Começaram a ser veiculados pelo IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – os primeiros dados, preliminares é óbvio, sobre o censo que se encontra em andamento. As informações referem-se a dados apurados a partir de 60 milhões de habitantes pesquisados. A primeira conclusão não chega a surpreender, pois o próprio IBGE vinha mostrando em pesquisas realizadas a tendência de envelhecimento da população. Segundo dados apurados até agora, o maior contingente da população brasileira está entre 35 e 39 anos. Esta informação confirma projeções anteriores que projetavam uma população de 50 milhões de brasileiros com idade superior a 60 anos até 2050. Estamos em rápido processo de envelhecimento!
Por outro lado, o IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – informa que a diminuição da população foi antecipada em, aproximadamente, 15 anos (prognósticos anteriores mostravam a população diminuindo a partir da segunda metade dos anos 2030). A morte de quase 700 mil pessoas mais a queda da taxa de natalidade para 1,7 filhos por mulher, quando a taxa de reposição ideal é de 2,1 filhos por mulher, colocam o país rumo ao encolhimento populacional com todas suas consequências. “O país vai envelhecer e diminuir sem que tenhamos chegado a um padrão social elevado e a um futuro promissor,” segundo a pesquisadora do IPEA Ana Amélia Camarano.
Assistindo ao debate dos presidenciáveis é perceptível a falta de propostas para um tema concreto e que exige ousadia e um norte para tirar o país do atoleiro que se encontra há anos. A Educação é a chaga de todas as chagas que afligem o país. Como vamos competir no mercado mundial com uma população iletrada e analfabeta funcional. A pandemia escancarou as diferenças; enquanto alguns continuaram a ter aulas por meio remoto, outros simplesmente largaram os estudos e abandonaram as escolas.
Especialistas estimam em até 15 anos o tempo para recuperar os estragos causados. O problema é seriíssimo no ensino médio. As mazelas da educação começam na formação dos professores, passam pela infraestrutura oferecida pelas escolas e morrem na ausência dos pais que são omissos e inconsequentes em sua maioria.
A janela que se abre está ligada a diminuição do número de estudantes e a possibilidade de aumentar a qualificação destes estudantes mantendo os recursos financeiros atuais e colocando a Educação como prioridade zero do país. Se não conseguirmos qualificar nossos estudantes o país será eternamente periférico no concerto dos países.
A mudança tecnológica, indústria 4.0, produziu alterações fortíssimas nas relações industriais e de emprego. Mudou o perfil dos profissionais que operam em todas as áreas de trabalho. O novo mercado exige profissionais qualificados e nossas Universidades nunca formaram tanta gente, mas com um grau de qualificação, absolutamente, discutível.
Com uma população em rápido processo de envelhecimento, com uma Educação precária e burocratizada, com a evolução tecnológica crescente e inovadora o que podemos esperar do futuro? Quem garantirá os recursos financeiros para a saúde e a previdência? A conclusão é sua, caro leitor!
Foto do topo de Gerd Altmann no Pixabay.
