O Brasil conquistou dois lugares entre os finalistas do Glass Lions 2026, categoria do Cannes Lions dedicada a reconhecer trabalhos que promovem mudanças sociais por meio da criatividade.
Originalmente voltada para iniciativas relacionadas à equidade de gênero, a competição ampliou seu escopo no ano passado e passou a contemplar projetos que abordam questões ligadas à deficiência, raça, sexualidade e desigualdade social.
Os dois trabalhos brasileiros selecionados têm em comum o foco na inclusão racial e utilizam o livro como plataforma narrativa para discutir o racismo estrutural.
Um dos destaques é “Nigrum Corpus”, criado pela Artplan para a Idomed e o Instituto Yduqs. Já amplamente reconhecida pelo mercado, a iniciativa foi a terceira campanha brasileira mais premiada no Cannes Lions do ano passado, quando conquistou o Grand Prix de Industry Craft, e retorna à competição em categorias nas quais ainda não havia sido inscrita.
Integrando um projeto das instituições para combater o racismo na medicina brasileira, a campanha criou nomenclaturas em latim para supostas “doenças” que, na realidade, representam diferentes formas de discriminação racial enfrentadas por pessoas negras no atendimento médico e em outros contextos sociais.
Cannes Lions 2026 destaca ideias multidisciplinares na primeira rodada de shortlists
A primeira leva de shortlists do Cannes Lions 2026 aponta para uma tendência clara: as ideias mais bem-sucedidas são aquelas capazes de transitar entre diferentes disciplinas, combinando tecnologia, propósito e resultados concretos.
A agência peruana Circus Grey foi a que alcançou o maior número de aparições entre as categorias anunciadas até o momento. Seu projeto SOS POS, criado para o BCP, garantiu presença no Titanium Lions e em duas subcategorias do Innovation Lions — Brand-Led Innovation e Societal Innovation — tornando-se um dos trabalhos de maior destaque nesta fase inicial da competição.
A rede McCann também registrou uma forte performance, com três aparições nas shortlists. A McCann Espanha emplacou Chapters of Hope, para La Fabrica, nas duas subcategorias de Glass: The Lion for Change, enquanto a McCann Londres foi selecionada no Titanium Lions com The Missing Managers, desenvolvido para Xbox. A rede ainda conquistou uma indicação adicional com Dying Reviews, da McCann Wellington para Hospice NZ.
Outra agência que começou o festival em alta foi a LePub. A operação garantiu duas vagas no Titanium Lions com Tocayos, para Heineken, e Welcome Back, Paisano, para Tecate. Este último também avançou para a shortlist de Glass: The Lion for Change.
A rede TBWA também se destacou. A TBWA\Media Arts Lab aparece nas duas subcategorias de Glass com No Frame Missed, para Apple, enquanto a TBWA\Canada conquistou indicações em Glass e Innovation Lions com Supernova Adaptive, desenvolvido para Adidas.
Entre os projetos que surgem em múltiplas categorias estão ainda Vehicle of Hope, para Caritas, criado pelas agências Differ e Colony; The Faroe Islands Space Program, para SKF, da Nord DDB; e Recipe for Change, para Puck, da FP7 McCann Dubai. A presença recorrente desses trabalhos reforça uma das principais conclusões da primeira rodada de julgamentos: as campanhas que mais chamam a atenção do júri são aquelas que conseguem enfrentar desafios sociais, apresentar inovação e gerar impacto mensurável.
No Glass: The Lion for Change, categoria que avalia trabalhos capazes de reduzir preconceitos, empoderar comunidades marginalizadas e promover transformações sociais, o Brasil garantiu presença com Nigrum Corpus, da Artplan para Idomed e Instituto Yduqs. A iniciativa disputa a categoria ao lado de projetos de marcas como Apple, Adidas e La Fabrica.
Já no Titanium Lions, que reconhece ideias capazes de expandir os limites da criatividade e propor novas formas de pensar a indústria, apenas 18 trabalhos avançaram à shortlist entre 137 inscrições.
As próximas listas de finalistas serão divulgadas entre os dias 20 e 24 de junho. Se a primeira rodada servir de indicativo, o Cannes Lions 2026 está premiando um novo padrão de excelência criativa: trabalhos que se recusam a permanecer restritos a uma única disciplina e conseguem ser, ao mesmo tempo, inovadores, culturalmente relevantes e comercialmente eficazes.
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