Há várias maneiras de estimular a criação de startups e de novos negócios e serviços inovadores em uma determinada região. Recentemente, abordei aqui na coluna o fenômeno do “polo disperso” em Florianópolis, que foi ganhando escala com o surgimento de programas de desenvolvimento, investidores e fundos de capital de risco, além de uma rede de suporte para profissionais interessados em participar deste movimento (coworkings, eventos, participação de universidades e entidades empresariais etc.). Essa é a origem de um ecossistema.
Este fenômeno começa a acontecer, de maneira orgânica, em outras cidades do estado. São iniciativas puxadas por líderes, voluntários, representantes de entidades, empreendedores, investidores, professores e profissionais ligados a empresas com pegada de inovação – não só TI, mas também marketing, design, comunicação, escritórios de advocacia e contabilidade especializados. Em comum, há um desejo de mostrar a pujança regional, uma conexão com a história e as características locais, como uma forma de preparar a sociedade para as oportunidades da nova economia digital.
Do carbono aos desbravadores
No Oeste, o “Desbravalley” escolheu o espírito dos desbravadores da região para nomear o projeto de ecossistema local que começa a ser desenhado. A turma do Joinville Startups brincou com a fama de cidade chuvosa e colocou um guarda-chuva como ícone do movimento. Em Criciúma, o conceito do “Vale do Carbono” quer atualizar o potencial da região carbonífera para o potencial dos grafenos, uma das formas cristalinas do mineral considerada tão revolucionária quanto o silício.
Mas as ações não se resumem a nomes, ícones ou conceitos. Há muita ação rolando nestas – e em outras regiões. Em Chapecó, por exemplo, foi apresentado no último Startup Weekend o projeto do Desbravalley, que tem como objetivo agregar inicitativas, eventos e programas de estímulo à inovação em todo o Oeste catarinense – da tecnologia ao agronegócio, entre outras áreas afins. Já existe um movimento articulado na região, unindo universidades, empreendedores, investidores e profissionais: no início de 2017, um meetup do programa Startup SC levou quase 900 pessoas ao principal centro de eventos da cidade; uma das startups destaque na região, a Hub2b, vem crescendo 100% ao ano e espera fechar 2018 com um faturamento de R$ 2 milhões e expansão para São Paulo.
Em Tubarão, que recebe a terceira edição do Startup Weekend agora em maio, o projeto de tornar a cidade um hub de inovação envolve poder público, academia e iniciativa privada. Na próxima quinta (03.05), um encontro no auditório do Cettal/Unisul terá a participação do Arquiteto de Soluções da Dropbox, Marcel Ribas, para debater temas como energia criativa e o case de Austin (EUA) como cidade que criou um polo de inovação conectando tecnologia, música e artes visuais.
Articulações em Palhoça e São José
A Grande Florianópolis também se movimenta: tanto São José quanto Palhoça terão edições do Startup Weekend neste ano e articulam, individualmente, ações de desenvolvimento de inovação. Como a iniciativa de um centro de inovação em São José, que começou a ser trabalhada em conjunto com a Associação Catarinense de Tecnologia (ACATE).
Enquanto isso, em Palhoça, acontece nesta sexta-feira (27), o primeiro encontro dos Núcleos de Inovação ligados a Associações Comerciais e Industriais de cidades como Blumenau, Jaraguá do Sul, Joinville, Rio do Sul, Taió e Pinhalzinho, que vão conhecer a infraestrutura de TI e inovação da cidade (Impact Hub local, iLab Unisul, Inaitec) e empresas de base tecnológicas instaladas na região.
Por mais que iniciativas como a criação de Centros de Inovação (uma agenda liderada pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico Sustentável de SC) sejam positivas como impulsionadoras de novos negócios, há um movimento orgânico e articulado ainda pouco noticiado, que silenciosamente vai colocando diversas cidades catarinenses em rede, compartilhando experiências e resultados.
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