CANNES LIONS 2026 | Entrevista com Paulo Ilha, Jurado da Categoria Midia
27 de Maio de 2026

CANNES LIONS 2026 | Entrevista com Paulo Ilha, Jurado da Categoria Midia

A categoria de mídia se sofisticou muito, porque o ecossistema de mídia se tornou muito mais complexo em poucos anos

 

Testemunhe a criatividade ganhar vida no Cannes Lions, onde trabalhos inovadores são premiados e líderes de pensamento influentes sobem ao palco. Pessoas do mundo todo se reúnem no Festival, permitindo que você construa uma comunidade global, troque e celebre ideias e impulsione o crescimento com pessoas que compartilham os mesmos ideais. Independentemente do estágio da sua carreira criativa, o Cannes Lions proporciona aprendizados, experiências e conexões incomparáveis. Desta forma, o Cannes Lions Festival está convidando a comunidade para sua edição 2026.

O Festival Cannes Lions é onde toda a indústria global de comunicação criativa se reúne. Aproximadamente 12.000 profissionais de mais de 100 países são esperados no Palais of Festivals and Congresses of Cannes.

Quem participa
Tipo de empresa

  • 57% Agency
  • 26 % Brand
  • 7% Gov/ Non-Profit/Education

Tipo de trabalho

  • 33% Director
  • 31% Senior Executive
  • 14% Senior Manager
  • 8% Middle Manager
  • 7% Junior Professional
  • 2% Freelancer

Jurados Brasileiros em Cannes

O AcontecendoAqui cobre presencialmente o Festival Cannes Lions desde 2013. Nas semanas que antecedem o evento, realizamos entrevistas com alguns jurados brasileiros que estarão lá no Festival julgando presencialmente os trabalhos que concorrem em suas respectivas categorias.

Hoje apresentamos nossa conversa com Paulo Ilha,  sócio fundador e Chief Media Officer da GALERIA.ag. Com conhecimento abrangente em todas as plataformas, passando por mobile, digital, performance e mídia tradicional, Paulo Ilha é um dos mais proeminentes e premiados profissionais de mídia e BI da atual geração de líderes do mercado publicitário.

Antes de comandar a área de mídia e BI da GALERIA.ag, trabalhou em agências como Grey Brasil, Y&R, Africa e DPZ&T. Em sua carreira, o profissional contribuiu para transformar o mercado agregando sua visão estratégica a utilização de novas tecnologias, projetos criativos e um consistente conhecimento técnico e tecnológico. O executivo é um dos principais influenciadores no desenvolvimento de uma cultura de mindset digital, que representa uma nova forma de repensar toda a comunicação a partir de mudanças digitais na vida dos consumidores. Entre os prêmios já conquistados no mercado estão Profissional de Mídia do Ano, em 2015 (Folha/UOL); o Mídia Estadão, em 2016; e em 2018, Paulo Ilha venceu o prêmio de Profissional de Mídia do ano da ABP (Associação Brasileira de Propaganda), além do Caboré de Profissional de Mídia, o maior prêmio da propaganda brasileira.

 

Qual é a sensação em fazer parte da equipe de jurados do Cannes Lions 2026?

São muito grandes, porque será minha segunda participação no júri. A primeira foi em 2018. E de lá para cá, o mercado e a indústria se transformaram muito, especialmente a indústria de mídia, que é uma das indústrias de maior transformação nos últimos anos.
A categoria de mídia, da minha primeira participação no júri para agora, se sofisticou muito, porque o ecossistema de mídia se tornou muito mais complexo em poucos anos, com muito mais tecnologia como aliada na construção das estratégias das marcas e, especialmente, na geração de resultado das campanhas e no impacto no negócio.
Então existe uma expectativa muito grande de participar desse momento da indústria, olhando para os melhores trabalhos do mundo justamente em um período em que mídia, criatividade, tecnologia e resultado estão muito mais integrados do que já estiveram antes.

 

Qual é o aprendizado ou troca de experiências que você imagina ter lá com criativos de diversos cantos do mundo?

Essa troca já começou com encontros online. Creio que a principal é o aprendizado através da discussão dos cases analisando o que seria um grande trabalho de mídia que mereça ser referência global.

 

O Festival passou por grandes reformulações nas 3 últimas edições. O que você poderia citar sobre essas mudanças e o que será avaliado em Mídia, categoria que você vai julgar?

A principal mudança é que criatividade sozinha já não sustenta excelência em Cannes. No passado, uma peça brilhante ou uma ideia muito bem executada poderiam ser suficientes. Hoje isso não basta mais. O que o festival vem valorizando cada vez mais é a combinação entre potência criativa, sofisticação estratégica, relevância cultural e impacto concreto no negócio. E isso fica muito evidente na categoria de mídia.
Hoje, mídia não é mais apenas amplificação. Em muitos casos, ela passou a ser a própria construção da experiência criativa e da relevância cultural. Então o julgamento olha muito para como a mídia potencializa a ideia, como ela cria contexto, como integra plataformas, como conversa com o comportamento das pessoas e, principalmente, qual impacto real ela gera para a marca.
Existe uma preocupação muito evidente entre os jurados de não premiar apenas uma ideia, mas premiar o conjunto todo, a ideia, estratégia, execução, contexto cultural, consumidor, escala e impacto no negócio.

Atualmente a publicidade abraçou as ferramentas de IA. Na sua categoria ela também está em alta?

Sem dúvida. A IA já está absolutamente difundida dentro da indústria e naturalmente aparece muito nos trabalhos inscritos.
Mas o uso de inteligência artificial, por si só, já não impressiona mais. Isso virou commodity. O importante é entender como a IA está sendo utilizada dentro daquele projeto, se ela amplia criatividade, experiência, contexto cultural, escala ou geração de resultado.
Na categoria de mídia, o olhar tende a ser muito menos sobre a tecnologia em si e muito mais sobre como ela melhora a construção estratégica da campanha e potencializa impacto de negócio.

 

Você acredita que as inscrições neste ano estarão carregadas de trabalhos finalizados com IA? Em quais categorias isso mais vai aparecer?

Acredito que sim, porque hoje a IA já faz parte praticamente da rotina da indústria. Ela está presente desde o processo criativo até operação, mídia, dados, personalização e produção.
Imagino que isso apareça muito em categorias como Media, Innovation, Creative Data, Digital Craft, Entertainment e Experience, mas também de maneira transversal em praticamente todas as categorias.
Mas acho importante reforçar que o diferencial não será simplesmente usar IA. O uso da IA em si já não gera valor suficiente. O que vai diferenciar os melhores trabalhos será justamente como ela potencializa criatividade, relevância cultural, conexão com as pessoas e resultado real para as marcas.

 

Cite um grande trabalho da sua agência que vai concorrer em Cannes neste ano.

A Galeria.ag nao deve participar com inscrições este ano.

 

Por que o Brasil valoriza tanto Cannes?

Porque o Brasil historicamente sempre foi uma potência criativa muito conectada com cultura, e Cannes é o principal palco global da criatividade. Existe uma identificação muito forte do mercado brasileiro com o festival justamente porque o Brasil construiu relevância mundial a partir da criatividade.
Além disso, o mercado brasileiro tem uma característica muito forte de integração entre disciplinas. O fato do Brasil ter um modelo de agência muito full-service faz com que o país tenha profissionais muito preparados para integrar criatividade, mídia, creator economy, social, velocidade de execução e construção de marca dentro de um ecossistema muito complexo.
Isso sempre posicionou o Brasil como linha de frente no mercado global e faz com que Cannes tenha uma importância muito grande para a indústria brasileira.

 

O que é mais importante em Cannes: ganhar um Leão, assistir palestras ou conhecer pessoas?

Ganhar um Leão obviamente é muito importante porque representa um reconhecimento global de excelência. Mas Cannes vai muito além da premiação.
Acho que o mais valioso é justamente a combinação de tudo isso. As palestras ajudam muito a entender para onde a indústria está caminhando. As trocas e conversas ajudam a ampliar repertório e visão de mundo. E o festival inteiro acaba funcionando como um grande ponto de encontro da indústria global.
Então Cannes é muito importante não só pelo prêmio, mas pela capacidade de acelerar aprendizado, repertório e transformação da própria indústria.

 

O que não falta na sua bagagem para Cannes?

Experiência e muita vontade de apreender nas discussões com os demais jurados.

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