O que antes era uma suspeita, com indícios marcantes de verdade, torna-se um fato diante da divulgação de dados pelo OurWorldinData.org.intelligence. Pesquisando o crescimento do Quociente de Inteligência (QI) nos países do mundo constatou-se que o crescimento, nos últimos 100 anos, foi uma constante. Na Alemanha e Estados Unidos o crescimento foi, em média, de 30 pontos, na vizinha Argentina foi de 25 pontos e, mesmo em países africanos, como o Sudão, foi de 12 pontos. A surpresa ficou por conta do Brasil onde os dados apontam para uma regressão de 10 pontos, com um QI médio de 87 pontos, que beira a fronteira de deficiência intelectual. Estes são dados concretos!
Lembro-me que quando o Ministro da Educação era o Sr. Cid Gomes, no Enem de 2015, 500 mil alunos de 6 milhões que realizaram a prova, zeraram a redação, isto é, não escreveram “coisa com coisa.” O Sr. Ministro, tentando justificar o injustificável, alegou que o tema foi muito difícil. Esqueceu-se o Ministro de que um jovem razoavelmente formado, com capacidade de raciocínio desenvolvido, é capaz de abordar qualquer tema da atualidade. O que ocorre é que o nível do ensino em nosso país é caótico. Estamos produzindo, em série, analfabetos funcionais com diplomas, inclusive de curso superior, comprometendo seriamente, o desenvolvimento social, cultural e econômico do país. Não existe país desenvolvido com Educação de péssima qualidade! Quando cometemos horrores contra o idioma pátrio estamos contribuindo para o atraso do país.
Os exemplos com que convivemos nos tempos atuais mostram, claramente, as deficiências do ensino no país. A música produzida de péssima qualidade, o baixo nível dos programas nas televisões abertas, os erros de português em outdoors e nas comunicações da imprensa, a apelação para o humor chulo, que é mais fácil de ser entendido pelo povo menos letrado. E, quando falo letrado não estou elogiando ninguém, estou afirmando que é papel da escola, segundo a constituição, ofertar as condições para que o brasileiro leia, entenda o que leu e saiba fazer contas. Simples assim!
Quando adotamos o gerundismo, fruto da tradução indevida do inglês, em nossos centros de atendimentos, estamos contribuindo para empobrecer o idioma, que é hoje o único elemento de ligação nesse país imenso. Quando criamos expressões que se preocupam em especificar gênero – boa noite a todos e a todas – estamos contribuindo para a perda da essência do idioma.
A eclosão recente de casos de violência em escolas brasileiras, públicas e privadas, reflete o desinteresse dos jovens por aquilo que entendem nada lhes acrescenta. Na Paraíba, um pai ao retirar o telefone celular do filho de 13 anos, que não queria mais estudar, viu sua família ser destruída; o garoto revoltado, apossou da arma de seu pai (policial aposentado) e matou a mãe e seu irmão mais novo, ferindo gravemente seu pai. Em cidade satélite de Brasília uma professora foi ameaçada de morte, com arma colocada em sua cabeça, por ter ousado chamar a atenção de seus alunos e, alguns pais nas gostaram da forma como fez isto. A professora está afastada das atividades. Em várias cidades as escolas transformaram-se em ringues de lutas abertas. Se isto não é o retorno à barbárie e a forma primitiva de resolução de problemas ligados ao baixo QI…
Se formos medir a importância que os governos dão à educação em função da troca de ministros da pasta veremos que os últimos ministros a permanecerem mais tempo nos cargos foram o Sr. Paulo Renato da Silva (FHC) e Cristovam Buarque (Lula), nos demais governos os ministros foram ocupantes temporários.
Há um episódio extremamente sugestivo da prioridade com que é encarada a educação pelos nossos governantes. Quando foi estabelecido o piso nacional da categoria dos professores o Ministro era o Sr. Tarso Genro; que, em seguida veio a ser o Governador do RS e, entrou com uma ação direta de inconstitucionalidade contra a aplicação do piso salarial no estado em que exercia o governo. Quando o próprio governo questiona suas próprias leis fica fácil entender porque o nível da educação no Brasil só regride.
Somente pela Educação conseguiremos construir um país socialmente mais justo. Oferecendo as mesmas oportunidades a todos, a diferença será a maneira como essas pessoas farão a posse do que lhes é oferecido. Aí a resposta será de cada um e a sociedade terá feito sua parte.
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