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Coluna Ozinil Martins | Para onde caminha a juventude brasileira?
17 de Junho de 2026

Coluna Ozinil Martins | Para onde caminha a juventude brasileira?

"O governo faz malabarismos com a Educação e cria situações ridículas"

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Por Prof. Ozinil Martins de Souza 17 de Junho de 2026 | Atualizado 17 de Junho de 2026

Esta é uma pergunta que deveria estar sendo feita pela sociedade brasileira se esta estivesse, efetivamente, preocupada com o futuro do país; enquanto países como a China investem pesado em Educação e preocupam-se em adequar currículos e conteúdos aos tempos que vivemos, em Pindorama, acredito, ao ver a inoperância de nossos líderes, este problema não é prioritário e deve ser resolvido por inércia, se em algum momento o for.

Entre 2021 e 2025 o Ministério da Educação chinês cancelou ou suspendeu o funcionamento de 12.200 cursos de graduação por entendê-los obsoletos ou com excesso de profissionais no mercado; ao mesmo tempo criou mais de 10 mil novos cursos em função das necessidades econômicas e tecnológicas do país. A ênfase está sendo direcionada para cursos na área tecnológica, principalmente, em Inteligência Artificial e robótica.

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Enquanto isto, em um certo país ao sul do Equador, os cursos mais demandados pelos estudantes, em detrimento do mercado de trabalho, são Direito, Administração de Empresas e Pedagogia. Observem as consequências: os bacharéis em Direito ao buscarem a autorização para serem considerados advogados tem, no Exame da OAB, um forte inimigo, pois o índice de aprovação mal chega aos 15%. Em Pedagogia o problema chama-se empregabilidade pois, o grande empregador são os governos municipais, estaduais e federal e as limitações vem do número de vagas. Ainda há que se conviver com os professores temporários que são selecionados, por concurso, ano após ano. Óbvio que esta situação gera o subemprego e as alternativas são conhecidas por todos.

Ao mesmo tempo, em um sentido de mascarar a existência de problemas estruturais, o governo faz malabarismos com a Educação e cria situações ridículas sob qualquer ótica que se observe. A progressão automática é um bom exemplo; há Estados em que a não aprovação, em até 6 disciplinas, não impede o avanço do estudante para o ano seguinte. É proibido reprovar! Outro exemplo que mostra o descaso com a Educação, por parte do governo e dos pais, é o programa Pé de Meia. O governo paga para o estudante fazer o que deveria ser uma obrigação. Talvez, seja o treinamento para o futuro usuário do Bolsa Família. Chega a ser vergonhoso.

Vale lembrar o que relata Zuenir Ventura em seu livro !968 – O Que Fizemos de Nós – sobre o ano de 1968 mas, escrito em 2008, portanto 40 anos após as vivências do ano trepidante de 1968. Ao entrevistar alguns protagonistas daquele ano, entre eles Gabeira, José Dirceu, marca e muito, o depoimento de César Benjamin, conhecido como Cesinha e o preso mais jovem pelo regime militar. Perguntado sobre a Educação, diz ele: “Todos sabem que a Educação brasileira é um desastre! Jogamos nas ruas multidões de analfabetos funcionais. Apesar de saber escrever o nome e ler o letreiro de um ônibus são incapazes de escrever uma carta.”

Esta é uma síntese do depoimento e acrescento que de 2008 para cá o problema piorou muito. Como sou usuário de transporte coletivo em Floripa testemunho o número incrível de pessoas que sinalizam para o ônibus parar e perguntam ao motorista para onde vai aquele coletivo, pois não sabem ler.

Com o mundo se tornando a cada dia mais tecnológico as dificuldades para acolher os analfabetos funcionais serão cada vez maiores e os governos continuam a não enxergar o problema que só cresce.

Como já escreveu o sábio Rubem Alves: “Se a gente pedir para os moradores de uma Universidade para fazerem um trabalho sobre uma coisa complicada, sobre a qual existe uma bibliografia, tudo bem; eles fazem. Mas se a gente pedir para eles façam um trabalho sobre o que estão vendo, eles ficam paralisados. Para ver, eles precisam de uma citação.”

Concluindo: o papel da escola é, cada vez mais claro; ensinar as pessoas a pensar! O conhecimento está disponível o que fazer com ele é o problema.

Foto de Brooke Cagle na Unsplash

 

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