CANNES LIONS 2026 | Entrevista com Edu Luke, Jurado da Categoria Audio & Radio
25 de Maio de 2026

CANNES LIONS 2026 | Entrevista com Edu Luke, Jurado da Categoria Audio & Radio

Confira a matéria de estreia da Série Jurados Brasileros no Cannes Lions 2026

Testemunhe a criatividade ganhar vida no Cannes Lions – onde trabalhos inovadores são premiados e líderes de pensamento influentes sobem ao palco. Pessoas do mundo todo se reúnem no Festival, permitindo que você construa uma comunidade global, troque e celebre ideias e impulsione o crescimento com pessoas que compartilham os mesmos ideais. Independentemente do estágio da sua carreira criativa, o Cannes Lions proporciona aprendizados, experiências e conexões incomparáveis. Desta forma, o Cannes Lions Festival está convidando a comunidade para sua edição 2026.

Cannes Lions

O Festival Cannes Lions é onde toda a indústria global de comunicação criativa se reúne. Aproximadamente 12.000 profissionais de mais de 100 países são esperados no Palais of Festivals and Congresses of Cannes.

Quem participa
Tipo de empresa

  • 57% Agency
  • 26 % Brand
  • 7% Gov/ Non-Profit/Education

Tipo de trabalho

  • 33% Director
  • 31% Senior Executive
  • 14% Senior Manager
  • 8% Middle Manager
  • 7% Junior Professional
  • 2% Freelancer

Jurados Brasileiros em Cannes

O AcontecendoAqui cobre presencialmente o Festival Cannes Lions desde 2013. Nas semanas que antecedem o evento, realizamos entrevistas com alguns jurados brasileiros que estarão lá no Festival julgando presencialmente os trabalhos que concorrem em suas respectivas categorias.

Hoje apresentamos nossa conversa com Edu Luke, Fundador e Diretor Criativo de Branding Sonoro da Hefty. Edu é multi-instrumentista, compositor e produtor indicado ao Latin Grammy, fez seu nome na cena musical brasileira antes de colidir com o universo audiovisual e encontrar no som sua ferramenta mais poderosa de storytelling. Em 2015, fundou a HEFTY Music & Sound, focada em publicidade e branded content, que já acumula mais de 250 prêmios internacionais, incluindo 69 Cannes Lions, com 6 Grand Prix e 9 Ouros em categorias como Entertainment for Music e Audio & Radio, além de Grand Prix no Clio Awards, The One Show e Ciclope Latino. No ranking mais recente do Meio & Mensagem, eleito por 100 dos principais líderes criativos e de produção do país, Edu foi escolhido como o produtor de som número 1 do Brasil.


Qual é a sensação em fazer parte da equipe de jurados do Cannes Lions 2026?

É uma mistura de honra e responsabilidade. Cannes é o lugar onde a nossa indústria congela o tempo por alguns dias para dizer: “isso aqui é o melhor que conseguimos fazer neste ano”. Sentar na cadeira de jurado significa ter que ser justo com o trabalho dos outros, respeitar o esforço de quem está do outro lado e, ao mesmo tempo, defender que só o que realmente move a agulha na vida real merece um Leão. Eu levo muito a sério o fato de que uma decisão ali muda carreiras, histórias de marca e, em alguns casos, até cultura.

Qual é o aprendizado ou troca de experiências que você imagina ter lá com criativos de diversos cantos do mundo?

Julgar em Cannes é, antes de tudo, um grande exercício de escuta. Você entra com certezas e sai com dúvidas melhores. A troca com criativos de vários países ajuda a entender como cada mercado está usando som e áudio para resolver problemas de negócio e de sociedade: alguns mais orientados por dados, outros mais experimentais, outros extremamente politizados. O aprendizado maior costuma ser esse, perceber que, apesar das diferenças culturais, as grandes ideias têm um traço comum, com clareza de propósito, impacto mensurável e uma obsessão quase irracional por craft.

O Festival passou por grandes reformulações nas 3 últimas edições. O que você poderia citar sobre essas mudanças e o que será avaliado em AUDIO & RADIO, Categoria que você vai julgar?

O festival vem se afastando daquela lógica de “show de fogos” e se aproximando de uma lógica de “o que isso mudou de verdade?”. As regras estão mais rígidas em relação a trabalhos de fachada, há um olhar mais cuidadoso para representatividade, propósito autêntico e sustentabilidade e o processo de votação ficou mais estruturado e vigiado para reduzir vieses. Em Audio & Radio, especificamente, o foco é em ideias que usam o som como meio central de comunicação, em inovação sonora não apenas tecnológica, mas também de formato, canal e participação, em legitimidade da marca e do cliente e em impacto real, seja de negócio, seja cultural. Se a peça é linda, mas não existe de fato no mundo real, ou se o papel da marca é questionável, ela não deveria chegar perto de um Leão.

Atualmente a publicidade abraçou as ferramentas de IA. Na sua Categoria ela também está em alta?

Sem dúvida. Em áudio, a IA aparece em tudo, da geração de vozes à personalização de mensagens, passando por variações infinitas de spots para contextos diferentes e até pela otimização de mixagem. Mas a forma como a gente olha para isso no júri é simples: IA não é um valor em si, é um meio. Não existe “Leão de IA”; existe uma grande ideia em Audio & Radio que, eventualmente, usou IA de forma inteligente, ética e a serviço da mensagem. Quando a IA vira o show principal e a ideia some, o trabalho perde força.

Você credita que as inscrições neste ano estarão carregadas de trabalhos finalizados com IA? Em quais categorias isso mais vai aparecer?

Sim, a tendência é ver IA em volume alto, porque a ferramenta se popularizou e barateou processos. As categorias mais visivelmente impactadas devem ser as de Film, Digital, Social & Influencer, Direct e até Design, onde geração de imagem e vídeo já virou padrão de produção. Em Audio & Radio, veremos bastante IA em voz sintética, personalização em escala, experiências interativas via assistentes de voz e até mixagens dinâmicas. O ponto central, porém, continua o mesmo: se a presença da IA não resultar em algo realmente mais relevante para as pessoas ou mais eficiente para a marca, é só um truque de bastidor, e truque sozinho não ganha Leão.

Cite um grande trabalho da sua produtora que vai concorrer Cannes neste ano.

Nenhum. Justamente por estar envolvido com o júri, eu optei por não inscrever trabalhos na categoria. Em mais de uma década indo a Cannes, será a primeira vez em que meu papel ali é exclusivamente o de ouvir, analisar e aplaudir o trabalho dos outros, e não o de ser aplaudido. Achei importante separar bem esses lugares.

Por que o Brasil valoriza tanto Cannes? Um dos países com maior número de inscrições, visitantes e leões.

Porque Cannes, para o mercado brasileiro, sempre foi mais do que um prêmio, foi uma régua. Num país em que a gente convive com volatilidade econômica e ciclos de crise, Cannes virou uma espécie de “moeda estável” da nossa criatividade. O festival ajuda a posicionar o Brasil no mapa global, a atrair talentos, a inspirar clientes a apostarem em ideias mais ousadas e a manter um padrão de excelência que não deixa a gente acomodar. E tem um ponto emocional também: o brasileiro gosta de competir, de se provar, de mostrar que, com menos orçamento, conseguimos estar no mesmo palco que os grandes centros.

O que é mais importante em Cannes? Ganhar um leão, palestras, conhecer pessoas?

Tudo importa, mas em camadas diferentes de tempo. Palestras alimentam a cabeça no curto prazo, networking abre portas no médio prazo e um Leão muda a trajetória de carreira e da agência no longo prazo. Se eu tivesse que hierarquizar, diria que o mais importante é voltar com a régua calibrada, entendendo o que o mundo está chamando de “bom”, “muito bom” e “icônico” naquele ano. O prêmio é consequência. As conversas de corredor, as sessões de júri, as discussões sobre o que merece ou não merece ganhar, isso é o que realmente transforma a forma como você pensa o seu trabalho quando volta para casa.

O que não falta na sua bagagem para Cannes?

Ouvido atento e caderno em branco. Ouvido atento porque, principalmente em Audio & Radio, os detalhes estão nos silêncios, nas pausas, nas escolhas de voz, no jeito como uma ideia usa som para ocupar a cabeça das pessoas. E caderno em branco porque Cannes é um lugar onde você precisa desaprender algumas certezas para conseguir aprender de novo. O resto, roupas de tecido leve, tênis bem confortável, adaptador de tomada, é importante, mas substituível. O que não pode faltar é disposição para ouvir mais do que falar.

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