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Coluna Ozinil Martins | “Restaure-se a moralidade ou locupletemo-nos todos!”
16 de Fevereiro de 2022

Coluna Ozinil Martins | “Restaure-se a moralidade ou locupletemo-nos todos!”

Dos 513 integrantes da Câmara, pelo menos 178 respondem na justiça a inquéritos (procedimentos que podem resultar em processos)

Por Prof. Ozinil Martins de Souza 16 de Fevereiro de 2022 | Atualizado 16 de Fevereiro de 2022

A lapidar frase feita por um irreverente jornalista nos anos 60 do século passado mostra que convivemos com a corrupção de forma sadia e harmoniosa há muito tempo. Stanislaw Ponte Preta soube como ninguém captar a essência da alma do brasileiro; suas ironias estão presentes no dia a dia da política brasileira e são atualíssimas até os dias de hoje. Parece que, com o passar do tempo, não mudaram os políticos e não mudou o povo que continua pobre e pagando as contas dos perdulários de plantão, chamados de Suas Excelências. O que, de fato, mudou foi a desfaçatez dos políticos que perderam a vergonha de maneira absoluta e, na cara dura, continuam com suas práticas de conduzir malas e usar cuecas (carregadas de dinheiro) para cima e para baixo.

A Operação Lava-Jato trouxe um raio de luz na escuridão que é a política brasileira e deu esperança àquela parcela da população brasileira que, ainda, acredita que ser honesto, que preservar valores que conduzam à dignidade são fundamentais para a construção de uma nação da qual possamos nos orgulhar. Acreditar no ditado “água mole em pedra dura tanto bate até que fura” é o que resta ao povo, em sua maioria, ignorante do que está acontecendo.

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Um em cada três dos deputados federais é suspeito de ter cometido algum tipo de crime. Dos 513 integrantes da Câmara, pelo menos 178 respondem na justiça a inquéritos (procedimentos que podem resultar em processos) ou ações penais (processos que podem acabar em condenação). O PP, PT e PSDB são os partidos com mais deputados com pendências criminais (dados do Congresso em Foco com base em informações do STF); o mesmo Congresso em Foco aponta que dos 81 senadores, 25 têm algum problema com a justiça. O Senador Renan Calheiros é o campeão em casos judiciais com 12 inquéritos, todos provenientes da Operação Lava-Jato. A pergunta que deve ser feita é: considerando este quadro, apontado pelo Congresso em Foco, quem exercerá o direito de modificar leis que venham a punir os que fazem as leis? 

Como diz a carta de Pero Vaz de Caminha ao Rei de Portugal sobre a terra descoberta: “em se plantando tudo dá.” Verdade! O Brasil é um país muito rico; as aves de rapina que o saqueiam, diuturnamente, não conseguem acabar com sua capacidade de produzir, porém, ao mesmo tempo, não se consegue fazer parte desta riqueza chegar ao povo. Parece que temos um cordão umbilical que nos liga à pobreza e, infelizmente, este cordão tem nome: carência de educação de qualidade. Enquanto os governos não definirem a educação como maior prioridade do país continuaremos sendo fornecedores de auxílios ao povo carente e a eliminar a classe média pelo aumento de impostos sem o devido retorno e, para sustentar benesses às Suas Excelências e ao alto funcionalismo. 

Só para ter uma ideia do que custa a estrutura política deste imenso país, o Congresso Nacional, em recesso durante o mês de janeiro de 2022, custou ao pagador de impostos, a bagatela de 500 milhões de reais (informação do Jornal da NDTV). Imaginem que isto se espraia pelas Assembleias estaduais e Câmaras de vereadores! Tudo isto para produzir uma legislação pesada e punitiva àqueles que trabalham. As leis que proíbem a prisão em segunda instância e, que permitem a saída de criminosos pela porta da frente dos presídios, as leis que, usando de artifícios processuais, anulam processos e liberam criminosos confessos, a absurda carga tributária que pesa sobre a vida de brasileiros comuns, tudo isto é articulado no congresso nacional, também chamado, ironicamente, de Casa do Povo.

O ocorrido nesta última terça-feira em Petrópolis – RJ é a repetição da tragédia de 2011. O que foi feito de lá até hoje para prevenir a repetição de desastres como este? Na opinião dos atingidos nada foi feito para evitar que nova tragédia acontecesse. Agora é contabilizar os mortos e os prejuízos materiais.  Assim segue a vida no país do futuro!

Já que começamos com Stanislaw Ponte Preta, com ele concluímos a coluna. “A prosperidade de alguns homens públicos do Brasil é uma prova evidente de que eles vêm lutando pelo progresso de nosso subdesenvolvimento!”

Imagem> OpenClipart-Vectors por Pixabay

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