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A força do storytelling na publicidade: exemplos globais e impacto emocional
27 de Outubro de 2024

A força do storytelling na publicidade: exemplos globais e impacto emocional

Nas últimas décadas, campanhas publicitárias ao redor do mundo utilizaram o poder das narrativas para vender produtos

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Por Carlo Manfroi 27 de Outubro de 2024 | Atualizado 03 de Novembro de 2024

O storytelling na publicidade se consolidou como uma poderosa ferramenta do marketing ao explorar a necessidade humana de histórias,
criando conexões emocionais profundas entre marcas e consumidores.

 

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Campanhas publicitárias, pelas quais fomos impactados desde a infância, trazem bonitas histórias que nos fazem recordar momentos ímpares. Muitas delas foram criadas pelo mestre da publicidade que nos deixou faz pouco tempo, Washington Olivetto (e sua equipe), como o do amortecedor Cofap. Aliás, este profissional foi o responsável por me incentivar e cativar, através de suas criações, a decidir pela profissão de publicitário.

Enquanto atuava como redator e diretor de criação em agências, durante anos criamos campanhas com bonitas e emocionantes histórias e narrativas sem ao menos saber que aquilo era storytelling, nomenclatura que passou a ser usual e ganhou força no Brasil posteriormente.

Nas últimas décadas, campanhas publicitárias ao redor do mundo utilizaram o poder das narrativas para vender produtos, fortalecer a identidade de marcas, construir legados e, em alguns casos, mudar a forma como vemos o mundo. Destaco alguns exemplos icônicos de storytelling em diferentes culturas e mercados, revelando como essa técnica tem se adaptado às particularidades culturais e emocionais de diversas audiências.

O poder emocional da “Dove: Real Beleza” (2004) – Estados Unidos e Global

Um dos exemplos mais significativos de storytelling é a campanha “Dove: Real Beleza”. Criada pela agência Ogilvy & Mather em 2004, essa campanha revolucionou a forma como a indústria de cosméticos se comunica com as mulheres, ao questionar os padrões de beleza irreais propagados pela mídia e promover a diversidade e a autoestima.

O ponto central da campanha foi a história de mulheres comuns sendo retratadas em sua beleza autêntica, sem retoques. No filme “Dove Evolution”, uma modelo é maquiada e retocada digitalmente para uma campanha publicitária tradicional, ilustrando como o padrão de beleza difundido é artificial. O storytelling aqui é poderoso porque não se trata apenas de vender um sabonete, mas de mudar uma narrativa social e cultural ao redor da beleza. Essa abordagem atingiu um público global, conectando-se com mulheres em diversas culturas e ajudando a Dove a se posicionar como uma marca que valoriza a autoestima real.

O sucesso dessa campanha se deveu ao seu foco na narrativa emocional, um verdadeiro contraste com as campanhas de beleza tradicionais que se concentravam na perfeição inalcançável. Ao contar histórias com as quais as pessoas podiam se identificar, a Dove criou um movimento que transcendeu fronteiras e gerou conversas em escala global.

 

“The Man Your Man Could Smell Like” da Old Spice (2010) – Estados Unidos

Outra exemplo icônico de storytelling na publicidade foi “The Man Your Man Could Smell Like” da Old Spice, criada pela Wieden+Kennedy em 2010. Esta campanha é um exemplo de como o humor e o exagero podem ser usados para criar narrativas memoráveis.

No anúncio, o carismático ator Isaiah Mustafa aparece em situações absurdas, sempre mantendo um tom confiante e sedutor enquanto descreve as qualidades que um homem deveria ter, associando-as ao uso do desodorante Old Spice. O tom irônico, a criatividade das cenas e a capacidade de engajar o público, especialmente o feminino, se tornaram parte fundamental da comunicação da marca.

Além dos vídeos virais, a Old Spice ampliou sua narrativa utilizando mídias sociais, onde Mustafa respondia a perguntas dos fãs em tempo real. Essa extensão da história em múltiplas plataformas criou uma experiência imersiva e gerou engajamento contínuo. A campanha não apenas reposicionou a Old Spice, uma marca que estava perdendo relevância, como também reinventou a forma como os produtos de higiene pessoal masculina são comercializados, mostrando que o storytelling pode ser divertido e eficaz.

 

“Share a Coke” da Coca-Cola (2011) – Austrália e Global

Em 2011, a Coca-Cola lançou na Austrália a campanha “Share a Coke”, uma das campanhas globais mais bem-sucedidas da marca nas últimas décadas. A ideia simples de personalizar latas e garrafas com nomes de pessoas em vez do nome da própria marca rapidamente se transformou em um fenômeno mundial. A narrativa era clara: não se tratava apenas de beber uma Coca-Cola, mas de compartilhar momentos com amigos e familiares.

O storytelling por trás da campanha aproveitava a emoção do pertencimento e da personalização. As pessoas se sentiam especiais ao ver seus próprios nomes ou os de seus entes queridos nas latas, o que as incentivava a compartilhar esses momentos nas redes sociais. O envolvimento direto do público na campanha fez com que o storytelling ganhasse vida nas mãos dos próprios consumidores, que se tornaram parte ativa da narrativa.

A campanha “Share a Coke” tornou-se um fenômeno de marketing que transcendeu fronteiras culturais e linguísticas, demonstrando como o storytelling pode ser uma ferramenta poderosa para criar experiências de marca personalizadas e envolventes.

 

“Thank You, Mom” da P&G (2012) – Global

A campanha “Thank You, Mom” da Procter & Gamble, lançada durante as Olimpíadas de Londres em 2012, é um dos exemplos que considero mais comoventes de storytelling em uma campanha publicitária. Focada no sacrifício e no apoio das mães aos seus filhos atletas, a campanha conecta profundamente com os espectadores ao redor do mundo ao mostrar que, por trás de cada atleta, há uma mãe que o apoiou, incentivou e acreditou no potencial de seu filho ou filha.

Com vídeos que retratam histórias de diferentes mães e seus filhos atletas, o storytelling toca temas universais como o amor, a dedicação e o sacrifício. A campanha foi amplamente elogiada por sua abordagem inclusiva e emocional, que impactou grandes audiências em diversas culturas, reforçando o papel das mães não apenas no esporte, mas também na vida cotidiana.

 

“The Epic Split” da Volvo Trucks (2013) – Suécia e Global

A Volvo Trucks utilizou storytelling de maneira épica em sua campanha “The Epic Split” em 2013. Nesse filme publicitário, o ator e artista marcial Jean-Claude Van Damme realiza uma divisão perfeita entre dois caminhões Volvo em movimento, enquanto fala sobre o controle e a estabilidade dos veículos. A simplicidade visual do anúncio é equilibrada pelo significado profundo da história contada: força, controle e precisão – valores diretamente associados aos caminhões Volvo.

Além de ser tecnicamente impressionante, o storytelling aqui é conduzido pela figura de Van Damme, cuja história pessoal de disciplina e força combinam com os valores que a Volvo queria transmitir. A campanha viralizou rapidamente, com milhões de visualizações em poucos dias, destacando a importância de se contar uma história que vá além das características do produto, mas que também associe o produto a uma emoção poderosa.

Em vez de focar em dados técnicos, a Volvo se concentrou em criar uma narrativa épica que gerou emoção e admiração. O resultado foi uma campanha que ainda hoje é citada como um dos melhores exemplos de como uma marca pode contar uma história inesquecível.

 

“Vem pra Rua” da Fiat (2013) – Brasil

Em 2013, a Fiat lançou a campanha “Vem pra Rua”, que inicialmente tinha o objetivo de promover a Copa das Confederações no Brasil. O jingle da campanha, “Vem pra Rua”, logo se tornou o hino de manifestações populares que tomaram conta do país em junho daquele ano, quando milhões de brasileiros foram às ruas protestando pelos melhores serviços públicos.
Apesar de não ter sido planejado como uma campanha política, o storytelling acabou capturando o espírito de um momento histórico no Brasil. A canção se tornou um símbolo de voz popular e mobilização, o que fez da campanha um marco na publicidade brasileira, ao mostrar como uma narrativa publicitária pode ser relevante culturalmente e se transformar em algo muito maior.

 

“Puppy Love” da Budweiser (2014) – Estados Unidos

A marca de cerveja Budweiser é conhecida por suas campanhas emocionantes durante o Super Bowl, e em 2014 a campanha “Puppy Love” tocou o coração de milhões de telespectadores. A narrativa simples e emocional conta a história de uma amizade improvável entre um filhote de cachorro e um cavalo da raça Clydesdale, que tenta proteger o filhote de ser adotado por outra família.

A força dessa campanha está na sua capacidade de criar uma conexão emocional instantânea com o público, utilizando dois símbolos icônicos e amados (cachorros e cavalos) em uma história de amizade e lealdade. Sem falar diretamente do produto, a Budweiser conseguiu associar sua marca a emoções poderosas, como lealdade, carinho e amizade. O storytelling aqui é um exemplo perfeito de como as emoções podem transcender o produto e criar uma conexão duradoura com os consumidores.

 

“The Boy and the Piano” da John Lewis (2018) – Reino Unido

No Reino Unido, a varejista John Lewis é conhecida por suas campanhas emocionantes de Natal. Em 2018, a campanha “The Boy and the Piano”, estrelada por Elton John, levou o storytelling a um novo patamar ao contar a história da vida do cantor através de seu relacionamento com o piano, desde a infância até a fase adulta.

O anúncio destaca um piano que Elton recebeu de presente de sua avó quando era criança, conectando o poder de um presente significativo com a história de vida de uma das maiores estrelas da música. O storytelling aqui é conduzido pela emoção e pela nostalgia, elementos comuns nas campanhas de Natal, mas que, neste caso, foram combinados com a vida de uma figura icônica. Além de vendas, a campanha gerou debates culturais sobre o significado de presentes que transformam vidas.

O storytelling na publicidade conecta marcas a seus consumidores em nível emocional e cultural. As campanhas relatadas demonstram que, independentemente do produto ou serviço, contar uma história poderosa pode criar laços duradouros entre marcas e pessoas. Seja por meio da emoção, do humor ou de narrativas épicas, o storytelling continua sendo uma ferramenta crucial no mundo da publicidade, capaz de transcender fronteiras e criar conexões significativas com públicos diversos.

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