa é a perda de cultura do povo brasileiro que, como dizia Lima Barreto, o Brasil não tem povo, tem público (frase publicada em texto na revista Caretas em 03.06.1922)! O pouco que tínhamos de orgulho sumiu no meio da politicagem e da roubalheira que assola o país que, para manter um grupo no poder, é obrigado a comprar mais da metade da população com bolsas e auxílios que torna, esta metade, passiva e subserviente.
O futebol é somente efeito!!!!
Imagem gerada por IA.
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