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Coluna Mirella Vegini | Os 4C´s da Maturidade em Branding.
02 de Outubro de 2017

Coluna Mirella Vegini | Os 4C´s da Maturidade em Branding.

Costumo dizer nas minhas palestras que Branding é:

“Olhar para as pessoas e entender suas “dores”. Participar ativamente da vida delas, apoiando, facilitando e empoderando essas pessoas para que possam pertencer a elas mesmas e ao mundo”.

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No papel fica fácil e até poético. Mas na prática esta tarefa é extremamente desafiadora para quem detém a marca. A compreensão do “protagonismo das pessoas versus o protagonismo da marca” deve estar internalizada na mente de todos os colaboradores da empresa, principalmente nos de “linha de frente” e gestores. Por isso, na tarefa de Gestor da Marca estabelecemos “Sprints de Viradas” onde cada empresa recebe metas reais e aplicáveis de acordo com a sua capacidade de internalizar este tipo de conceito. Por mais que o branding seja intangível e filosófico em sua composição, é necessária a materialização do branding através de entregas palpáveis para os “donos da marca”.

Por esta missão de “evangelizar” e “internalizar” uma marca, o objetivo do trabalho de branding é que a marca não carregue a essência, de autoria única e exclusiva, de um consultor “Brand Manager” ou a essência formatada apenas pelo departamento de marketing. O grande desafio é que através de técnicas como Brand Thinking (Mirella Vegini) e Design Thinking (Alex Osterwalder) o projeto aconteça de forma colaborativa dentro da organização.   Não adianta “entubar” estratégias de branding dentro da empresa só por vaidade. Isso é desperdício. O processo de implantação deve ser coerente com a cultura da empresa. Há a necessidade por parte do Gestor da Marca em conhecer o ambiente empresarial e classificar a empresa em níveis de Maturidade em Branding para uma melhor abordagem temporal e metodológica. 

Existe outro aspecto que corrobora com a importância do desenho de Maturidade Empresarial em Branding que é a “Gestão das Expectativas dos Stakeholders”. Um bom trabalho de branding está mais relacionado às expectativas de entregas que os empresários e colaboradores nutrem ao iniciar um projeto de branding do que aos resultados de mercado obtidos com uma marca forte. Parece estranho e contraditório afirmar isto, mas é importante lembrarmos que uma marca sempre acontece primeiro em empresas que acreditam em sua essência. Por isso cada empresa entende e absorve de forma singular o posicionamento desta nova marca à luz de branding. E identificar esta Maturidade Empresarial em Branding é um mecanismo importante de entrega de resultados e alinhamento de expectativas.

Qual o seu nível de maturidade em branding?

Antes de iniciar um processo de Branding, costumo aplicar uma avaliação que denominamos de “Teste da Maturidade em Branding”. Em suma, o teste busca avaliar dentro de uma escala de pontuação os pré-requisitos básicos que validam não apenas se a empresa está pronta para o Branding como também o tipo de metodologia e “timer” que iremos aplicar para realização do estudo. Abaixo, compartilho alguns dos critérios que utilizamos em nossa avaliação e que podem servir para reflexão de empresários e gestores de marketing.

 

Os 4C´s da Maturidade em Branding:

 

Comprometimento Empresarial: É premissa de todo trabalho de Branding que os Diretores/ sócios se envolvam de forma ativa nas atividades de estudo, concepção e implantação de um posicionamento. O projeto de Branding só acontece se tiver Embaixadores que exerçam a função de liderança dentro da empresa. Quando não existe este perfil dentro da empresa, o trabalho de Branding ocorre de forma mais lenta e não tão visível, com entregas pontuais de organização dos princípios básicos da marca. Grandes saltos de resultados em Branding só são alcançados quando existem embaixadores internos apaixonados pela marca.

Compreensão do Negócio: A velha regra da missão, visão e valores, tão criticada por ter sido aplicada de forma equivocada nos últimos anos se apresenta como manancial de inspiração e compreensão da marca e da cultura empresarial em seu “actual self” e desenho do “ideal self”. A Proposta de Valor e Propósito organizacional são igualmente pilares para a compreensão desta marca em seu estado bruto. Desta forma, empresas que possuem maturidade neste quesito alcançam de forma mais rápida o entendimento da essência de suas marcas. Caso contrário, é necessário dar alguns passos para trás e realizar dinâmicas como Business Model Canvas ou Golden Circle para alinhamento destes pilares. 

Cultura de Marketing: Empresas acostumadas ao mundo do marketing e que valorizam esta ciência através de profissionais qualificados na área de marketing, investimentos em marketing pertinentes ao negócio e setor, e infraestrutura adequada de funcionamento da área de marketing, estão mais preparadas para fazer o Branding acontecer do que empresas que não possuem a área de marketing em seus negócios. O motivo é claro: o marketing é ferramenta estratégica que faz o branding acontecer. Mas e as empresas que não possuem área de marketing? Para estas, costumo aplicar a metodologia de “Marketing Effectiveness” que consiste em estruturar e organizar a área de marketing dentro das empresas para que elas consigam receber e gerenciar as demandas de Branding. 

Colaboradores Qualificados: Quanto mais operacional for a formação da equipe, mais técnicas diferenciadas deverão ser aplicadas para que o branding aconteça nestas pessoas. O nível cultural dos profissionais que fazem parte da empresa também influencia na aplicação do Branding. Quando o perfil dos colaboradores é muito operacional e/ ou de baixa maturidade estratégica, é interessante adotar técnicas de gamificação tanto em leitura de cenários quanto na implantação dos processos de engajamento. Porém, estas técnicas demandam tempo e alto investimento. Por isso, identificar o perfil de colaboradores é determinante para formação de preço e metodologia que deverá ser aplicada para a construção do branding.

Toda a empresa pode ter branding como pilar da cultura empresarial, independe de sua maturidade.  Porém, a tarefa do Gestor da Marca é personalizar as estratégias de branding de forma pertinente à maturidade de cada empresa. Não existe fórmula. O sucesso das ações de branding depende da aderência dessas estratégias com o nível de maturidade empresarial. Não é o branding quem dita a velocidade da construção desta marca. São as pessoas, dentro e fora da empresa que fazem esta marca acontecer. A tarefa do Gestor da Marca é navegar neste mar de forma monitorada e técnica, conhecendo em profundidade o ambiente, respeitando seus limites e oportunidades. 

Espero que o tema “Os 4Cs da Maturidade em Branding” seja relevante para as suas práticas profissionais. A Marca é um importante ativo de uma empresa. E hoje pode ser um bom dia para começar a pensar na sua Marca. Vamos começar?

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