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Crise no mercado de Criptomoedas
25 de Maio de 2022

Crise no mercado de Criptomoedas

Seria o fim daquilo que nem começou direito?

Por Eduardo Boechat 25 de Maio de 2022 | Atualizado 26 de Maio de 2022

Fala, galera!!! Como vão vocês? Nesse texto de hoje, gostaria de falar um pouco sobre criptomoedas, diante das últimas flutuações de preços bastante agressivas que vivemos nos últimos meses.

Hoje em dia, qualquer assunto suscita emoções e paixões. Até mesmo um assunto que deveria ser simplesmente técnico, como investimentos, às vezes provoca reações mais agudas de parte das pessoas. E criptomoedas é um assunto que vem gerando esse tipo de reação nas pessoas nos últimos anos. Como eu não fui um investidor na alta e, muito menos, nessa baixa recente, me sinto à vontade para dar um pitaco nesse assunto. Para isso, gostaria de traçar um paralelo entre a crise das “ponto com” e as criptomoedas.

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No fim da década de 90 e início dos anos 2000, nós vivenciamos o estouro da bolha das empresas “ponto com”. À época, qualquer projeto que envolvesse internet tinha financiamento quase que garantido. Uma corrida maluca dos participantes do mercado para estar presente, como se não houvesse amanhã, se aproveitando de juros baixos no mercado. Mais adiante, entre 2000 e 2002, com uma conjuntura de aumento de juros e de um processo meio darwiniano de seleção dos melhores negócios, o Nasdaq perdeu 75% de seu valor de mercado. Mais de 500 empresas listadas em bolsa americana quebraram. Uma destruição de valor da ordem de 5 trilhões de dólares.

Desde então, tivemos uma grande consolidação no setor. Grandes empresas emergiram, que revolucionaram a maneira que vemos e vivemos o mundo de hoje. Apple, Facebook, Google, Amazon,.. Como seria a nossa vida hoje sem alguma delas? Empresas, inclusive, que se mostraram resilientes o suficiente para enfrentar crises financeiras como o subprime, em 2008, ou a pandemia, nos últimos anos.

A impressão que tenho sobre as criptos é que já estamos vivendo um momento de correção de expectativas. Assim como ocorreu com as empresas de tecnologia da Nasdaq, o mercado de criptomoedas também sofre hoje um processo de seleção natural de ativos. Conjuntura parecida, de aumento de juros. Com o grande agravante do excessivo aumento de liquidez que os bancos centrais proporcionaram durante a pandemia.

Não existe nenhuma dúvida que a tecnologia blockchain de registro de operações e armazenamento desses dados veio para ficar. É uma inovação que pode, e deverá, ser aplicada em diversas áreas. Simplifica e desburocratiza negócios. A questão passa a ser outra: qual a qualidade dos ativos transacionados pelo sistema? O Bitcoin, principal ícone das criptomoedas, tem vários críticos (me incluo na lista desses críticos). Promete segurança, como se fosse o ouro, porém, na crise agora perdeu mais de metade de seu valor de mercado. Promete ser uma moeda, mas mesmo depois de 10 anos de sua criação, é aceito em pouquíssimos lugares. Criaram-se as “stablecoins” que de estáveis só têm o nome. Com engenharias financeiras complicadíssimas, até mesmo para pessoas do mercado financeiro, que, na minha opinião, somente tentam esconder a total falta de valor que essas moedas têm. Tivemos o exemplo mais crônico na última semana no qual uma dessas moedas saiu de 100 dólares para praticamente zero em 2 dias.

Acredito que ao longo do tempo veremos um processo de lastreamento das operações envolvendo criptomoedas, tokens e afins. Os investidores, assim como ocorreu no mercado de ações de tecnologia, passarão a exigir algum tipo de lógica ou contrapartida para alocar seu capital nesse tipo de ativos. Claro que excessos ainda serão cometidos, assim como vemos sempre nos mercados de ações. Mas a tendência será de uma maior normalização e busca de valor intrínseco em cada ativo.

O mundo é dinâmico. Temos fatos novos todas as semanas. Deixo o convite para vocês assistirem ao meu programa semanal no YouTube da Activ Trades. O programa se chama “Markets Warm Up”, onde faço literalmente um aquecimento para a semana, todas as segundas, ao vivo, às 08 da manhã. Temos, inclusive, espaço aberto a perguntas. Deixem comentários, perguntas, sugestões. Vamos fazer juntos um espaço em que possamos discutir ideias e alternativas para o Brasil, além de comentar operações que possam ser lucrativas.

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