Nesta Quaresma em Quarentena,
sejamos nós o ovo que alimenta e ensina.
Ovo onde a vida prospera, mesmo sem vista pro céu.
Ovo sem quinas, ergonômico, sem escudo pro abraço ao léu.
Ovo intrigante, coadjuvante em uma sucessão de laços.
(não importa quem veio antes ou quem virá depois; somos todos essenciais)
Ovo caipira, autêntico, orgulhoso da origem e dos seus ancestrais.
Ovo no significado da Páscoa.
Somos passageiros, é fato, mas também podemos ser passagem.
Para dias mais mansos,
relações mais fraternas,
acolhidas mais fáceis,
vidas mais simples,
com menos espinhos afiados, imantados,
ávidos por uma cabeça que os torne troféus.
Há quanto tempo não somos ovo, salgado, alimento?
Há quanto tempo não somos ovo, doce, com surpresas?
Há quanto tempo não somos ovo, semente? Paciente!
Há quanto tempo não somos ovo, quebrado? Sem vergonha dos defeitos.
Há quanto tempo não somos ovo, permeável ao frio, ao calor e ao fermento,
permeável ao amor, à amizade, e ao melhor de cada momento?
Nesta Páscoa, sejamos nós o ovo que alimenta a esperança.
#FiqueEmCasa Fique bem.
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