Lançado em 2002 com grande repercussão – incluindo cobertura de página inteira na revista Caras, entrevista ao vivo em rede nacional, nos estúdios da Band em São Paulo, e um chat sobre inserção social no portal IG, que representava o máximo em alcance digital até o advento das redes sociais -, o livro “Seus olhos, depoimentos de quem não vê como você nunca viu”, deve migrar agora do papel para a caixa de som.
Comovida com a obra, onde resumo as histórias e vitórias de 11 deficientes visuais, Maria de Fátima Medeiros e Silva pretende incluir “Seus olhos” na diversificada lista de livros a serem narrados como “rádio-novela”, dentro do projeto Releituras, disseminando os conteúdos de contos, clássicos da literatura, obras técnicas e livros mais populares, incluindo temáticas de auto-ajuda.
Inicialmente, os “destinatários” seriam leitores cegos e com baixa visão, mas à medida que o projeto foi recebendo prêmios, ganhando visibilidade e apresentando as primeiras gravações, o escopo foi naturalmente ampliado, para que também beneficie leitores com TDAH, transtorno autista, pacientes hospitalizados, idosos e analfabetos, que por meio dos áudios terão acesso não apenas às obras, mas também a fatos relevantes sobre o autor em questão.
A grande demanda por literatura contemplando um novo sentido, a audição em vez da visão, levou Maria de Fátima a “ver” ainda mais longe, e o próximo passo é a formalização do IAAI, um Instituto de Apoio à Acessibilidade e Inclusão, com ênfase na pesquisa e na produção literária. Para saber mais sobre este trabalho, que reúne os voluntários nas manhãs de sábado, na Biblioteca da UFSC, acompanhe no Facebook como Projeto Releituras e Projeto ReleiturasAudioLivro. E assista aqui a minha conversa com a idealizadora.
Ao escrever de forma voluntária o livro “Seus olhos” e ajudar a vender a grande tiragem, de 5 mil exemplares, com renda para a Associação Catarinense para a Integração do Cego;
Ao levar o tema da inserção social para dentro das escolas, recrutando amigos deficientes visuais para me acompanharem em conversas com alunos e professores;
Ao receber o prêmio Destaque Mulher 2003 de Santa Catarina na categoria Voluntariado, em Joinville, por conta deste trabalho;
Ao abordar a deficiência visual em distintas mídias e com diferentes formatos, como nesta série, com textos, vídeos e fotografias;
meu desejo não se limita a escrutinar um mundo sem cor. É muito maior. Lembrar a cada leitor “a responsabilidade de ter olhos quando os outros os perderam”, como bem diz José Saramago em seu “Ensaio sobre a cegueira”.
Todos os dias, a cada manhã quando abrimos os olhos, precisamos honrar este privilégio, forjando uma sociedade onde a inclusão faz sentido, onde ninguém é desmerecido porque lhe falta um sentido. Uma sociedade em que o portador de deficiência tenha estrutura e estímulo para provar sua eficiência. Uma sociedade com convívios mais plurais, legitimando as diferenças até que todos se sintam iguais.
Para ver a íntegra da série Por mais lugar à luz, publicada de 17 a 21 de junho no portal Acontecendo Aqui:
Apresentação Por mais lugar à luz:
Entrevista sobre a Associação Catarinense para Integração do Cego:
Entrevista sobre o projeto Novos Horizontes, de bikes duplas:
Entrevista sobre a mostra em cartaz, com fotografias tácteis.
Clique nas fotos para acionar o slideshow e ampliar as imagens da Galeria.
