5° Congresso revisitado
14 de Junho de 2012

5° Congresso revisitado

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A melhor cobertura do 5° Congresso da Indústria da Comunicação foi feita pelo portal Acontecendo Aqui, com notícias em tempo real, gravações, entrevistas e tudo mais que se requer para um trabalho de fôlego como o que foi realizado. Portanto, os leitores estão plenamente informados e não pretendo acrescentar nada que não sejam opiniões pessoais, comentários e observações sobre as plenárias, painéis e corredores.

Como se viu, o Congresso foi um sucesso – sério, consistente, maduro. Um marco importante para a profissão e para o mercado. Luiz Lara, Dalton Pastore e equipe estão de parabéns.

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Permitam-me começar pelo fim: os trabalhos estavam encerrados e a carta do congresso havia sido lida, quando Nizan Guanaes pediu a palavra. Foi ao palco e fez uma recomendação importante, totalmente pertinente que, como ele mesmo disse, deveria ter sido feita no painel do qual participou e que tratou do assunto. Só que não foi e acabou sendo o último ato do congresso. Ao presidente restou dizer que a recomendação seria incorporada às conclusões e encerrar o evento. Perfeita noção de timing. Ou, quem sabe, desejo de inovar já que esse foi um dos temas recorrentes.

Além de inovação, mais dois temas constituíram o trinômio que marcou o evento: liberdade e sustentabilidade.

Liberdade foi o discurso que marcou desde o primeiro momento com a palestra do arcebispo Desmond Tutu. Não que ele tenha dito algo que já não tivéssemos ouvido, mas que, vindo dele, ganhou em significado. No painel que se seguiu, com o tema Liberdade de Expressão e Democracia, ficou claro o temor ante as investidas das forças de governo e as ocultas para limitar a liberdade de expressão, seja na mídia como na propaganda. Com sua fala, autoridade e objetividade, o Ministro Ayres Britto nos deu um alento e a esperança que as investidas sejam rechaçadas no nível do STF. Roberto Civita foi também incisivo e disse algo que me parece fundamental: a mídia é responsável também pela veiculação comercial, o que sem dúvida deve influir nas negociações e nas relações entre mídia, agências e anunciantes.

O que pode ser comercializado e não pode ser anunciado? É indubitável que a Anvisa tem argumentos para se preocupar com o tratamento que a propaganda dá às crianças e obesos, por exemplo. Mas daí a proibir, vai uma distância imensa e uma imposição inaceitável. Citando novamente o Ministro Ayres Brito, “o mau uso não deve nunca servir para proibir o uso”.  As leis existem para punir os que fazem mau uso, mas proibi-los de usar não pode. Aliás, para deixar claro que a preocupação é legítima, lembro que nos anos 80, a saudosa CBBA publicou um trabalho que tratava justamente da propaganda dirigida às crianças, tratando sobre o que era ou não recomendável. Nos anos 80!

No painel Comunicação One-to-One – Personalização x Privacidade que o tema persistiu. Marcelo Tas falou seriamente, o que parece incomum para quem o vê no CQC, contou como as tuitadas e menções em comunidades da internet influíram em sua carreira e se posicionou contra qualquer tipo de interferência sobre a rede. Já Odilon Wagner vociferou contra o que chamou de patrulhamento na área cultural, denunciando a falta de apoio e usando como exemplo a imposição legal da meia entrada, que estaria sendo estendida até os 29 anos de idade! Por que decidem isso pelo empresário, por que então não subsidiam o privilégio imposto?

Por ser a interação na internet um campo novo e muitas as polêmicas, ainda não ficam claros os limites. O que caracteriza invasão de privacidade? Mais uma vez, me parece que é a questão do uso e do mau uso que deve orientar a discussão. E a solução, como defendeu o presidente da ABEMD, Efraim Kapulski, e o Dr. Vitor Moraes de Andrade, consultor jurídico, é se antecipar e implantar o sistema de auto-regulamentação, como acontece de forma exemplar, com o CONAR na propaganda.

Por hoje é isso. As duas outras pernas do tripé, inovação e sustentabilidade, ficam para a próxima.

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