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Coluna Ozinil Martins | Pomo da discórdia: tainhas e linguiça!
10 de Junho de 2026

Coluna Ozinil Martins | Pomo da discórdia: tainhas e linguiça!

"Que o governo deixe os pescadores e as tainhas em sua luta pela sobrevivência"

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Por Prof. Ozinil Martins de Souza 10 de Junho de 2026 | Atualizado 10 de Junho de 2026

Durante o ano de 1996 vivi, a maior parte do ano, em Cuba. O país, com o fim da ajuda financeira da União Soviética, vivia o que se convencionou chamar de Período Especial. A crise era imensa e faltava praticamente tudo. O povo buscava recursos que lhe possibilitasse sobreviver àquele momento.

Ao final das tardes aproveitava o tempo livre para caminhar pelas ruas da cidade e, uma das áreas mais propícias a isto era o Malecon; um grande calçadão margeando a baia de Havana e local de lazer para muitas pessoas. Algo sempre me chamou a atenção e, por curiosidade, perguntei a amigos cubanos a causa de nunca ter visto ninguém pescando naquelas águas.

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A resposta que ouvi era que existia proibição de pesca artesanal; a pesca só era permitida às empresas estatais autorizadas. O cubano que fosse encontrado pescando, principalmente, camarões e lagostas, seria penalizado. Hoje parece que estas medidas se mantêm com algumas flexibilizações.

Há outro episódio que nos lembra que a pesca nem sempre foi uma atividade pacífica. Entre 1961/63 o Brasil e a França envolveram-se em uma jocosa disputa que foi chamada de Guerra da Lagosta. Barcos franceses, mais de 60, amparados por um acordo de pesquisa científica, invadiram o litoral nordestino em busca dos apreciados crustáceos. A guerra terminou em apertos de mão e abraços.

Agora como não tem franceses para chamar para a briga o governo brasileiro resolve atucanar os pescadores catarinenses de tainha. Já no ano passado o governo tinha imposto medidas restringindo a pesca fixando o tempo permitido e agora, em 2026, resolve diminuir o tempo anteriormente acordado. Motivo: a preservação da espécie. Esquece o governo que os pescadores artesanais lutam, a cada dia, pela sua sobrevivência, que o período limitado já reduz sua capacidade de constituir suas reservas financeiras que os manterão pelo resto do ano e que a modalidade de pesca é feita como manda a tradição: canoas e redes orientadas pelos olheiros. Não barcos possantes e nem sonares sorrateiros.

Não bastasse a tainha resolveram inticar com a linguiça Blumenau. Portaria do governo estadual determina a fixação do nível de gordura da tradicional linguiça. Esquecem que a tradicional linguiça veio trazida da Alemanha por colonos alemães há mais de 120 anos, que é produzida com altos níveis de qualidade e, que fazia este colunista, quando morou e trabalhou em São Paulo entre 1993/95, deslocar-se pelo menos duas vezes por semana ao centro tradicional de Sampa, no Bar do Léo na rua Aurora, para degustar a linguiça Blumenau. O bom senso fez com que a portaria governamental fosse revogada.

Os governos existem para ordenar a economia, entre outras áreas, através planos de trabalhos detalhados em suas campanhas eleitorais. É seu compromisso firmado com os eleitores que os sufragam nas urnas. Quando vemos as campanhas que estão em pleno andamento, sem nenhuma proposta efetiva do que farão se eleitos fica, o povo, ao alcance de medidas pontuais e, quase sempre, prejudiciais ao povo, como as anteriormente citadas. Que o governo deixe os pescadores e as tainhas em sua luta pela sobrevivência e esqueça a linguiça onde ela deveria estar, na mesa.

Foto de Chud Camota na Unsplash

 

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