Criatividade humana segue insubstituível, afirmam líderes da indústria no Cannes Lions
25 de Junho de 2026

Criatividade humana segue insubstituível, afirmam líderes da indústria no Cannes Lions

Durante painel do TIME100 em Cannes, executivos do setor afirmaram que a inteligência artificial amplia a eficiência dos processos, mas não substitui a capacidade de atribuir significado às obras.

Embora a inteligência artificial esteja ganhando espaço na indústria cinematográfica, a criatividade humana continua sendo o elemento central da produção audiovisual.

Essa foi a principal conclusão de um painel promovido pelo TIME100, realizado em 23 de junho, em Cannes, na França, que reuniu líderes de empresas ligadas à tecnologia e aos efeitos visuais.

Para Dara Treseder, diretora de marketing e comercial da Autodesk, companhia especializada em softwares para design 3D, engenharia e entretenimento, a IA tem potencial para elevar os padrões da indústria, mas não para substituir a inventividade humana.

Segundo ela, a tecnologia deve ser aplicada de forma estratégica, considerando os objetivos de cada projeto e não apenas como um complemento aos processos já existentes.

“A inteligência artificial está elevando o nível para todos, mas a verdadeira inovação continua vindo da engenhosidade humana”, afirmou a executiva, de acordo com informações da Time.

Treseder destacou ainda que os clientes da Autodesk têm repensado seus fluxos de trabalho a partir das novas ferramentas disponíveis, buscando redesenhar processos para alcançar melhores resultados.

Já Lincoln Wallen, diretor de tecnologia da Framestore, empresa reconhecida por seu trabalho em efeitos visuais, ressaltou as limitações da IA quando o assunto é interpretação e significado. Segundo ele, a tecnologia é extremamente eficiente para acelerar tarefas relacionadas à estrutura da linguagem e das imagens, trazendo ganhos de produtividade e redução de custos.

No entanto, Wallen argumentou que a inteligência artificial ainda enfrenta barreiras significativas para compreender contextos e significados de forma genuína. Para o executivo, a ideia de que a IA pode operar plenamente em um nível semântico permanece distante da realidade, reforçando o papel indispensável da sensibilidade humana nos processos criativos.

A era da IA não elimina a criatividade humana, apontam executivos e cineastas durante o Cannes Lions

Lincoln Wallen também aproveitou para destacar que a definição de significado e propósito continua sendo uma atribuição exclusivamente humana.

Segundo ele, os sistemas atuais de inteligência artificial ainda apresentam limitações quando se trata de traduzir com precisão as intenções criativas de seus usuários.

“São as pessoas que interpretam, produzem conteúdo e constroem a comunicação. A questão central é o grau de controle que temos sobre essas ferramentas”, afirmou ainda de acordo com a publicação. Para o executivo, a dificuldade de direcionar sistemas de IA para expressar exatamente o que um criador deseja comunicar pode gerar mais obstáculos do que ganhos no processo criativo.

Durante o debate, os participantes também discutiram o potencial da tecnologia para reduzir custos de produção ao automatizar etapas da pós-produção.

A documentarista Lauren Greenfield ponderou, porém, que grande parte dos investimentos de uma produção audiovisual continua concentrada nos profissionais essenciais envolvidos nas filmagens.

Na avaliação da cineasta, a inteligência artificial pode trazer ganhos de eficiência em tarefas operacionais, como organização de material bruto, transcrição de conteúdo e versões preliminares de edição.

Ainda assim, ela acredita que essas transformações não devem alterar o papel central das pessoas na construção das narrativas.

Greenfield ressaltou ainda que, em um cenário cada vez mais influenciado por conteúdos gerados por máquinas, a autenticidade tende a ganhar ainda mais valor. Para ela, a busca por histórias genuínas e perspectivas humanas se torna um diferencial importante em meio ao avanço das novas tecnologias.

Encerrando a discussão, Dara Treseder comparou o momento atual a uma nova revolução industrial, marcada pela rápida adoção da inteligência artificial em diferentes setores.

Apesar das transformações em curso, ela reforçou que a tecnologia deve atuar como ferramenta de apoio, e não como substituta da capacidade humana de criar, interpretar e inovar.

O painel “Criatividade na Velocidade da Máquina: Mantendo as Marcas Humanas na Era da IA”, promovido pelo TIME100 durante o Cannes Lions, contou com patrocínio da Autodesk e reuniu especialistas para discutir os impactos da inteligência artificial no futuro da criatividade e da produção audiovisual.

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Foto: Pixabay

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