Igualdade de gênero precisa de criativos para que as reais mudanças aconteçam
19 de Julho de 2018

Igualdade de gênero precisa de criativos para que as reais mudanças aconteçam

Twitter Whatsapp Facebook

 

 

Em sua participação no Cannes Lions de 2018, Marc Pritchard, chief brand officer da P&G teve uma mensagem só e bastante clara: o mundo criativo e as agências de publicidade precisam ser as primeiras a empurrar a ideia de igualdade de gênero. Não só no conteúdo criado, mas especialmente em suas estruturas. 

Pritchard usou dados coletados pelo movimento #SeeHer, que monitorou e estudou 40 mil anúncios e chegou a números que refletem a situação de desigualdade: 29% dos anúncios retratam a mulher de forma inexata, negativamente ou com algum estereótipo, objetificação ou diminuição da personagem.

Para o executivo, isso tem relação direta com a falta de representatividade atrás das câmeras e nas posições de comando.

Apenas 32% dos chief marketing officers (CMOs), 33% dos chief creative officers (CCOs) e 10% das diretoras comerciais são mulheres. Aqui que está o argumento central de Pritchard: antes mesmo de apontar erros no conteúdo criado, há que sanar a desigualdade na estrutura das empresas.

Para fugir da máxima que apontar é fácil, mas solucionar é difícil, o executivo não se limitou a dizer o que está errado e colocou objetivos para os próximos anos: uma divisão 50/50 entre homens e mulheres que ocupam as posições acima (CMO, CCO e direção comercial). E assim, 100% de anúncios que representam e retratam as mulheres de forma correta. 

Além do argumento social, é sempre interessante quando se apresenta o argumento econômico, porque ele evidencia como essa desigualdade não faz realmente sentido. Pritchard cita o estudo da McKinsey que indica que se a desigualdade de gênero tiver fim, US$ 28 trilhões serão injetados na economia mundial.

Voltando ao estudo da campanha #SeeHer, os anúncios “gender-equal” geram 10% a mais em confiança e 26% em crescimento de vendas. Citando o case da P&G, anúncios que seguiram as melhores diretrizes, como os das marcas Tide, Ariel e Always, tiveram resultados mais positivos.

“E se todos nós nos tornarmos agentes de mudança? Podemos avançar do ponto de partida para um mundo mais igual e melhor com representação igualitária, papéis semelhantes, salários iguais e respeito. A sociedade será melhor e os negócios serão mais fortes. Então, por favor, deu um passo adiante e seja um agente de mudança e uma força do bem, uma força do crescimento”, finalizou Marc Pritchard.