Nesta segunda de Rei Magos,
dia de desmanchar o pinheirinho,
trocar a aura do Natal pela alma do Ano Novo,
alma zerada, lavada, pela simples chegada de
um ano novo, novinho, novinho em folha,
cheio de folhas brancas pra gente preencher,
na agenda, no computador, na prática,
a cada ação… proponho uma reflexão:
que a gente se concentre menos no que teme,
e muito mais no que tem.
Menos no que deseja evitar,
muito mais no que tenciona concluir ou começar.
Menos em fugir, mais em encontrar.
Se não engatarmos a primeira nesta largada de Ano Novo,
assumindo muito mais que a direção, definindo
o percurso e a velocidade pra chegar onde queremos,
de repente vamos perceber que de novo, sem querer
regredimos à condição de cruzeiro padrão,
delegando a outro piloto, automático,
um caminho eficiente, conveniente, confortável.
Mas… E se for um caminho sem volta?
Que neste 6 de janeiro, dia de Reis Magos,
de quem encontrou um caminho que sequer estava escrito,
a gente compreenda que nem sempre o sinal é evidente.
Cabe a nós sermos videntes. Olhar pra frente.
Cravar as placas que vão nos guiar.
Relegar lá pra trás o que não importa mais. Aqui, jaz!
Quando o caminho tem menos “porquês”, mais “para quê”,
Menos sombras do passado, muito mais luz sobre o futuro,
Menos rotas de fuga, mais atalhos certeiros,
cavados, encravados, customizados.
Quando se sabe onde vai dar e o que fazer quando chegar,
Ah! Vou te contar:
desde a largada, já amo a estrada.
Na Galeria de fotos, minha largada pra 2020:
Quando cruzei a multidão de bike não pra fugir do trânsito.
Pra encontrar a chance de criar a própria rota.
Quando cruzei a ponte não pra fugir do tédio.
Pra encontrar novos ângulos pra suspirar sobre o mar.
Quanto cruzei a rebentação pra tomar café à mercê da maré.
Porque nem sempre o caminho de asfalto, perto, prático,
detém o melhor cenário pro filme da vida se revelar.
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