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Coluna Entretenimento | Entrevista com Nathalia Possebon sobre o Arvo Festival
04 de Outubro de 2022

Coluna Entretenimento | Entrevista com Nathalia Possebon sobre o Arvo Festival

Música brasileira, arte e sustentabilidade estarão reunidas no próximo sábado (8), no Campeche, na capital catarinense. Leia a conversa da produtora do evento com a Coluna Entretenimento e divirta-se!

Por Entretenimento 04 de Outubro de 2022 | Atualizado 04 de Outubro de 2022

No próximo sábado (8) tem Gilsons, BaianaSystem, Marina Sena e Majur, entre outros grandes artistas brasileiros, reunidos em um evento que está muito próximo de ser Lixo Zero, o Arvo Festival. A sétima edição da festa, que espera receber cinco mil pessoas e já entrou para o calendário de Florianópolis, traz ainda mais forte a proposta pioneira do festival no Sul do Brasil: reunir música brasileira, arte e sustentabilidade.

A produtora do Arvo, Nathália Possebon, conversou com a Coluna Entretenimento e, entre outras coisas, disse que foi necessário fazer uma série de adaptações para ser coerente com a proposta ecologicamente correta. De acordo com ela, existem muitas barreiras, a primeira delas é que é mais caro fazer um evento sustentável, além disso, é necessário trabalhar com parceiros que agem da mesma forma e não ficam apenas no discurso da sustentabilidade.

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“Entendemos que fazer essas ações é tornar a experiência de ir a festivais melhor para o mundo”, diz Nathalia | Crédito: Divulgação

 

Leia a entrevista completa abaixo.

Nathalia, como começou a sua história com o Arvo Festival? Conta um pouco sobre o início do evento também!

Então, trabalhei na primeira edição do evento e a partir da segunda, já entrei como sócia do Festival. O Arvo começou com o gap de eventos culturais que celebram a música brasileira em Florianópolis. Nós sentimos falta de música brasileira por aqui. Hoje, pelo evento, já passaram 15 mil pessoas e isso é muito gratificante para gente.

São quatro anos de Arvo, sendo que sábado será a sétima edição porque durante dois anos fizemos duas por ano. A partir desta, deve voltar a ter um evento anual, mas ainda estamos estudando!

 

Você acha que o evento acaba reunindo pessoas que têm os mesmos ideais ou ele já virou uma ferramenta para, também, educar o público sobre sustentabilidade?

Fico feliz de saber que nosso público entende a proposta que a gente quer passar. O público é muito consciente sabe que está indo para um festival sustentável, que vai consumir músicas de artistas que não estariam em Floripa se não fosse pelo Arvo.

O evento é um catalisador da sustentabilidade e da educação ambiental. Porque ver um festival na prática desenvolvendo ações sustentáveis pro público, em grande dimensão, acaba trazendo consciência de que é possível empregar essas ações em casa mesmo. A gente começou entregando pequenas ações que estimulavam ações sustentáveis. Atualmente é um feat dos dois públicos.

Temos quem responda automaticamente com atuação sustentável; ao longo destes anos, inclusive, recebemos pessoas que querem replicar nossas ações nas empresas, em outros eventos, em casa… mas também recebemos quem fica muito surpreso com as ações desenvolvidas. Mas temos a certeza de que construímos uma marca com um selo sustentável.

 

O Festival é feito para um perfil específico de público?

É um público bastante segmentado, formado majoritariamente por mulheres. Sempre tentamos trabalhar o projeto com o maior número de mulheres no palco. Temos um combinado com os profissionais que trabalham com a gente, que é, de fato, trazer diversidade na equipe e no palco.

Hoje são dois homens e duas mulheres como sócios e isso já é diferente da maioria das produtoras. Temos trans e mulheres na produção do evento e no palco quatro bandas feitas por mulheres e duas por homens. Empoderamento feminino não pode ser só nas palavras, replicamos isso da melhor forma que a gente pode.

A feira Fatto a Femme vai estar na pop up store, teremos curadoria artística da artista plástica Gugi Cavalcante, que vai fazer um live painting com outras profissionais, em um hub de arte feito por mulheres.

Sustentabilidade é tornar sustentável uma ação, inclusive social, que abraça diversas causas.

 

Nathalia, o carro-chefe do Arvo é reunir artistas da nova MPB e fazer um evento sustentável. Quais são as ações que vocês fazem e como vai ser fazer um evento sem vidro?

Na primeira edição a gente terminou o evento com muita garrafa de vidro! E desde então a gente trabalha por exemplo com chopp; para fazer o festival, preferimos lata ao invés do vidro, porque as iniciativas de reciclagem deste material são maiores, não existe uma cultura de reciclagem do vidro no Brasil, ele acaba sendo um material muito mais caro para ser reciclado. A gente tende a pensar que o vidro é a melhor opção sempre, mas sempre vemos os catadores recolhendo latas, não vidros, porque existe um processo mais viável para reciclar estas latas. As cervejas long neck vão pro aterro, por isso as cervejas são servidas no MeuCopo Eco, que as pessoas podem trazer de casa ou adquirir no evento.

Uma novidade da sétima edição é que vai ter água de graça pra todo mundo, servida no copo eco, sempre que a pessoa quiser.

Os restaurantes vão trabalhar com embalagens biodegradáveis, que acabam reduzindo bastante a quantidade de lixo gerada. Temos um hub de catadores de lixo que vai estar no evento fazendo a triagem ao vivo, durante o Festival, para o público acompanhar o que está sendo gerado de lixo e o que vai ser destinado para o aterro ou vai ser transformado em composto.

A gente pensa na sustentabilidade ambiental e social, do início ao fim do festival.

 

Existe outra forma de ser ainda mais sustentável em um evento? Qual?

Existe. A gente sempre procura informação e novas maneiras de melhorar. E a sustentabilidade mora nisso também. No entendimento da gente como empreendedores do entretenimento, fazer essas ações é tornar a experiência de ir a festivais melhor para o mundo. Buscamos o selo lixo zero e trabalhamos para isso.

Temos parceiros que fazem a compensação de carbono, para minimizar ainda mais os impactos causados pelo evento. Tem muitas barreiras porque é mais caro fazer um evento sustentável, tem que fechar porta para parceiro que não tem o pensamento alinhado com o do evento. Não faz sentido fazer parceria com marca que não tem as mesmas ações que a gente, que ficam apenas no discurso.

 

Como funciona o processo de curadoria do evento?
Buscamos bandas que estão em ascensão, sendo reconhecidas mundo afora. A Gilsons, por exemplo, que se apresenta pela primeira vez no evento, foi indicada ao Grammy Latino 2022 e eles têm mais de dois milhões de ouvintes mensais. A gente super acredita no potencial deles.

Marina Senna ganhou o último prêmio MultiShow, ela é super nova e vai se apresentar no mesmo evento que Leci Brandão, que também está no line up do Arvo. Leci foi a primeira mulher a fazer samba para uma escola de samba.

Além da cantora Majur, que se apresenta pela primeira vez em Florianóplis e traz muita representativa para o público trans e para o público preto.

 

Qual artista de renome vocês ainda querem que participe?

Virão grandes nomes nacionais da música brasileira que estão previstos para o ano que vem, mas ainda não posso contar! O Arvo é o único festival de música brasileira no Sul do país. Temos muita coisa para explorar, e o nosso propósito é continuar promovendo esses encontros de Norte a Sul do Brasil. Tem muita coisa para fazer: artistas plásticos, gastronomia, line up e diversidade estão presentes em todos esses sentidos no Arvo. A diversidade do Brasil faz o Arvo acontecer e sempre se renovar.

 

Existem planos de expandir o Arvo para outros lugares?
O Arvo é muito conectado à Floripa. Não temos limites para ele, podemos fazer outras parceiras, mas nosso foco é ser o principal festival de música de Santa Catarina.

Estamos de portas abertas para fazer Florianópolis ser um grande polo da cultura brasileira.

 

Arvo Festival 2022

8 de outubro, a partir das 14h

Império das Águias – Servidão Arina Paschoal, 1313 – Campeche, Florianópolis

www.arvofestival.com.br

 

Crédito da foto de capa: divulgação

 

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