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Coluna Ana Lavratti: O amor não é uma sentença. Ele acata mudanças.
22 de Janeiro de 2018

Coluna Ana Lavratti: O amor não é uma sentença. Ele acata mudanças.

Por Ana Lavratti 22 de Janeiro de 2018 | Atualizado 22 de Janeiro de 2018

Nesta semana, no dia 24, eu e o meu amor completamos 14 anos de casados.

Desde aquele 24 de janeiro de 2004.

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Casados e apaixonados… ainda que tudo tenha mudado.

A começar pela filhinha que encheu a nossa casa de vida, mas também de urgências e exigências.

Vieram as trocas de fralda,

as trocas de emprego,

Trocas de rotina,

Trocas de colégio,

E a troca que trocaríamos por qualquer outra:

das pistas de corrida pras macas no hospital.

 

Desde 2014, meu marido atleta, que correu sob frio intenso a Meia Maratona da Disney,

que por mais de 10 anos comandou uma equipe na Volta à Ilha,

que do judô pro remo pra natação pra corrida pra musculação sempre amou se mexer,

enfrenta uma maratona de dor pra dar conta do que fazemos sem nem perceber.

Sentar e levantar, caminhar, secar os pés, carregar uma sacola ou pôr a forma no forno.

Tudo, há 4 anos, precisa ser calculado com antecedência… o trânsito, a distância, o acesso, o conforto. Sem improvisos, sem aventuras, sempre com “plano B”, se precisar voltar às pressas.

 

E o que faz um amor resistir a tanta dor?

Ao contrário de tantos que se esvaem?

Apesar da doença, que nossos sonhos trai?

São os valores que temos em comum.

O zelo pela família, a disposição pro trabalho,

a convicção de que cuidar da saúde é um compromisso diário, como cuidar da cidade, do país e do mundo onde o nosso fruto há de gerar sementes.

A aceitação de que somos responsáveis por cada decisão e atitude que tomamos.

Sem mi-mi-mi… Sem quero fugir daqui.

 

Quando a gente assume o compromisso de ser uma família,

como naquela manhã de Verão, com olhos cheios d’água na Quinta da Bica D’Água,

quando toma a “decisão” de seguir o mesmo caminho,

é preciso cortar vaidades e egoísmos. Como “cisão” sugere.

Do latim, caedere, cisão é cortar, abater, esgotar, como cabe a nós fazer depois de tomada a decisão.

Cortar os obstáculos, cortar as armadilhas,

Se concentrar em quem nos conquistou não pelas diferenças,

mas por ter os mesmos valores, convicções e referências.

Se comprometer com quem nos entende

porque busca nas coisas os mesmos significados.

 

Não importa a posse, mas prosperar com lealdade.

Não importa o status, mas os amigos de verdade.

Não importa a beleza. É no coração que se propaga a perfeição.

Não importa quanto a vida exige que a gente mude.

O amor não é uma sentença. Ele acata mudanças.

Só não cabe mudar nossa decisão de amar.

 

 

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