Coluna Inovação | Rede de Centros de Inovação em Florianópolis vai concentrar um polo naturalmente disperso?

12 de Abril de 2018

Nesta sexta (13), prefeitura da Capital anuncia criação de rede com quatro espaços dedicados a negócios de TI e inovação, na ilha e no continente, que serão geridos pela Acate

Imagem: VIA Estação Conhecimento

 

Quem não conhece Florianópolis geograficamente mas sabe que a capital se tornou referência no mercado de TI e inovação pode perguntar: "onde é que fica o polo de tecnologia aí?". É uma resposta difícil. "Bem, fica em vários lugares", já respondi algumas vezes. "Não temos uma concentração específica, as empresas foram surgindo e ocupando espaços na cidade, apesar de alguns empreendimentos terem sido criados com o foco neste mercado". Outras regiões brasileiras, como Recife e Belo Horizonte, utilizam algumas referências geográficas - o Porto Digital, no centro histórico da capital pernambucana e o  bairro de São Pedro (San Pedro Valley), onde muitas startups começaram em BH - para concentrar suas empresas inovadoras e facilitar não só o conceito de polo como também as visitas de interessados em conhecer seu ecossistema.

Particularmente, acredito que esse "polo disperso" - como mostra o mapa acima feito pelo grupo de pesquisa VIA, da UFSC -  de Florianópolis seja uma vantagem para o ecossistema local. Mostra um crescimento orgânico do mercado local, sem depender de projetos ambiciosos, seja do setor público ou privado. O que mais se assemelha hoje a um polo é o trecho da SC-401 entre o viaduto do bairro João Paulo e a entrada de Santo Antônio de Lisboa. Alguns quilômetros à frente, ainda tem o Sapiens Parque, que começou a ganhar corpo nos últimos anos, especialmente a partir da transferência da Softplan e seus mais de 1000 funcionários para o norte da Ilha. Mas há diversas empresas com soluções inovadoras atendendo clientes em diversos países e dobrando de tamanho a cada ano espalhadas pela cidade, seja no continente, na Trindade, Itacorubi, Centro e nos vizinhos São José e Palhoça.

Nesta sexta-feira, 13 de abril, será lançada pela Prefeitura de Florianópolis a Rede de Centros de Inovação, uma iniciativa em parceria com a Associação Catarinense e Tecnologia (ACATE). A entidade vai gerenciar e credenciar quatro espaços destinados a empreendedores do setor, na Ilha e também na região continental, seguindo a linha do Centro de Inovação Acate Primavera, na SC-401, que se tornou em pouco mais de dois anos um dos endereços mais requisitados da cidade para eventos e espaços corporativos. Só em 2017, mais de 57 mil pessoas participaram de eventos e encontros promovidos no local - um dos segredos do espaço, porém, é a diversidade: mais do que desenvolvedoras de tecnologia e aceleradoras de startups, há coworking e empresas de marketing, design, venture capital e comunicação que ajudam a criar o tal "ecossistema" de serviços e pessoas que torna o local mais interessante do que um simples condomínio monotemático.    

Estes centros de inovação em Florianópolis devem seguir também os parâmetros definidos para a construção de outros 13 empreendimentos em cidades polo do estado, uma articulação liderada pelo Governo do Estado e a Secretaria de Desenvolvimento Econômico Sustentável (SDS), com apoio técnico da Associação Internacional de Parques de Ciências e Áreas de Inovação (IASP) - o primeiro destes inaugurado até o momento é o Orion Parque, em Lages.

Com mais de mil empresas de tecnologia instaladas na cidade - que somam um faturamento anual de mais de R$ 5 bilhões - nem mesmo quatro centros de inovação lotados seriam capazes de concentrar todo o mercado de TI local. Também porque há uma nova geração de empresas que, dentro de quatro ou cinco anos, podem ter o mesmo tamanho das que hoje são consideradas médias ou grandes do setor. De qualquer maneira, esta concentração de centros de inovação ( soma-se a isso também os demais condomínios privados da cidade) ajuda a consolidar, mesmo que como referência geográfica, um modelo de ecossistema gerado organicamente, por empreendedores locais e que foram tomando os espaços comerciais da cidade à medida que o faturamento aumentava.

Como diriam alguns agitadores: "occupy!"
 

Sistema para gerenciamento de médicos

Na coluna da semana passada, enfatizei a questão do "no pain, no gain" no ambiente da inovação: é preciso resolver uma dor ("pain") do mercado para ter a possibilidade do "gain", o faturamento. No caso da startup Health Chess, de São José, a dor que se pretende resolver é a dos médicos. Fundada em 2012, a empresa oferece um sistema de informação e gerenciamento para profissionais de saúde: por meio do celular, o médico pode informar quais procedimentos realizou, além de ter acesso a automatização da gestão financeira, agendamento de consultas e procedimentos, revisão de pendências, entre outras ferramentas.  

Idealizada pelo médico anestesiologista Gustavo Luchi Boos e desenvolvida pelos programadores Edimar Chipil (33) e Ezequiel Weingartner Rodrigues (30), o sistema tem hoje 89 clientes, entre médicos, grupo de médicos, clínicas e hospitais e 10 cooperativas médicas da área da anestesiologia. "O objetivo é contribuir para o processo de planejamento estratégico e para a tomada de decisões e avaliação da rentabilidade dos serviços", destaca Ezequiel.

Fabricio Umpierres Rodrigues

  • imagem de umpierres@gmail.com
    Fabrício Rodrigues, editor do portal SC Inova, é jornalista com especialização em Gestão Empresarial. Atuou durante 12 anos como coordenador em agências de assessoria de imprensa (Dialetto e PalavraCom), foi repórter em jornais como Gazeta Mercantil SC, A Notícia e Folha de S. Paulo e editor de sites de cultura desde os tempos da Internet discada. www.scinova.com.br / E-mail: scinova@scinova.com.br