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Coluna Ana Lavratti: Você é inclusivo?
21 de Setembro de 2017

Coluna Ana Lavratti: Você é inclusivo?

Por Ana Lavratti 21 de Setembro de 2017 | Atualizado 21 de Setembro de 2017

Só conhece quem convive

 

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Hoje, 21 de setembro, é o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência.

Um universo tão perto e ainda assim tão à parte.

Porque só conhece quem convive, percebe as limitações de quem sonha com privilégios que temos e nem sequer percebemos.

Ler um livro, se deslocar pela cidade, ouvir o choro do filho.

Ver o rosto de quem ama, sair sozinho da cama, ouvir uma canção…

 

Ter escrito o livro “Seus Olhos, depoimentos de quem não vê como você nunca viu” abriu meus olhos pra essa realidade.

Em 11 histórias, contadas a partir de entrevistas com deficientes visuais… o que nasceu cego, o que ficou cego, o que enxerga um pouco, o que não se importa, o que se revolta, o acomodado, o autônomo… saltam aos olhos as diferenças, as dificuldades, e as deficiências da sociedade que não viabiliza aos cegos as oportunidades dos videntes.

 

Porque só conhece quem convive, nos prova Mario Prata. “Ao terminar o livro… conheci outro tipo de brasileiro: o cego”, assume o escritor que assinou o prefácio com lágrimas nos olhos. Pelas verdades contidas, que em geral preferimos não ver.

 

Escrito há 15 anos, a convite de Paulinho Ferrarini, o livro “Seus Olhos” apontou a necessidade de dar visibilidade aos hiatos da inclusão social. Onde a teoria e a prática vivem em descompasso. O aceito e o admiro demandam conciliação. Desde então, tenho ido a eventos, colégios, atos cívicos, sempre acompanhada por deficientes visuais, sensibilizando as crianças, aprendendo muito mais do que ouso ensinar.

 

Na Escola Internacional Sociesc, onde estive quatro vezes em diferentes turmas, a primeira regra estampada no hall traduz com perfeição o que anseio pra minha filha. “Be inclusive”. Seja inclusivo é a regra#1. Porque a vida é feita de diferenças. Físicas, sociais, emocionais, econômicas, geográficas, culturais, intelectuais.

 

A deficiência contém muitas diferenças. E todas elas exigem superação. Revelam potenciais que poderiam ficar ocultos em outras situações. Denotam o mérito onde debruço meu olhar: na imaginação de quem nunca viu o sol nascendo. No esforço da mãe, sem poder contar as gotas do remédio que trariam conforto ao filho doente. Na resignação de quem é dependente pra deitar e levantar. Nos vazios de quem escuta, mas não compreende; de quem compreende sem escutar.

 

Todas as manhãs eu abro os olhos, vejo o privilégio que protagonizo – a começar pela dádiva da vida! -, salto da cama de olho nas promessas a cumprir e me ponho a realizar; me imponho realizar! Frequento aqui, vou ali, e escuto sem compreender. Como as pessoas precisam de outros pra se empoderar, um coach pra avançar, comparativos pra se aceitar. Se a gente enxergasse menos os defeitos e mais a perfeição, exercitasse melhor a gratidão, incluísse sem impor condição, seria bem mais simples cumprir a simples diretriz de ser #feliz.

 

Na Galeria de fotos, eu trago momentos memoráveis que passei aproximando quem enxerga com os olhos e quem vê com o coração.

 

 

 

#MIX

 

Hoje, Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, a Coordenadoria de Acessibilidade Educacional (CAE/SAAD) vai realizar duas mesas-redondas sobre o tema no auditório do CFH, na UFSC. A primeira, às 8h30min, é um “Relato de experiência de estudantes com deficiência no ensino superior”, e a segunda, às 10h30min, traz “Relatos sobre práticas docentes acessíveis na UFSC”.

 

Em Brasília, um dos palestrantes de hoje no Seminário Internacional Acessibilidade e Inclusão: Expressão da Cidadania é o goleiro da Chapecoense, Jackson Follmann, sobrevivente da tragédia aérea ocorrida no ano passado. Ele vai a convite Mútua – Caixa de Assistência dos Profissionais do Crea, e do Instituto de Prótese e Órtese.

 

A Unisul Pedra Branca, enquanto isso, está comemorando a graduação em educação física de Augusto Delfino, no último fim de semana. O Educador físico é o primeiro portador de paralisia cerebral do país a colar grau como Bacharel na área, com o apoio do Programa de Promoção de Acessibilidade da universidade. “O meu maior objetivo é realizar o curso da CBF para ser técnico de futebol, sei que tenho capacidade para isso e vou lutar muito para conseguir”, conta Augusto, que desde já conta com a nossa torcida.

 

 

 

Na Galeria de fotos, tem minhas mais recentes interações com alunos abordando a temática da deficiência visual.

 

 

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