Brasil e Argentina assinaram um memorando de entendimentos, pela criação de algum dispositivo de comércio entre os países, talvez até mesmo uma moeda única. Mas qual seriam os motivos por trás disso?
Esse assunto de moeda única não é novo. Desde o governo Sarney que se pensa em algo do gênero, porém sem nunca termos dado os primeiros passos. Recentemente, Paulo Guedes também citou o tema em alguns momentos. Agora o novo governo tenta recomeçar essa discussão. As dificuldades são enormes. São vários pontos envolvidos no assunto. A maior parte, com viés mais ideológico. No momento, a América do Sul praticamente inteira é governada por partidos de esquerda. Um dos principais questionamentos dessa ala é a dependência histórica da região com relação aos EUA. A criação de uma moeda única, obviamente, confrontaria o domínio do dólar. Outro ponto seria a tentativa da esquerda brasileira de ajudar países alinhados ideologicamente. Junto com o anúncio dessa “moeda única”, o governo brasileiro também anunciou o financiamento de um gasoduto na Argentina. Investimento para trazer gás para o Brasil. Porém, gás de xisto, que é um dos piores sob o ponto de vista ecológico. Além do fato de o próprio Brasil desperdiçar gás produzido nas áreas de produção de petróleo, por falta de investimento.
Um segundo ponto é a grande dificuldade econômica da Argentina. A Argentina passa por uma crise extrema, resultado de anos e anos de péssimas decisões, principalmente tomadas por governos mais alinhados à esquerda tradicional sul-americana. O país segue em default de dívida externa há alguns anos. Tem reservas cambiais muito baixas, implantando controle rígido de capitais para evitar saída dos poucos dólares que ainda tem a disposição. Assim, tem dificuldades em ter dólares para participar ativamente do comércio internacional. A ideia seria criar uma espécie de câmera de compensação, que seria garantida pelos governos centrais de cada país. Os governos insistem na ideia de que não existem riscos já que, em caso de default de alguma das partes, as próprias mercadorias poderiam ser usadas para saldar as dívidas.
Para a Argentina, a ideia é ótima. Pode ser uma boia de salvação. Outros países em situação igual ou pior do que a da Argentina já se declararam a favor, como, por exemplo, Cuba e Venezuela. O assunto no Brasil está longe de ser uma unanimidade. A grande crítica no Brasil fica no fato de que podemos nos ver obrigados a comprar produtos que nem queremos, por preços mais caros, somente para o sistema não entrar em default.
Uma moeda única, a exemplo do Euro, é impossível de ser implantada. Os momentos econômicos dos países são muito diferentes. Mas a simples sugestão já demonstra a intenção dos atuais governantes em buscar alguma forma de integração ao longo do tempo. Nesse momento, ainda é prematuro fazer qualquer análise sobre perda de influência do dólar ou euro nas transações internacionais. Provavelmente não teremos grandes alterações no curto e médio prazos. Também não acredito em nenhum impacto disso nos preços das ações das empresas listadas em bolsa. Teremos que aguardar o desenrolar dos fatos, para termos uma idéia de onde esse assunto pode chegar.
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