O futuro governo aguardou um momento bem interessante para anunciar o nome novo Ministro da Economia (ou Fazenda, ainda dependendo do número de ministérios que teremos). Um nome amplamente rejeitado pelo mercado financeiro. No dia de Brasil x Croácia, pela Copa do Mundo, quando todos os holofotes estariam voltados para Tite e seus comandados. Agora vamos de Haddad. O que podemos esperar?
Fernando Haddad tem nenhuma experiência na área. Circulam vídeos na internet em que ele próprio admite desconhecer o assunto Economia. Um texto bombástico de sua autoria sobre uma moeda única latino-americana, de difícil implementação e com possíveis resultados bastante questionáveis, foi a sua última aparição no meio. Seus comentários heterodoxos sobre economia demonstram a sua desconexão com o que pode ser feito e o que jamais deveria ser feito.
Aparentemente, o PT não aprendeu nada com a crise econômica que nos impuseram no segundo mandato de Dilma Roussef. A PEC do Estouro é a prova disso. Antes mesmo de alguém se sentar, analisar os números e buscar alternativas, o futuro governo já pediu 200 bilhões por 4 anos. Acabou levando por 2 anos. Sendo que todos nós sabemos que basta botar em votação ao final desse prazo para conseguir os 2 anos que ficaram faltando. É bem verdade que o Orçamento de 2023 virou uma peça de ficção, com todas as promessas de campanha que ambos os candidatos fizeram. Mas o tamanho do problema é bem menor (cerca de 70 bi). Fica a dúvida de como serão gastos os 130 bilhões adicionais. Além disso, o mercado, no geral, sempre acreditou que Paulo Guedes acharia uma maneira de esse valor não impactar tanto a economia. Seja via a Reforma Administrativa ou qualquer outra medida de contenção de gastos.
Agora teremos difíceis escolhas logo ali na frente. Existem, duas, e somente duas, maneiras de financiar esse aumento de gastos.
- 1 – Aumento de carga tributária: a sociedade brasileira não suporta mais aumentos de impostos. Cada cidadão brasileiro trabalha 150 dias por ano para pagar impostos. Ou seja, aproximadamente 40% de tudo que o brasileiro produz fica para o Estado. Um Estado gigante, extremamente mal administrado, que devolve muito pouco para a sociedade. E onde castas de superprivilegiados seguem usufruindo de boa parte desse orçamento. Por muito menos, Tiradentes e seus correligionários se rebelaram contra Portugal. Enfrentando o risco de morte e prisão perpétua, por conta do Quinto (20% de carga tributária). Tiradentes era feliz e não sabia.
- 2 – Impressão de dinheiro: nos últimos dias, circularam vários artigos de economistas do campo heterodoxo, sugerindo que a impressão de dinheiro é justificável como meio de gerar riqueza. A famosa MMT (Teoria Monetária Moderna, da sigla em inglês). Inclusive, dão exemplos de como foram usados na Grande Depressão nos EUA, ou na crise do subprime em 2008. Ou mesmo durante a covid. No caso da pandemia, o próprio Brasil distribuiu dinheiro para diminuir impacto da crise sobre os mais pobres. Todas as situações citadas são de crise extrema, que nem de longe representam o momento que vivemos agora. Imprimir dinheiro a juros de 14% ao ano é um erro gigantesco.
Apesar da narrativa de terra arrasada que o novo governo tenta emplacar, os fatos são muito contundentes. Como o país pode estar em crise se tivemos superávit primário em 2022? Que crise é essa com PIB crescendo 3% no ano? Se tem crise, como temos a menor taxa de desemprego desde 2014?
O novo governo deveria estar focado em dar sinais de austeridade para os mercados e para o mundo. Os juros poderiam cair, dólar também, empresas se sentiriam mais confiantes com o futuro e investiriam. Tomou outro caminho. Teremos rentismo e baixo crescimento em decorrência disso. O nosso futuro não parece tão brilhante. Me resta somente torcer para eu estar redondamente enganado.
O mundo é dinâmico. Temos fatos novos todas as semanas. Deixo o convite para vocês assistirem ao meu programa semanal no YouTube da Activ Trades. O programa se chama “Markets Warm Up”, onde faço literalmente um aquecimento para a semana, todas as segundas, ao vivo, às 09 da manhã. Deixem comentários, perguntas, sugestões. Vamos fazer juntos um espaço em que possamos discutir idéias e alternativas para o Brasil, além de comentar operações que possam ser lucrativas.
