Os primeiros passos do novo governo não são muito promissores do ponto de vista dos mercados. Existe uma sensação de falta de urgência na indicação dos nomes da pasta da Economia. Sem essas indicações e sem nenhum balizamento durante a campanha eleitoral, o mercado segue à deriva. O primeiro movimento foi de melhora com uma descompressão nos preços, principalmente ações e dólar. A eleição de 2022 talvez tenha sido a que menos provocou turbulência nos mercados desde a redemocratização. Mas, mesmo assim, algum prêmio ainda estava embutido nos preços. Outro ponto importante foi a queda acentuada das ações de empresas estatais federais, como Petrobras e Banco do Brasil. Claramente essas empresas voltarão a ser usadas politicamente. Isso ficou evidente nessa última semana, com toda a discussão sobre o pagamento de dividendos da Petrobras.
Sob o ponto de vista do novo governo, a preocupação, nesse momento, parece ser muito mais política do que técnica. Membros do futuro governo passaram a última semana criando uma base governista no Congresso Nacional, tentando diminuir a influência do Deputado Artur Lira. O Orçamento, que já previa dificuldades para 2023, agora tem tudo para ser uma bomba fiscal. Se tudo que foi prometido na campanha for cumprido, o estouro do Teto de Gastos passará fácil dos 200 bilhões de reais. Auxílio Brasil (que deve voltar a se chamar Bolsa Família) de 600 reais mais 150 reais por filho. E reajuste da tabela do IR. Esses devem ser os principais aumentos de despesas (ou queda de receitas).
O que fazer nesse cenário? Muito dificilmente teremos queda de juros no curto prazo. Os governos petistas foram, sob esse ponto de vista, paraísos para os rentistas. Como o Estado gasta demais e gasta mal, ele é obrigado a se financiar no mercado, forçando as taxas de juros para cima e, praticamente, inviabilizando que outros tomadores de empréstimos consigam dinheiro. A solução nos outros governos petistas foi o inchaço do BNDES, que passou a ser quase que o único emprestador de dinheiro disponível. O que temos de negativo nisso? O mercado deixa de se auto-regular. Bancos deixam de ser bancos e passam simplesmente a viver dos juros altos do governo. O BNDES, que é público, passa a emprestar dinheiro apenas aos amigos do sistema, ou, como aconteceu no passado, aos campeões nacionais. E as demais empresas, inclusive as pequenas, que são as que tem mais dificuldade em tomar crédito, se vêem espremidas, sem ter como financiar seu crescimento.
Vejo muitos comentários na linha de “mas nos outros governos Lula o Brasil cresceu”. É verdade. Mas tivemos um dos maiores booms de commodities da história. Coisa que não vemos no momento. E com a desaceleração generalizada da economia mundial, não devemos ver novamente tão cedo. Assim sendo, creio que repetir os erros do passado são o maior risco para a economia brasileira nos próximos 4 anos. Sigo bastante curioso para saber as principais linhas de atuação do novo governo na Economia, já que esse assunto passou muito longe do debate eleitoral.
O mundo é dinâmico. Temos fatos novos todas as semanas. Deixo o convite para vocês assistirem ao meu programa semanal no YouTube da Activ Trades. O programa se chama “Markets Warm Up”, onde faço literalmente um aquecimento para a semana, todas as segundas, ao vivo, às 09 da manhã. Deixem comentários, perguntas, sugestões. Vamos fazer juntos um espaço em que possamos discutir idéias e alternativas para o Brasil, além de comentar operações que possam ser lucrativas.
