Como se aproximar do público LGBT sem cair no Pinkwashing? #CannesLions

17 de Junho de 2019

Orgulho acima do Pinkwashing: construindo conexões reais com o público LGBT +

 

 

No terraço do Palais de Cannes, aconteceu nesta segunda-feira 17/6, uma série de apresentações e talks em torno de questões LGBT+.

Dentre elas, o talk organizado pela Karmarama - Parte da Accenture Interactive, ao qual participaram Matthew Waksman, Diretor de Planejamento da Karmarama, a ativista trans Charlie Craggs, e Tag Warner, CEO Global do grupo de mídia The Gay Times.

Tag começou o talk perguntando ao público: Qual a razão de estarem presentes neste talk? Por que você deseja se aproximar da comunidade LGBTQ+?

Ele salientou o fato de que muitas vezes criativos ignoram todas as questões de gênero, e veem a comunidade LGBTQ+ como a imagem de dois homens se beijando. Ele afirmou que as marcas devem estar prontas a se confrontar com questões muito mais complexas.

Matthew continuou o talk aprofundando a questão de levantar a bandeira e de toda a luta que a comunidade LGBTQ+ teve no passado para ter seus direitos.

Matt apresentou alguns dados que mostram que entre os jovens de 18-24 a comunidade LGBT se tornou uma questão de massa, ele salientou por exemplo que no Instagram somente 50% dos usuários se declaram heterossexuais. E que entre os 18-24 mais de 10% se identificam como transexuais.

De acordo com Matt estes dados mostram como a comunidade LGBT não pode ser mais ignorada, e que é muito importante para toda a comunidade LGBT ter visibilidade na publicidade.

Matt explicou como ser “correto” com os consumidores LGBT. Ele afirmou que é preciso ir além da representação, e fazer parte. Não somente se limitar a bonitas imagens representativas da comunidade LGBT, mas de não ter medo ser um porta voz da comunidade.

Ele citou o exemplo do exército britânico que criou um movimento interno para a aceitação e suporte à comunidade trans.

Charlie continuou a apresentação contando como ela descobriu e viveu a transição de sexo. Ela salientou a falta de informação e que a exposição na mídia fez com que ela não tivesse respostas às suas questões.

Ela explicou como a vida se tornou mais difícil depois de ter feito a transição, como sua vida se tornou uma luta pessoal e uma luta pela comunidade. Ela deu exemplos de ataques de violência que ela sofreu nas ruas de Londres.

Ela apresentou seu projeto de fazer as unhas de qualquer pessoa gratuitamente. Ao mesmo tempo em que ela segura as mãos de outras pessoas, ela conversa sobre as questões de gênero.

Ela dá dicas de como engajar com a comunidade LGBT:
- Representar a diversidade, não somente usar imagens de homens gays brancos bonitos, mas ter transexuais, lésbicas, e também outras religiões por exemplo.

- Respeitar as pessoas, e tratá-las pelo pronome que se identificam.

- Entender as preocupações da comunidade LGBT e traduzí-las em suas campanhas.

Tag finalizou a apresentação destacando a importância de se criar um diálogo verdadeiro com o público LGBT, e não somente focar em números e em quanto uma campanha pode gerar. A comunidade LGBT não é somente um nicho de mercado e se a sua única preocupação é ganhar dinheiro o público verá.

 

 

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