Comunicação é um dos fenômenos mais relevantes na existência dos seres vivos. Nos humanos, ela é a base dos processos de compartilhamento da vida interior que nos levaram a ser o que somos hoje: animais sociais, que criam cultura, desenvolvem tecnologias e especulam sobre os limites do universo.
Não é exagero dizer que a capacidade de se expressar e de compreender a expressão do outro tem sido fundamental para a nossa sobrevivência como espécie. Comunicar-se foi (e é) pré-requisito para o desenvolvimento da agricultura, comércio, indústria, arte e conhecimento científico. Em contraponto, a dificuldade de comunicação pode levar à incompreensão do outro e a conflitos nefastos, como ensina a História.
A palavra vem do latim communis, comum, que remete à ideia de comunhão e comunidade. Quando os primeiros humanos aprenderam a associar sons e gestos a determinados objetos ou ações, nasceram os signos. Esses, por sua vez, combinados de forma ordenada, deram origem à linguagem oral e escrita.
Nessa trajetória evolutiva, um dos marcos mais notáveis ocorreu entre 1438 e 1440, quando o alemão Johann Gutenberg aperfeiçoou os tipos móveis criados pelos chineses. O sistema de prensa tipográfica possibilitou a produção de livros em larga escala, levando à democratização do conhecimento e à disseminação de informações (PERLES, 2007).
Outros impactos transformadores se deram nos séculos XIX e XX com a invenção do telégrafo, do rádio, da televisão, das transmissões via satélite, do computador e da internet, como já vimos. Vive-se hoje na chamada sociedade da informação, um mundo em permanente mudança, em que o fluxo de informações é intenso e no qual não existem barreiras de tempo nem de espaço para que as pessoas se comuniquem.
De acordo com o sociólogo espanhol Manuel Castells (2002 apud COUTINHO e LISBÔA, 2011, p. 7; RUIZ, 2012), essas são as principais características do novo paradigma:
1. A informação como matéria-prima – Existe uma relação simbiótica entre a tecnologia e a informação, isto é, uma complementa a outra;
2. Capacidade de penetração dos efeitos das novas tecnologias – Os meios tecnológicos exercem poder de influência na vida social, econômica e política;
3. Lógica de redes – Graças às recentes tecnologias da informação, essa característica facilita a interação entre as pessoas, podendo ser implementada em todos os tipos de processos e organizações;
4. Flexibilidade – As informações podem ser reconfiguradas, alteradas e reorganizadas;
5. Convergência de tecnologias específicas para um sistema altamente integrado – Todos os utilizadores podem exercer um papel ativo na produção do conhecimento. Pela primeira vez na história, a mente humana é uma força produtiva direta e não apenas um elemento decisivo do sistema de informação.
Este texto não tem a pretensão nem o espaço suficiente para se aprofundar na complexidade do tema, ao qual Castells dedicou doze anos de trabalho e quase 1.500 páginas em seu livro “A era da informação”. Porém, vale destacar a convergência entre essas características e as atividades relacionadas ao comércio eletrônico.
Por fim, levar em conta o papel ativo que todos os utilizadores de TIC têm na produção do conhecimento é fundamental para se comunicar de maneira adequada com o público de interesse. Neste novo mundo em gestação, o marketing de massa abre espaço cada vez mais para o relacionamento personalizado, em que o diálogo é vital.
Percebeu como a divulgação é apenas uma parte – nada desprezível, diga-se – de um processo comunicativo bem mais amplo? Se você pretende desenvolver um negócio bem sucedido na internet, é inevitável que suas ações de marketing foquem no novo perfil de consumidor: conectado e bem informado, empoderado e volúvel, pois tem consciência de que suas opções de escolha estão literalmente na ponta dos dedos.
Mais que informar o cliente em potencial sobre seus produtos e serviços, é preciso encantá-lo e saber ouvi-lo. Para isso, é preciso conhecê-lo cada vez melhor e estar preparado para recebê-lo em sua “casa”.
